sábado, 20 de novembro de 2010

Irène

A memória de uma história de amor, quarenta anos depois do desaparecimento da amada [memória da sua mulher Irène Tunc, uma ex-Miss França, com a qual tinha uma relação complicada e que morreu subitamente, em Janeiro de 1972, num acidente de automóvel], através da leitura de um diário construído pelo próprio realizador. Íntimo e Tocante. O diário de Alain Cavalier congrega uma ausência, que vive de fantasmas – o fantasma de Irène, naturalmente, mas também o fantasma do jovem “cavalier” dos anos 70.
Mais do que nunca, Irène mostra que o cinema é a arte dos espectros, na sua essência e oferece a possibilidade de fazer reaparecer qualquer um dos mortos.
Este diário não é simplesmente um devaneio de notas redigidas rapidamente, mas um texto literário de onde se apoia a qualidade do filme. E depois há a voz do cineasta, uma voz emocionada, ligeiramente encoberta, cansada, que parece sussurrar ao nosso ouvido. Esta doçura murmurada contribui para fazer de IRÈNE uma espécie de confissão íntima, um filme que se assemelha mais às confidências de um amigo do que a entretenimento. E que transforma cada espectador em iniciador a quem se vai confidenciar um segredo. O segredo de que o amor ultrapassa a morte, sendo transfigurado pela criação. Ou como partilhar a mais íntima das histórias.
Auréliano Tonet, Les Inrockuptibles
Texto enviado pelo Cine-Clube de Faro para me fazer sentir que todas as verdadeiras histórias de amor tem algo de louco e doentio e que nisto de amar sem sentido não estou sozinha. Obrigada! Estava a precisar!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"vaia", "vaia" que o seu ir "tem graça"

eu não resisto!
o meu mano mais novo é um moço muito prático e muito pragmático. mexe-se bem. é criativo. empreendedor. (ah isto carregando com força finca bem o ponto final e até faz clic).
então ele agora por causa de umas circunstâncias novas em que a minha vida se inscreveu, escreveu-me um mail muito optimista cheio de dicas e bons conselhos. e dizia-me qualquer coisa como "não deves depender deste ou daquele, deves ir directamente à fonte" e a seguir deu-me vários exemplos, endereços electrónicos e contactos.
e pronto!
agora Margarida vai à fonte! vai encher a cantarinha.
Margarida vai à fonte, vai encher a cantarinha, lá, lá, lá!

mulher DOVE - mulher comum



sinto-me uma mulher DOVE: a pele depilada, lisinha, macia, aveludada, o rosto hidratado, o cabelo brilhante, forte, liso também, solto, saudável, com uns brancos aqui e acolá, umas ruguinhas a sorrirem nos olhos, uma barriguinha qual Maria de Medeiros em Pulp Fiction a dizer ao outro na cama que a proeminência era "sexy".


gosto de me sentir uma mulher DOVE.


contudo, a preocupação é a seguinte: e se for pedir emprego à Berska, à Stradivarius, à Pull&Bear, à Massimo Dutti ou à Zara, será que mo dão?


é que... ou é impressão minha ou só vejo lá moças de bigo à mostra, sem cus, sem mamas, sem trambelho, sem frio e sem chicha?


eh! dei por mim a pensar nisto e a seguir bah encolho os ombros!

se, if, si

hoje tirava o dia (e tirei)
fazia a mala (e fiz)
partia rumo a Lisboa (mas não parti)
ia a uma consulta (desmarquei)
ia almoçar com o Jorge (cancelei)
jantar com a Renata (enviei sms)
amanhã manifestava-me anti-NATO(mente)
à noite jantava com os colegas do cursos de há quase 500 anos
(está marcado há + de 1 mês) (respondi por mail)
no domingo ia para Beja (assim vou amanha ou hoje ainda)
reunia com 1 (e hei-de reunir)
reunia com outro (também)
acabava aquilo (que aquilo é que importa)
na segunda ia lá (e vou)
depois vinha-me embora (e venho)

SE,
no condicional
faria isto tudo se
se isto, se aquilo, se o outro
SE NÃO ESTIVESSE TÃO CANSADA!
PORRA!
mas estou!

Remember?
Si Present - Futur
Si Imparfait - Conditional

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

terapia do elogio/cartas de recomendação

há pessoas que têm dificuldades em fazer elogios (ponto final) dizer coisas simples como "olha que bonita que estás", "bem lembrado da tua parte", "és capaz de ter razão", "gostei da tua proposta", "estás a evoluir, continua" e outros ainda mais simples como "gosto de estar aqui contigo", "és simpática" (ponto final)
há inclusive pessoas que não são capazes de lamentar os teus desgostos, que fogem a sete pés se te vêem com uma lágrima a escorrer cara abaixo (ponto final)
há mesmo pessoas incapazes de dar um abraço, passar a mão pelo ombro ou apertá-la com força (ponto final)
há pessoas - vejam lá - que nem os parabéns conseguem dar-nos (ponto final)
ou - ainda mais absurdo - aquele beijo de despedida antes das férias grandes do Natal (ponto final)
há pessoas e pessoas!
elenquei todas as residências que produzimos nos últimos 3 anos + os espectáculos que produzimos nos últimos 3 anos, acrescentei que tinha sido responsável pela comunicação e pela contabilidade da casa e que - em termos administrativos - havia concebido alguns instrumentos facilitadores da boa prossecução do trabalho (ponto final)
esta última parte tirou "porque dava mau aspecto", disse (ponto final) "é como se nós não fossemos organizados antes de tu chegares" (ponto final) e disse "sim, está ok, vou assinar" (ponto final)
então e não dizes, não acrescentas, não escreves que fiz essa merda toda bem?
"ah!", exclamou (ponto final) "pois", tendo acrescentado a seguir um parágrafo quase, quase elogioso (ponto final)
realmente ele há pessoas (reticências, conjunto de supostos não pontos finais, mas que não finalizam nada deixando tudo em aberto)
há pessoas que não recomendo!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

amizades aromatizadas

telefonou-me e leu-me uma lista extensa de nomes de ervas aromáticas
[atenção o meu sobrinho encheu-me o teclado com missangas "minusculinhas" e agora carrego no ponto final e NADA- está por debaixo uma missanga a encravar o processo]

telefonou-me e leu-me uma lista extensa de nomes de ervas aromáticas
são todas as que tenho no quintal
escolhe

tínhamos estado na noite anterior a beber um copito e a inventar empresas para fazermos
e eu disse "uma de ervas aromáticas"
como tem bastantes no quintal
telefonou-me e leu-me uma lista extensa delas
eu escolhi
poejos que adoro, coentros e oregãos

o João que me telefonou é professor universitário aposentado e tem uma horta e filhos e filhas da minha idade
o João é um bacano
acho que o João é um amigo
hei-de fazer-lhe uma açorda!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Planos
+
Propostas
+
Estratégias
+
Parcerias
+
Sinergias
+
Empatias
+++++++++++++++ espírito positivo++++++energia+++++persistência++++esperança++++
criatividade ++++originalidade+++++espontaneidade ++++ naturalidade +++++++++++++
+++++

domingo, 14 de novembro de 2010

quando as emoções causam as doenças!

"Todos nós já percebemos que quando passamos por momentos importantes de tristeza, ansiedade, raiva, problemas afectivos, pelo "stress", o nosso organismo reage e algumas vezes sentimos uma baixa da resistência. A gripe arrastada, o herpes labial, uma gastrite são formas de apresentação destas situações que enfraquecem as nossas defesas.
As tensões cronicas desencadeiam mudanças na temperatura do corpo, no processo da digestão, na pressão arterial, nos batimentos cardíacos, na respiração entre outros. Desta forma os conflitos que não encontram espaço para serem resolvidos na mente são transferidos para o corpo. Este processo é descrito pelos médicos como Somatização".

sábado, 13 de novembro de 2010

devia de estar a esta hora no 2.º módulo do workshop de jornalismo cultural da jornalista do Expresso Claudia Galhós, mas o meu corpo não quer, não quis e eu não o obriguei.
estou doente.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

escuta-te

estou doente!
às vezes o corpo precisa de adoecer como que a dizer-nos escuta-me preciso de descansar.
eu escuto o meu corpo.
o meu corpo fala comigo.
e eu obedeço-lhe

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ordenados mínimos!

os meus vizinhos do lado esquerdo da porta e do lado direito do prédio não têm nome. ela não se chama nome de filha, ele não se chama nome de filho e a outra ela mais velha não tem nome de mãe. são três se excluirmos o cão, deutsch.
a velha tem lugar de estacionamento reservado à porta para um clio azul, por baixo a cadeira de rodas pintada de amarelo, porém nenhuma deficiência que salte à vista. conheço-a pelos gritos estridentes que dirige aos filhos, pelo tom alto da voz e pelos sussurros com que presenteia o cão “meu querido, meu amor, chéri anda cá à dona”.
a filha sem nome é gorda. gordinha e anafada. sai de manhã muito cedo, ao meio-dia e meia encontro-a no café e quando regressa não sei.
o rapaz, homem da casa não tem nenhuma autoridade ainda que a frase precedente o fizesse supor. nem nome, quanto mais! de vez em quando também grita, mas não muito alto. a forma suprema que tem de se zangar é batendo com toda a força a porta da rua. para onde irá ele agora? penso.
nesta casa não há pai, só descendência. amargura. revolta. um certo enclausuramento. não sei quantas divisões têm, só que há uma marquise contígua à minha. e paredes meias também.
porque moram estes filhos ainda com a mãe? porquê se cada um deles tem bem à vontade trinta anos no cu?
há gente comodista é verdade! que prefere estar na casinha dos pais a ter de ser desenvencilhar sozinha. têm cama e roupa lavada. não gastam dinheiro em comida. em água, gás e electricidade e muitas vezes andam em carrinhos bem montados.
mas estes vizinhos não! estes vizinhos dão-se todos tão mal, tão mal, mas tão mal que chego a ter pena deles.
não ganham por certo muito mais que o ordenado mínimo, pois caso contrário já teriam deixado a mãe entregue ao cão. tenho a certeza!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

nós por cá temos disto e mto +

recebi agora a newsletter.
no Pátio das Letras, uma livraria do tipo da do Serafim e do tipo da do Paulo Barriga, vai ter lugar no sábado uma tertúlia com Mário Zambujal dedicada ao tema: as paixões arrebatadas são como o vinho das melhores castas: primeiro alegram, depois embriagam, um dia azedam”.
inteligente, engraçado, não?

uma mulher de assentos/ acentos tónicos no A

...no A de amor, no A de António, no A de há, de existir e no A, de à procura de corrigir os ÁS maltratados dos folhetos, das tabuletas, das ementas, dos bilhetes, dos cartazes, e dos AZES da ortografia portuguesa com certeza!

episódio n.º 26

uma vez estávamos nós no Pereira com uma amigo e lembrámo-nos de começar a "aventar"nomes para um projecto que esse dito amigo tinha em mãos. ele (não o amigo, mas ele) sugeriu o nome mais interessante. eu gostei. e disse-o. e reforcei. depois ao passá-lo para o papel escrevi-o direitinho e ele comentou "só esta mulher é que me sabe por bem os acentos no A". foi um elogio. podia ser um comentário vulgar, mas para mim não. gosto de ver bem tratada a língua portuguesa. gosto de perceber que as pessoas se esmeram a escrever. que tem cuidado e que a tratam bem. e odeio dar erros sem querer.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SONOTONE para os NARCISOS

o tema pode ser recorrente. talvez. admito. admito porquanto sei que me incomoda e cada vez mais. aflige-me esta lufa-lufa desenfreada que vai na cabeça das pessoas. de algumas pessoas. certas vezes tenho vontade de lhes enfiar um ansiólítico guela abaixo.
o zum-zum, a pressa, a correria, a urgência, o fim-do-mundo em cuecas e o último grito da batata frita está no interior de cada cérebro.
ninguém tem tempo para nada.
ninguém tem tempo para ninguém.
porém, pessoas assim não se dão conta que gastam demasiado tempo consigo próprias. tal e qual a lenda de narciso que espreitando o rio viu a sua imagem reflectida e ficou encantado consigo. dai advém a palavra narcisismo e a todos e todas quanto assim se comportam eu costumo chamar-lhes isso mesmo NARCISOS e NARCISAS.
são, regra geral, pessoas que não se desvinculam de si próprias, que vêm o mundo girar à sua volta, à volta do seu umbigo. gostam de falar porque gostam de se ouvir. masturbações ao vivo. ao telefone, nas reuniões, nas mesas de café.
pessoas também, por norma, pouco atentas aos outros, às suas necessidades, aos seus estados de espírito, às suas expressões corporais e até faciais.
falam, falam, falam. ou melhor vomitam. vomitam para cima de nós fazendo de nós baldes do lixo.
estou tão cansada de pessoas assim. e volto a falar delas porque recentemente descobri que a culpa é minha. gramar com elas e aturá-las só depende de mim. fi-lo (sim! porque já não o faço mais!) porque essas pessoas me davam a possibilidade de dormir enquanto existiam já que não lhes importava muito saber o que me ia na cabeça! enquanto falavam podia fazer na minha cabeça listas de compras, as contas do mês, mudar os móveis da casa toda contando que as deixasse falar.
e do lado de lá nem uma pergunta. então como te sentes? então como te corre o trabalho? como te sentes outra vez? (esta é a pergunta mais importante e pertinente que pode fazer-se a alguém), tens passado bem? que planos tens para amanhã? e para depois? e para a vida? estás doente? o que é que precisas? e os teus irmãos como estão?
NADA!
há pessoas que só elas estão doentes, só elas têm problemas, só elas têm casos amorosos, só elas têm mães chatas e pais ausentes, só o carro delas é que pifa, só o dinheiro delas é que não estica, só elas, elas, elas.
só essas pessoas são capazes de estar a falar ao telefone 13 minutos e 52 segundos sobre si próprias e no segundo 51 perguntam e "está tudo bem?".
este natal vou oferecer uns aparelhos SONOTONE, sob pena de colocar em causa amizades promover rupturas dolorosas com riscos acrescidos para os doentes em questão!

Justificar completamente

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

dias oitos da minha vida

hoje fui dia de pagar a renda!
para mim e para o Mundo.
sem aviso prévio, sem preparação psicológica, sem anestesia geral, a frio, sai-me da conta como que por magia em todos os dias oitos da minha vida tanto dinheiro que me custa tanto a ganhar.
trezentos euros assim, zás, num de repente.

neste dia e nada tendo a ver com isso tomou conta de mim um endiabramento.
o dia foi longo.
só jantei às dez da noite e sozinha numa cervejaria.
já estou habituada mas ainda assim não me habituo.

pago a renda sozinha.
o supermercado sozinha.
o médico sozinha.
as viagens para o médico e outras sozinha.
o seguro de saúde sozinha.
o crédito das mobílias sozinha.
a zon sozinha.
a electricidade sozinha.
o gás sozinha.
a água sozinha.
o telemóvel sozinha.
o outro telemóvel sozinha.
o condomínio sozinha.
a prestação da proteste sozinha.
e a da amnistia internacional também.

mas não são as contas que quero partilhar. nem nos dias oitos nem nos noves nem nos dez.
era só aquele jantar.
naquela cervejaria.
àquela hora.
o jantar.
e o endiabramento.

domingo, 7 de novembro de 2010

aos domingos...

...regra geral "dá-me o coração a pancada".

sábado, 6 de novembro de 2010

além-fronteiras já aqui

hoje fui a Huelva.
fui com a minha irmã. passear e comer tapas.
para o mês que vem vamos a Sevilha.
só temos que ter em atenção um pequeno pormenor: o radiador do carro!

está roto e fez-nos parar uma meia dúzia de vezes para lá e para cá em plena auto-estrada.
deitávamos-lhe água destilada com fartura e ele parecia um vulcão em erupção.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

fds

há vésperas em que me vão faltando as forças para enfrentar o fim-de-semana!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

escândalos ou como se mexem cordelinhos e se viciam os dados

Quando, há 3 anos atrás, fiquei durante 5 meses desempregada concorri a vários concursos públicos. Lia atentamente o Diário da República, 2.ª série, e concorria. Contudo, não fui prestar provas a nenhum. Surgiu-me uma oportunidade que agarrei com unhas e dentes e cá estou. Porém, e apesar de estar bem continuo atenta a outras possibilidades e arrisco. Move-me uma certa vontade interior de regressar à minha terra, não obstante aqueles com quem me cruzo me avisarem cada vez mais "está quieta! quem cá está quer-se ir embora! isto é uma merda!".
Enfim.
Numa destas tentativas de escapar à diáspora concorri para preenchimento de um lugar no gabinete de comunicação da Câmara Municipal de Almodôvar.
No primeiro dia em que prestei provas esperei pela minha vez como todos os colegas e encontrei uma particularmente simpática que curiosamente cumprimentava todos os funcionários da autarquia com olás rasgados de bom-dia. A prova estava marcada para as 11 horas, mas como os serviços funcionam bem fi-la às 4 da tarde. Três dias inteiros de trabalho perdidos: o anterior (pois não há transportes de Faro para Almodôvar), o da prova e o seguinte, pois tive que pernoitar também em Beja para só depois regressar ao Sul.
A concorrente estava muito nervosa. Dizia-se muito nervosa e, de cada vez que o júri abria a porta para mandar entrar o próximo, lá rasgava outro olá.
Todos a acharam fácil. Era sobre legislação autárquica e de comunicação social. E com consulta. Pessoalmente sai de lá com a sensação que me tinha corrido muito bem. Acertei em tudo.
Porém, desconfiada com o comportamento daquela concorrente liguei a um conhecido e perguntei-lhe frontalmente "Sabes se na Câmara precisam mesmo de álguém para o gabinete ou aquilo já está feito?", ao que o meu interlocutor respondeu "Não sei, mas tem estado lá uma estagiária", ao que retorqui "Chama-se Patrícia?", "Sim", acrescentou.
Dissipei as dúvidas quando vi as notas e reparei que a dita cuja tivera a nota mais alta de todas! Numa prova onde não há margem para erros!
Feita teimosa fui à segunda fase! Eu e os outros!
Outros 3 dias de trabalho perdidos!
Um dia inteiro a saltar de sala em sala. Pela manhã testes de atenção e concentração, de flexibilidade cognitiva, de rapidez perceptiva, de não sei o quê verbal e abstracto e - PASME-SE! - um teste de personalidade.
A psicóloga achou estranho eu, no final, querer anotar o nome dos testes num papel. E também talvez o facto de eu ter respondido, quando ela me ia dar um lápis para fazer os testes, "quero caneta, isto ou fica ou não fica".
Bom, após os testes, tivemos uma entrevista de grupo e a seguir uma entrevista individual. "Você é a pessoa mais difícil que tenho aqui", disse-me a psicóloga. "A pessoa que me vai dar mais trabalho", acrescentou. E eu sem saber se ela dizia aquilo a todos ou se era mesmo verdade e dirigido a mim. "Você tem uma personalidade forte". E depois em ar de desabafo "Isto é uma pena, tenho que ficar com os processos das pessoas durante 180 dias, se isto acabasse logo, mas não". Acrescentando "há realmente aqui pessoas com perfil". E no final "pronto, ao menos, ficou a saber como é que estas coisas funcionam".
Tire cada qual suas ilações. Eu já tirei as minhas.
Fiquei apta, mas a Patrícia ficou em primeiro lugar.
Até porque é preciso ter em conta uma variável importante: este concurso não tinha em conta um item importante a AVALIAÇÃO CURRICULAR, pois só assim é que uma estagiária podia passar à frente de todos os elementos.
Agora além de dúvidas do foro ético, subsistem-me outras....
Até que ponto é permitido fazer testes de personalidade para a a entrada na função pública?
O que é realmente avaliado?
A que é que se dá primazia? A uma personalidade reservada, mas organizada ou, por exemplo, a alguém falador e desinibido, mas pouco organizado?
Quem define o que se valoriza? Se o obsessivo se o compulsivo?
Isto é constitucional?
Embrenhada nestas dúvidas liguei para a Câmara Municipal de Almodôvar e pedi para falar com o departamento de recursos humanos. Queria saber se tinha que marcar hora para consultar os processos ou se, pelo contrário, podia aparecer no normal horário de expediente. E disse assim "por favor, quero consultar o processo tal e tal" ao que a minha interlocutora doutora respondeu "ah! isso tem que ser com o presidente do júri", ao que eu respondi "então, por favor, passe-me a chamada", ao que ela respondeu "sou eu própria!".
É impressão minha ou parece que ficou nervosa e foi apanhada?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

trabalhos autorais

Esta semana há muito a fazer!

Deixemo-nos de lirismos.
Ele respondeu-me e disse, em post scriptum: "para mim, flirt significa uma relação sexual ocasional e eu não dei por nada!". Pois, pois não deu. Eu também não. "Vou mudar o título" - disse eu. Mas, entretanto e pensando bem não mudo coisa nenhuma. Lembro-me perfeitamente do uso da palavra nas obras de Eça de Queiroz. Era inocente. Tinha aquele sentido soft da troca de olhares, portanto o meu título FLIRT'S é queiroziano e assenta-lhe bem.

Adiante!
Esta semana há muito que fazer!

O boletim tem que ficar pronto.
Até que fui rápida na primeira paginação. Tudo arrumadinho, títulos, texto em colunas, fotografias, ficha técnica, mas... atenta às sugestões tive que mudar o tipo de letra e o espaçamento, ou seja, tenho que fazer tudo de novo.
Espera-me, por isso, uma empreitada, umas noitadas esta semana, mas desta feita com um designer ao lado. Quem sabe sabe e devemos dar ouvidos a quem sabe.
É o que eu vou fazer: aprender!

Ninguém gosta mais do que eu de um boletim, de uma folha informativa, de uma newsletter, de um jornal, de um veículozinho de comunicação escrita. Escrevê-los é um prazer, paginá-los é outro e lê-los...bom lê-los cada um me dirá.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

flirt's

fartei-me de pesquisar na internet quem ele era e não encontrei quem procurava. sei que foi um anti-fascista e comunista, caso contrário em Beja não teria direito a nome de rua. a Pedro Soares só lhe faltava o número 5, número da porta lá de casa. talvez por isso tenha pensado nele como vivendo logo muito dentro de mim, das minhas quatro paredes, do meu quarto e da minha cabeça. há também o Pedro Soares da PT, o das aldrabiçes, menino beto que ascendeu meteoricamente aos destinos do país, mas este...Pedro Soares, n.º5, de 5 estrelas também ou Peter de grow man ou Pedrito de Portugal é um quase amigo imaginário que não chegou a sê-lo porque eu desastrada como sou quando gosto das pessoas dou cabo de tudo.

conheci-o no curso de fotografia que fizemos no início de Julho com o fotojornalista do Expresso Luiz Carvalho com Z. as pilhas da minha máquina pifaram no segundo dia e ele foi a casa buscar umas dele e o carregador para mim. simpático, não?

simpático, simpático. admitam lá.

passado uns tempos tentou marcar um jantar com todos os colegas para trocarmos fotos, mas como eu não podia respondeu "oh! que pena!" e um almoçito, propôs, um "almoçito", assim mesmo, um "almoçito" vegetariano. acedi, claro. acedi. bebeu chá de gengibre e contou-me coisas da vida. um filho com dez anos, uma filha com seis e uma mulher a quem chama "a minha mulher" que desapareceu porque a vida é filha da puta e não vou contar-vos pormenores.
ia nesse dia entregar assinaturas à sede de campanha de Fernando Nobre. a ingressão na política activa era "coisa" nova para si. como para mim também encontramos um ponto em comum e falamos de alegrices e outras opções.

recebia dele e-mails daqueles que quase que se mandam a toda a gente, mas com um certo grau de selecção: petições, artigos interessantes, fotografias premiadas, etecetera. comentários no facebook também.

mais tarde convidei-o para um descafeinado depois do jantar na praia. encontrámo-nos no clube náutico, ficámos estendidos em puffs coloridos, descalços e com os pés sobre a relva à beira da ria formosa. nessa noite estava lua cheia, mas eu não comentei sequer. tinha as unhas pintadas e o meu vestido às flores.

num certo fim-de-semana levou-me até lisboa e deixou-me à porta do consultório. à volta da boleia fui ter com ele, subi à casa dos pais e estive a li a observar tudo. reparei que guardavam as cápsulas gastas da nespresso e passei a guardar também as minhas sem nem saber porquê. no caminho podia ter brincado com as crianças, inventado jogos, sugerido entretengas, mas estive demasiado centrada a observar a família.

depois disto ainda jantámos fora no meio de 27 pessoas, saímos para uns bares e uma discoteca, dançamos, bebemos gins tónicos e estou-lhe a dever um.

à medida que o tempo passava eu ia criando dele uma imagem. é sempre assim. ele provavelmente de mim também. olhava para ele como se olha para um homem mais alto. debaixo para cima. não sei porquê. um homem mais alto a que não conseguimos aceder. envergonhava-me. continha-me. censurava-me. estava desconfortável.

isto tudo porque cada vez gostava mais dele. já tinha dito que quando gosto das pessoas sou desastrada?

Pedro Soares nº 5 é meigo, atencioso, prático e pragmático, racional, mas emotivo q.b. sério, talvez até demasiado sério. inteligente. gosta de conhecer sítios, pessoas, lugares, de conversar e de ouvir (coisa rara entre nós nos dias que correm) e eu tive por ele uma quedazinha, ai tive tive.

mas já passou.

no outro dia quando o vi na feira pensei que podíamos ser bons amigos, mas envie-lhe um mail em formato de bomba suicida a ver se pegava ou largava e BUM! nem uma coisa nem outra.

foi somente a pessoa mais bonita com quem me cruzei neste reino dos Algarves. e isso merece um post, claro!

íntima idade/ intimidade

há um grau de intimidade que me transtorna.
este texto é para ser lido à noite. AVISO!
acordar todos os dias cansa e viver também, já dizia o outro filho da mãe que não me lembro se é o Pedro Paixão se o Miguel Esteves Cardoso. para o caso tanto faz. como preciso de me internar de quando em vez ou hibernar por via das séries que vi do National Geographic sei bem do que falo. não gosto de generalizações, mas convenhamos... com a idade aprendemos a generalizar em vez de ver que cada caso é um caso. portanto, já penso em termos de os homens são ou as relações são transformando-as num padrão determinado e com características comuns.
por isso digo: há um grau de intimidade que me transtorna. aquele de pensarmos as compras juntos, fazermos as listas, irmos até ao supermercado, pagarmos, colocarmos tudo nos sacos, depois no carro, depois na despensa. pensarmos o almoço de amanhã e o jantar. de ele se virar para nós e perguntar "e se hoje comessemos um franguinho assado?". transtorna-me aquele grau de intimidade em que as merdas simples do dia vão ganhando o estatuto de inhas e de inhos. aquele grau de intimidade em que ele vai para aa casa de banho connosco. o banho - por favor - é um momento tão privado, a não ser que queiramos transformá-lo numa limpeza da alma e aí já posso condescender. para não falar, claro, das outras limpezas orgânicas. transtorna-me aquela intimidade em que ele nos vê de avental ou de robe, qual doente em cama de hospital. já disse que me interno mas é sozinha. interno-me no meu interior e dispenso espectadores. há um grau de intimidade que me transtorna que é o das limpezas a dois. ele arruma a arrecadação, ela lava a loiça, ele aspira, ela passa a esfregona. não aguento. e nisto está-me cá a parecer que há aqui confusão de género. ou então para pobre sou muito esquisita - eis a frase mais reaccionária que podia dizer sobre mim. não precisa ver-me de óculos. é escusado. viajar, traçar percursos, trocar livros, discutir ideias, fazer projectos, combinar passeios, almoços, janteres, copos. fazer sexo. chega! é claro que o amor não está de fora disto. amor em doses terapêuticas, ou seja, nunca em excesso para não fazer mal. há núcleos impartilháveis de nós e devemos só deixar que nos povoem aqui e acolá a solidão. ele na casa dele, eu na minha, caso contraário rebento. rebento de tanta intimidade e eu não posso rebentar que tenho muitas coisas que fazer, entendem?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

dia de fins dados

Acordei na hora antiga e fintei os meus finados. Fui até ao shopping. Comprei packs de meias em promoção 100% algodão e comida para a Bia em saquetas moles, gelatinosas e em saldos. Encontrei um AA bébe: roliço, branquinho, cabelinhos alaranjados e sardinhas aqui e acolá. Durante todo o dia pus as mãos na anca à procura dos bolsos que não tinha e deixa-as deslizar cintura abaixo. Também me fiz leitora de Eduardo Sá em Sindicato da Bondade. Ainda quis mandar a alguém a frase citada por António Lobo Antunes "Quando sou tu sou mais eu", mas por impossibilidade várias não encontrei o destinatário na lista do Nokia que diz "connecting people". Aprendi sobre os movimentos artísticos dos inícios do século XX na arte: pintura, escultura, cinema, fotografia, dança, teatro e música. Futurismo, surrealismo, dadaísmo...Vasculhámos mais a fundo as alterações ocorridas após a década de 70: a nova dança, o novo teatro. Visionámos excertos de espectáculos espectaculares. Escrevemos sobre eles. Entrevistámos criadores via skipe e foi interessante. Muito interessante este workshop com Cláudia Galhós, jornalista do Expresso, especializada em jornalismo cultural a quem levei um beijo do Paulo Barriga. Como diz uma amiga é bom ter esta possibilidade de falar, trocar ideias, esmiuçar, tirar dúvidas sobre questões que nos tocam e que nos interessam. Às vezes à nossa volta as conversas são desinteressantes e eu sempre gostei de aprender. Também vi o Paris com a Juliet Binoche. É um bocado americanado para não dizer amaricado, mas tive dó daquele moço bailarino que não queria morrer sem voltar a fazer amor. O Jorge disse que verteu uma lágrima no The End e eu acho que foi por isso. Ainda bem que acordei na hora antiga. Pff!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

ESTOU DE POUSIO

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

será que aguento?

Hoje fui oferecer-me ao Refúgio Aboím Ascenção como voluntária. Daqui a uma semana telefono e teremos uma reunião.

domingo, 26 de setembro de 2010

AGORA a MAIS de TODAS!



Prefácio à 1.ª publicação dos textos de EuFêmea
Nesta responsabilidade que me atribuí a mim mesmo de seleccionar e publicar uma resenha dos posts do EuFêmea, em número de trinta e cinco, por ocasião do 35.º aniversário da autora, deparei-me com uma tarefa muito difícil e de extrema responsabilidade, a saber: escolher, na diversidade dos textos, de muito boa qualidade, quais os que mereciam constar desta colectânea, pois colocar todos era tarefa impossível.
Que critérios utilizar?
Que faceta da autora valorizar? Dar visibilidade aos pequenos textos cheios de indignação ou aos textos maiores cheios de emoção e de perfeita construção literária?
Valorizar o bem escrito e descritivo ou o pleno de emoção e conteúdo? As recordações mais pessoais ou as relativas a uma comunidade? Estas foram algumas das dúvidas que me assaltaram.
E ainda escolher entre valorizar e das destaque aos post's...
Da mulher alentejana amante da sua terra e preterida nos empregos pela oligarquia política do partido à época nos destinos da autarquia?
Da mulher amante da produção cultural regional, magoada pela distância imposta, mas sempre atenta e solidária?
Da mulher trabalhadora, nestes anos do século XXI, com os dramas da insegurança, do desemprego e dos falsos recibos verdes?
Os da mulher da comunicação acompanhando os media da sua região e do País?
Os da mulher com os seus amigos tomando as suas dores e as suas alegrias?
Os da mulher dos livros, da leitora compulsiva e coleccionadora de literatura para a infância?
Os da mulher fêmea e feminina cheia de contradições e interrogações...
Os da filha, da mana, da sobrinha, da tia, mas e sobretudo da mulher de solidariedades e cumplicidades?
A mulher dos projectos, dos planos, das dúvidas, das incertezas, mas também de ódio às incompetências, ao carreirismo, ao oportunismo, ao facilitismo...
Estas foram outras das dificuldades que encontrei ao seleccionar os posts do blogue EuFêmea, tarefa dificultada pela emoção com que o fui seguindo ao longo destes anos, tentando escrutinar estados de alma, projectos, preocupações, mas também melhor conhecer a autora e filha do "prefaciador".
Outros farão no futuro outras escolhas, estou certo quiçá melhores, com outros critérios, mas esta é única pela carga afectiva e emocional que em si carrega.
De um total de 578 posts foram impressos 299 e algumas fotografias. É pena que ao passá-los para o papel se tenha perdido a estética de alguns deles, assim como a cor e apresentação gráfica. Na próxima edição prometemos cuidar destas lacunas.
Agora que acabei a selecção e a impressão dos posts a publicar estou confuso e com dúvidas. Será que é honesto destruncar assim um trabalho?Afinal qual foi a selecção efectuada? Nem eu sei bem. Num determinado mês era a ideia de que os mais novos iam ser os leitores previligiados do EuFêmea, mas ao fazer a selecção do mês seguinte o critério já era o de dar lugar a um texto bem escrito, bem organizado e cheio de conteúdo, para logo a seguir dar valor e destaque a informações e opiniões da terra de be(i)ja.
Seja como for aqui fica a selecção possível, sendo certo que o que não está editado em papel daria outra selecção não menos rica do que esta.
Que esta iniciativa seja um aperitivo para folhear o blogue na sua totalidade.
E porque este blogue é também um pouco da história da nossa família, ofereço um exemplar desta selecção para cada um de nós, pequenos e grandes, assim como para os recém-chegados.
Sem a tia Alice não teria conseguido acabar a tempo este trabalho: muito obrigado!
E que be(i)ja continue para seu gozo e nosso gozo o EuFêmea.
Somos assim e gostamos de o ser!
Beja, aos vinte e três de Setembro de 2010.
Pai.

sábado, 25 de setembro de 2010

AmorAMORamorAmOraMoRamoRAMOraMOr




Do alto dos seus 10 anos o João, meu sobrinho mais velho, escondeu o presente atrás das costas e chamou as duas tias dizendo "esta é uma prenda para as duas e só é completa se estiverem as duas juntas. fui eu que fiz".


Vejam a foto. Nela se lê "Tia Ana e Tia Guida fiz este presente para agradecer o amor e o carinho que me dão. espero tornar este dia ainda mais especial. feliz aniversário".


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

OBRIGADA

Fizemos um jantar bonito de sushi para a família e alguns amigos e eu recebi muitas prendas. É pena que alguns dos convidados não tenham aparecido. Senti pouco entusiasmo e alguma preguiça pelo que a sentença ficou lida "não os convidarei jamais para padrinhos ou madrinhas dos meus filhos".
Então foi assim.......
Antecipadamente uma máquina de costura para dar corpo ao meu mais recente projecto "QUEM ME DERA AMÁ-LA" (pronto já revelei);
Ferramentas de corte e costura por via do mesmo projecto;
Uma máquina Nespresso para me deliciar com cafés Roma e descafeinados;
1 kit de "A vida é bela" com alojamento para refúgios a 2 à escolha entre 225 lugares de turismo rual portugueses;
5 blusas giras;
2 vestidos igualmente giros e obscenamente curtos;
1 par de calças generosamente justas;
1 pullower para fzer toillette;
1 lenço vaporoso a condizer;
1 mala tailândesa;
2 livros do Pantagruel;
1 livro com o resultado de um estudo elaborado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), intitulado "A imprensa local e regional em Portugal";
1 livro chamado "Projecto Felicidade ou porque passei um ano a tentar cantar de manhã, a limpar os armários, a escrever um blogue, a ler os mestres e, em geral, a divertir-me mais";
1 cd do Vinicius de Moraes e Maria Creuza;
1 vela Portus Cale;
1 postal especial;
1 livro especial.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

geração rasca e à rasca

1.º a CONSTATAÇÃO: a maioria das pessoas que conheço que têm entre 35 e 40 anos de idade considera-se parte de uma geração bem sucedida e vive melhor do que os seus próprios pais e avós.

EU NÃO!

O 25 de Abril que apanhou a geração dos nossos pais a meio da vida trouxe efectivamente grandes melhorias para eles, mas sobretudo para nós! No entanto, tenho a sensação que de há cerca e 10 anos a esta parte - na altura em que nos preparávamos para dar o salto - outra revolução sucedeu fazendo tudo andar para trás silenciosamente.

Muitos dos que conheço entre os 35 e os 40 anos de idade foram, no seio das famílias, os primeiros a adquirir formação superior. No caso da minha já os meus avós a possuíam e os meus pais também. Até hoje estou para saber de que me serviu tanto background.
Posto isto, eles possuíam empregos que lhes garantiam segurança e direitos elementares.
EU NÃO!
Hoje ao fazer 35 anos percebo que pertenço a uma geração rasca e à rasca e que nisto como em tudo salvam-se as raras excepções.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

a minha casa nova

Há um ano atrás, neste dia 22 (ou melhor, corrigo), nesta noite de 22 mudei-me para a minha casa nova, dormi num colchão no chão rodeada de caixas e caixinhas e à meia-noite comecei a receber sms de parabéns!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Petições para que vos quero?

Nos últimos tempos chegam-me ao e-mail um sem número de petições provenientes dos mais variados endereços. Leio-as com atenção (a mais recente por acaso não) e subscrevo-as quando com elas concordo.
Abolição das touradas na programação da RTP; contra a pobreza e pelo ODM; plataforma geral de cultura e fim da atribuição, antes dos 65 anos, das pensões de reforma aos detentores de cargos públicos e políticos, bem como da sua acumulação - são apenas alguns exemplos das mais recentes.
A questão que coloco é a da não identificação dos impulsionadores destas subscrições. É fundamental que possamos conhecer que dá azo a. Um partido político, uma associação, o grupo da paróquia, a quercus...quem?
Depois, é preciso saber se as mesmas chegam à Assembleia da República? Qual o impacto que têm? Quem as lê? Quem as transforma em proposta de lei? Qual é o retorno desta participação civica ao que parece inconsequente?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

DIÁRIO DO ALENTEJO

Primeiro cometeram aquela gaffe enorme de convidar para elementos do júri trabalhadores do próprio jornal, sendo que tinham contudo um bom critério de admissão para o cargo de direcção: o de se possuir licenciatura em ciências da comunicação/jornalismo.
Depois, vendo a asneira que haviam feito anularam o processo e- em vez de mudarem apenas os elementos do júri (pois era aí que residia a perversão) - mudaram também os critérios e passou a ser essencial ter carteira de jornalista.
Ora, como é sobejamente sabido para se ter carteira basta trabalhar um ou dois anos no ramo que a mesma é atribuída.
Conclusão:Os órgãos de comunicação de Beja relegaram mais uma vez para segundo plano a imprtante questão da formação desvalorizando-a.
Um concurso desde a primeira hora feito à medida é o que é.

domingo, 19 de setembro de 2010

Animália


"Vimos por este meio felicitá-la e agradecer-lhe pela sua primeira visita ao nosso Hospital com a Bia. Sabendo os laços fortíssimos que ligam cada pessoa ao seu animal, é nossa intenção poder contribuir para que juntos possam viver momentos de alegria, companheirismo e cumplicidade durante muitos anos.

Para qualquer dúvida que tenha, não hesite em contactar-nos. Estaremos sempre ao seu dispor."

ASSINADO: Animália, Hospital Veterinário do Baixo Alentejo.


Trabalham bem ou não estes moços? Quem é que não gosta de ser tratado assim? Vou escrever-lhes um e-mail.

sábado, 18 de setembro de 2010

sinto-me em casa

costumava comprar a El Mueble. há um conjunto de revistas que gosto de comprar de vez em quando, assim como quem sai de casa para arejar. se bem que no final me arrependa sempre, pois tudo bate demasiado certo e eu em vez de me sentir bela como aquelas mulheres sinto-me um trapo porque percebo que me falta isto, aquilo e aqueloutro. por isso a leitura desta aqui descontrai-me, nela como na vida nada é perfeito, tudo é normal, tipo anúncio da Dove com mulheres de barriguinha e rabos proeminentes. assim é esta revista que nos apresenta casas com coisas espalhadas pelo chão, pelas estantes, pelas mesas. com vida. um folhear que me faz sentir NORMAL!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Biiices

hoje a minha Bia faz 5 meses.
quando veio cá para casa ainda não tinha 2. faltava pouco. e todos e todas me avisaram: "dá-lhe só ração", "dá-lhe só leite magro", "dá-lhe leite sem lactose", enfim.
sou bem mandada. assim fiz.
o meu pai até lhe tinha comprado umas latinhas que eu trouxe quando ela veio para cá, mas acabei por oferecê-las ao Sam para ele dar à Branca.
mas...agora decorridos estes 3 meses e depois de a ver entusiasmada a lamber o meu prato de empadão que deixei na cozinha... eis que resolvi comprar-lhe umas latinhas. tal e qual como quando começamos a dar sopinhas aos bébés. de frango, de atum. de salmão.
a Bia devorou-as. adoro-as. porém...ma aimable, affable, gentile, coquette, copine, jolie, aimable, gracieuse, charmante, belle, mignonne et paresseuse féline presenteou-me com belo peido malcheiroso. ma Bia c'est realmente un bijou!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Pantomineros

se eu disser à Renata que mora em Lisboa "amiga, tás por ai no fds? apetece-me ir ter contigo" e depois não fôr, não vem daí mal ao Mundo.
se Gilberto Madail disser "vamos ter o José Mourinho como treinador da selecção" e depois ele não vier, já a coisa se complica: gestão de expectativas, imagem internacional, instabilidade.
se José Sócrates disser "vamos de certeza para a frente com o TGV porque é em tempos de crise que se devem fazer os grandes investimentos" e passados uns meses recuar e disser que já não há TGV para ninguém, então senhores o que chamaremos a isto? falta de vergonha, desorientação, falta de honestidade, de seriedade, de palavra de honra.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ASTENIA

São 7 da tarde. O dia terminou no serviço, mas promete ainda ser longo.
E eu tenho uma astenia geral.
No corpo e na mente.
Na cabeça.
No cérebro.
E saio daqui e vou para uma reunião. Daquelas que nunca acabam antes da meia-noite.
Hãããããei!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

recicle: Deus Nosso Senhor agradece

lote 8 1.º frente; lote 8, 2.º esquerdo; lote 8, 3.º dto e assim sucessivamente.
meter os garrafões num saco, os pacotes de leite no outro, a garrafinha de cerveja no outro e assim sucessivamente.
gritar, injuriar, discutir, bater com as portas e assim sucessivamente.
descer as escadinhas, atravessar a estradinha e [quem me dera ter lido os Lusíadas todos e não ter esquecido aquelas onomatopeias] zás, tráz, catrapás, bum, pum, estilhaços, vidraços, cacaços a rebentar.
e assim sucessivamente.
como é bom ter uma vizinhança limpinha que faz reciclagem.
como é bom ter os vidrões na janela ao lado da mesa de cabeceira e acordar nas folgas do fim-de-semana.
zás, tráz, catarpás, bum, pum, estilhaços, vidraços, cacaços ... e assim sucessivamente.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010



Estão tão bem um para o outro...

domingo, 12 de setembro de 2010

Ala 22.1.B MULHERES
RELATÓRIO:
Funcionário 11. Encontrado material duvidoso junto da mesa de cabeceira da paciente da cama 5. Averiguar.


(ele) FÉZIO

revolucionariamente como o marxista
revisionista
camarada ilusionista
despiu-a
na dialéctica emergente
na estrutura
na orgânica
na relação
na cama
melhor dizendo no colchão
e
gemeu caprichosmante
veneno do seu ventre
militante assíduo da ortodoxia vigente
na cama outra vez
com-pa-ssa-da-mente
mente?
pau-la-ti-na-mente
mente?
crêem crer que é crente?
sim
na mulher ausente
hoje louca
encarcerada
demente.

CONSULTA N.º 8. DIÁRIA. ANÁLISE. Médico de serviços 16.

Quer decifrar as suas frases? De que falam?
(silêncio…olhar perdido na janela...mãos enrroladas uma na outra)
Do fazer amor do meu amor.
Você tem namorado?
Hoje não, mas depois tive. E antes.

RELATÓRIO: ALTA.

jubiÁbÁ

não lançava pedras. não tinha búzios. nem uma bola de cristal. tão pouco vestes compridas e coloridas e desvaidas. não sabia o que era o tarôt. não rezava, nem orava, nem pregava. acreditava na ciência. na prova. no 2+2 dá 4. não futuradivinahava. nem passadoquestionava. não podia jamais conhecer Blimunda, nem Pais de Santo nem temer a fogueira da inquisição. fora treinado, instruído, adestrado para duvidar. era um céptico. dizem ser "pessoa que seduz, cativa ou atrai pelos seus modos e beleza, um sedutor". não se mete em manigâncias. nem cenas escuras, obscuras.
mas quem?
o meu JUBIÁBÁ. há que tempos sabe-se lá!?

projectei-me nele com toda a força que tinha desconhecendo a sua opacidade e transparência e Jubiabá fez-me ver uma vida que era a minha, mas que eu ainda não tinha.

Jubiábá - feiticeiro


E se a minha irmã estivesse aqui diria "vá lá, ao menos serviu para alguma coisa".

sábado, 11 de setembro de 2010

meu jorge

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

já devia ser crescida há + tempo

Tornei-me activista da Amnistia Internacional. Por apenas seis euros por mês contribuirei para a defesa dos Direitos Humanos em Portugal e no resto do Mundo, juntando-me assim aos 12553 portugueses apoiantes desta causa.
E ainda posso participar em diversas iniciativas, campanhas, petições e outras actividades organizadas, além de que um dia tonar-me-ei voluntária e serei eu a angariar - com o meu poder de persuasão - outros apoiantes.
Para já vou destacar os postais que vêm na revista, colar-lhes um selo internacional e enviá-los para os respectivos endereços. Seguem em nome dos altos responsáveis pelos diferentes países que têm, por exemplo, prisioneiros políticos. Segundo conta a revista, quando começam a chegar aos milhares, os postais alertam as consciências, causam distúrbio e incitam à acção que outra coisa não é senão a libertação.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

a minha Bia...

...é tão querida, tão tontinha, tão safadinha.
Já gostava de se por aqui a meu lado a levar com o quentinho da ventoinha do computador e agora descobriu também o quentinho da box. Então, mete-se lá em cima, vira a cabeça para baixo e fica a espreitar os movimentos da televisão e a lançar-lhes a patinha. Hoje arranhou e despenteou o Gilberto Madail. Eh, eh.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Apetecem-me...

MAIS: preciso de coisas interessantes para LER.
please!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

com um vestinho de chita fico + bonita


Enquanto nos bairros do Porto se vivem os seus conflitos, Aurora, uma jovem que trabalha num atelier de costura vive uma história de amor. Aurora vai acabar por participar no popular Concurso do Vestido de Chita. Um dos primeiros e raros filmes portugueses feito em Cinemascope, "A Costureirinha da Sé" foi referenciado pelo "O Comércio do Porto", aquando da sua estreia,como uma história agradável, alegre, sentimental e romântica, pondo a nu as múltiplas variantes da alma popular, impetuosa e espontânea, aparentemente inamistosa, mas fundamentalmente amorável e sã”.

(sinopse do filme português A Costureirinha da Sé)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

work in progress




O projecto já tem nome, blogue (ainda em construção) e endereço de e-mail para as inúmeras encomendas que vamos receber. Já temos fotografias das "obras". Fiquem atentas, em breve daremos notícias.

domingo, 5 de setembro de 2010

Sábadábaduuuuu a passear o cú....
Dominguuuuuuuuuuuuu em transituuuuuuuuuuu
E segundáááááá em cásá
E terçá em casáááááááááá... porque é FERIADO cááááá´...

Ah, ah, ah!!!!

sábado, 4 de setembro de 2010

a costureirinha e as lembranças

Como estava na margem Sul não pude deixar de me lembrar de uma série de pessoas de Beja que - tinha a certeza - andavam pelo Seixal na Festa do Avante. Lembrei-me do Paulo Ribeiro que iria actuar no palco 25 de Abril e hesitei em ir lá ter. O meu dilema era: como saio de lá? A Ritinha ainda me enviou uma mensagem "Guida, estás no Avante? Estou em Grândola vou aí ter".

Porém, já decidira atravessar o Tejo. Comi uma sandes de ovo que é coisa que só encontro em Lisboa. Isso, pataniscas e alheiras. Tudo coisinhas que fazem bem, mas a que não resisto!

De seguida, fui deleitar-me com as retrosarias. O meu pai armado em GPS ligado à internet e ao telefone e a dizer-me "Há umas na Praça da Figueira, outras na Rua dos não sei quê (não me lembro!), e centenas na Rua da Conceição". Pois foi nesse sentido que me desloquei. Encontrei, de facto, adornos de rara beleza: fitas, bordões, galões, rendas, botões. Tudo lindo!

As lojas, edifícios também "mui" belos: antigas [Aí se eu pudesse era antiga! (suspiro)]. Antigas mas bem conservadas, com paredes inteiras de gavetinhas distribuídas por cores, paredes inteiras de caixinhas de botões, montras bem desenhadas, lettrrings de outros tempos.

O Pedro era o moço ideal para fotografar isto, logo ele que "gosta de jogar com a luz, a profundidade de campo", que tem um olhar tão sensível. E nisto passo pela Embaixada Lomográfica de Lisboa. Também não me contenho e envio-lhe uma mensagem "lembrei-me de nós pseudo-fotografos, blá, blá, blá". Um sms que deu azo a umas "trocas e baldrocas" engraçadas.

Na busca da matéria-prima fui à Rua do Ouro, à chamada Feira dos Tecidos comprar trapos a retalho e descansei no Chiado ainda sem saber para onde ir.

É impressionante a quantidade de gente de quem me lembro no decorrer de um dia: ou por uma imagem, ou por um som, ou por um cheiro, ou por uma rua, ou por uma súbita saudade. Naquele instante lembrei-me da minha tia.

Eu tenho muitas tias. Irmãs da minha mãe e uma irmã do meu pai, mas aquela é a minha Tia. Telefonei-lhe e disse-lhe "lembrei-me de ti. estou aqui em Lisboa".

Quarenta e cinco minutos depois estávamos juntas e depois de muitas peripécias que ainda tivemos tempo de fazer, contei-lhe do projecto de construção das malas e eis senão quando me oferece antecipadamente uma surpreendente prenda de aniversário: uma máquina de costura.

Agora resta-me acrescentar - porque dizem que isto está tudo ligado - que em Baleizão existia a crença profunda de que quando dois amantes se queriam encontrar se espalhava que o lobisomem andava por lá o mesmo sucedendo com uma costureirinha que se ouvia no barranco que separa a aldeia nova da aldeia velha. Nessa noite era certo e sabido que toda a gente se trancava em casa e não se via vivalma.

Portanto....se escutarem o meu matraquear....

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

MERDA!

Boa tarde!
Na sequência da sua inscrição no curso de Aperfeiçoamento em Edição e Produção de Jornais Diários, vimos confirmar a sua admissão.

Relembramos que o curso vai ter início na próxima segunda-feira, 6 de Setembro, no horário das 14 às 22 horas, terminando no dia 17 de Setembro de 2010.

Solicitamos confirmação da sua presença (para que, em caso de desistência, possamos atempadamente ocupar todas as vagas disponíveis).

Com os melhores cumprimentos,
-----------------------------------------------------------------
Cara Margarida,
Na sequência dos contactos anteriores, informamos que, lamentavelmente, devido à desistência de alguns inscritos, não é possível reunir o número de formandos necessário para os trabalhos do curso de "Aperfeiçoamento em Edição e Produção de Jornais Diários" decorrerem como previsto.

Assim, decidimos adiar este curso para o mês de Outubro, em data que confirmaremos logo que possível.

Lamentamos todos os inconvenientes deste adiamento e esperamos contar com a sua participação na próxima oportunidade.

P.S.: Agradecemos confirmação da recepção deste e-mail, por favor.
Com os melhores cumprimentos,

Fui seleccionada. Aí vou eu...

tu ru ru ru.
tu ru ru.

...No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Faro à Cruz Quebrada...

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão.... (faz de conta. é só para rimar)
(Fernando Pessoa/Zeca Afonso)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

materiais e matérias que fazem bem à alma



A culpa de eu me sentir hoje uma costureirinha é toda da minha irmã.
Qual Beatriz Costa "Óh chega, chega a minha agulha. Afasta, afasta o meu didal".

A minha mana aviou-se de feltros, fitas, cetins e outros adornos e, pelas noites frescas adentro, começou a construir malas. A minha mana tem jeito. Como diziam as mulheres lá na aldeia "tem jeito de mãos". Sai à sua mãe que fazia camisolas, saias e botinhas de lã, cortinados, toalhas de mesa de crochet e macramé. Nas férias, a cada noite que passava, fazia uma mala e clic com o telemóvel, enviava-me a foto para mim.

Contagiou-me. Acho que, em parte, era essa a intenção. A minha mana acha que estes trabalhos fazem bem à alma e ao espírito. Para terem bem uma noção, ela quase que me obrigou a dar um banho no mar gélido da praia de Odeceixe "para purificar a aura Priscilla". É assim uma moça esotérica, zen e ... vai dai...

...dediquei-me também aos trabalhos manuais. Sinto que a minha matéria-prima é o tecido. Ando enlevada nas retrosarias e é por isto tudo que me sinto hoje...assim...uma costureirinha.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

eu gostava

"O CENJOR está a organizar um curso inédito em Portugal sobre edição e produção de jornais diários, que decorrerá de 6 a 17 de Setembro, em Lisboa. É um curso intensivo, de 80 horas, que simula a prática redactorial da imprensa diária, possibilitando a aquisição de competências avançadas neste domínio.

O curso desenvolve-se num ambiente formativo que simula a organização produtiva duma Redacção de jornal diário de informação geral, em torno dos seguintes eixos programáticos: Organização da Redacção; Planeamento das edições; Execução dos serviços, redacção dos textos e sua edição; Preparação dos textos, fotografias e ilustrações para paginação.

Os formandos serão inseridos em grupos de trabalho redactorial, cumprindo oito horas diárias de prática jornalística, de segunda a sexta-feira, podendo escolher entre dois horários: das 9 às 17 horas e das 14 às 22 horas. A edição diária do jornal será coordenada por jornalistas formadores e a produção gráfica será assistida por técnicos de paginação.

A candidatura deverá ser feita através do preenchimento do formulário de pré-inscrição on-line, disponível no sítio do CENJOR (link: Candidaturas), seguido do envio de Curriculum Vitae, em resposta a este e-mail, uma vez que a selecção será feita com base na avaliação curricular dos candidatos.

Esperamos que esta informação seja do seu interesse e ficamos disponíveis para mais esclarecimentos, através dos contactos abaixo". (recebido por e-mail).


tenho um feeling que vou ser seleccionada e que vou daqui a caminho de Lisboa zunindo...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

sms:

"era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto".

domingo, 29 de agosto de 2010

processos dolorosos

Um dia o meu pai quis aceder aos seus processos da PIDE e dirigiu-se à Torre do Tombo em Lisboa. Esperou bastante até que estivessem disponíveis e quando lhes acedeu ficou por lá a lê-los sozinho emocionado.

Quis conservar o processo junto a si e percebeu que teria que fotocopiá-lo todo, sendo que isso lhe sairia caro. Contudo fê-lo.

Quando chegou a Beja com aquele calhamaço o meu pai explicou-nos onde tinha ido e pediu a cada um de nós que nunca lhe mexêssemos. Até hoje ninguém teve coragem para o fazer e nem sabemos sequer onde está.

O pouco que conhecemos da história do seu passado são pequenas coisas que nos vai revelando. Espantado conta-nos que os pides tinham conversas dele e dos amigos transcritas a partir das mesas da Bambina; que foram interceptadas cartas dele de Paris para Beja para a sua irmã, na altura uma criança – cartas essas que num Natal fotocopiou e deu em mão à minha tia. Sabemos também que o brevet de monomotores não lhe foi atribuido por ser considerado um elemento perigoso para a Pátria. E pronto! Não sabemos mais nada. A não ser que quando fala nisso fica perturbado, por isso não perguntamos muito nem muitas vezes.

Hoje encontrei este texto na internet. É o testemunho de uma senhora que também foi buscar à Torre do Tombo os seus processos da Pide. Transcrevo-o aqui porque suponho que o meu pai tenha sentido algo muito parecido com isto. Peço desculpa pelo facto de não mencionar o nome da autora. Tentarei fazê-lo logo que possível.

“A consulta dos processos individuais da PIDE/DGS na Torre do Tombo pode tornar-se numa verdadeira descida aos infernos ou, no melhor dos casos, numa aventura inquietante. Foi essa, pelo menos, a minha experiência pessoal. Quando, oito meses após o pedido formulado, tive finalmente autorização para consultar o meu processo da PIDE/DGS na Torre do Tombo, não tinha a mínima ideia do que iria encontrar, ou mesmo se iria encontrar algo que me dissesse respeito.
Sentei-me, pois, à espera do que viesse. A funcionária traz-me um processo, abro-o e o primeiro choque é deparar-me com uma fotografia minha ampliada, aos 15 anos e em que eu estou com um sorriso luminoso. A segunda surpresa foi constatar que estava a ser seguida pela PIDE desde os meus 12 anos, quando ainda não tinha qualquer actividade política, nem sequer ainda tinha integrado a Comissão Pró-Associação dos Liceus, o que só aconteceria dois ou tês anos mais tarde. No entanto, já lá estava a correspondência por mim trocada com jovens estrangeiros que conhecera no Parque de Campismo onde passava férias. As cartas, escritas em francês e em inglês, estão bem traduzidas para português, nomeadamente poemas de Aragon e Éluard, enviados pelos meus amigos…Discutiamos sobre a repressão e a falta de liberdade em Portugal; eu estava ainda à vontade para abordar estes temas porque não tinha actividades políticas. É na sequência destas cartas (percebo só então) que um pide vem a minha casa, informa-se junto dos vizinhos e interroga a minha mãe, que lhe diz «Não entendo as suas perguntas, a minha filha é uma criança». Nessa altura eu chego do Liceu, de bata, rabichos e soquettes. O pide fica confuso, não devia esperar encontrar uma miúda e vai-se embora, sem me interrogar, escrevendo um relatório ameno, que está no meu Processo: «É uma menina de boas famílias, vão à missa todos os Domingos; o pai parte àmanhã para o Ultramar…» Lembro-me vagamente deste homem, com aspecto gorduroso, a falar com a minha mãe, à porta de casa; desses meus amigos estrangeiros já nem me lembrava…
Mas fica a questão: como é possível perderem assim tempo a investigar, ler e traduzir cartas longas de uma garota de 12 anos, sem qualquer actividade política na altura? Pode haver como «explicação» o facto de o meu nome de família ser conhecido nos meios oposicionistas: o meu tio-avô, republicano histórico e o meu primo Rui Cabeçadas, então dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional, sediada em Argel. Mas não deixa de ser perturbante esta questão: que quantidade enorme de informadores não seriam precisos para que tal acontecesse?
Neste primeiro processo, para além da fotografia, destas cartas distantes, deste relatório quase anedótico, do meu número de inscrição no Cine Clube Universtário de Lisboa «organização subversiva dominada por comunistas», da prisão na Cantina Universitária em 1965, está a denúncia de pertencer ao PCP pelo controleiro do sector estudantil da altura, passado para a PIDE, e que provocou a prisão em massa de estudantes. Nada que me causasse grande abalo, a não ser a fotografia, que me irritou sobretudo pelo meu sorriso tão alegre, jovem e confiante nas mãos daqueles seres repugnantes. Se eu estivesse com um ar duro acho que não teria ficado tão zangada.
Julguei que era tudo, e quando fui entregar o processo perguntaram-me se não queria ver os outros. Disse que sim, e chegaram então mais três grossos volumes. Explicaram-me que outros três volumes estavam desaparecidos/não localizáveis, mas classificados. Estes que posso consultar são os volumes que correspondem aos anos do exílio, e que se estendem dos meus 17 aos meus 27 anos e é aqui que surgem as cartas aos/dos meus familiares, amigos, namorados. Constato então que ao longo de dez anos a minha vida íntima, assim como a dos meus familiares e amigos, foi devassada de forma totalmente despudorada. Há em muitas destas cartas comentários obscenos feitos à margem pelos pides (ex.«esta gaja é do tipo galdério», a propósito de uma certa rapariga), setas com os números dos processos na PIDE das pessoas referenciadas, algumas com múltiplas setas correspondentes a múltiplos processos, e as que não tinham processo aberto passavam a tê-lo pelo simples facto de serem nomeadas: «Abra-se processo» era a ordem expressa na seta correspondente, já com o novo número atribuído.
Algumas destas cartas são as originais, o que significa que nunca as recebi ou nunca foram recebidas pelos seus destinatários; outras eram fotocópias de cartas que seguiram o seu destino depois de lidas pelos pides ou que estarão incluídas noutros processos, outras cartas ainda estão escritas à máquina, o que me deixou intrigada: porquê perder tempo a escrever estas cartas à máquina, tão longas, com tantas páginas? Sairiam as fotocópias mais caras do que pagar a dactilógrafos/as que as decifrem? Mais uma vez se põe a questão inquietante da imensidade de colaboradores necessariamente envolvidos nestas actividades pidescas. É o caso da carta, que nunca recebi, de uma das minhas grandes amigas, em que que ela me fala apaixonadamente da sua descoberta do amor; é uma carta muito bela, intensa e luminosa, daquelas que só se escrevem quando se tem 18 anos…Os comentários abjectos dos pides causam-me náuseas. Faço uma fotocópia da carta e pergunto à minha amiga porque é que me tinha escrito à máquina. Ela ficou muito admirada: «nunca te escrevi nenhuma carta à máquina; de facto, estranhei nunca me teres respondido a esta carta, mas pensei que estavas ocupada com outras coisas, que tinhas mais em que pensar…» assim se criavam mal-entendidos, falhas de comunicação, quando não mesmo rupturas afectivas com consequências irreparáveis e dramáticas.
Eu estava preparada psicologicamente (penso) para ler dados relativos a denúncias, interrogatórios, etc. Mas não estava, de modo algum, preparada para esta devassa despudorada da minha intimidade e da dos meus familiares, amigos, namorados…Era uma época em que se escreviam longas cartas – é bom recordar que não havia telemóveis nem internet – telefonar e/ou viajar era caro e pouco acessível – a solidão do exílio exacerbava a necessidade de comunicação à distância com os amigos e a família. Evitávamos falar de política nas cartas, claro, pois sabíamos que a correspondência era vigiada, mas sobre os afecto e os sentimentos escrevíamos sem restrições, para não perdermos as raízes e não nos perdermos a nós próprios – era uma necessidade vital.
Ver assim expostos aos olhares dos pides os sonhos, amores, frustrações e angústias das pessoas que me eram mais queridas, algumas das quais já desaparecidas, causou-me um mal-estar profundo e uma indignação que ainda hoje sinto dificuldade em dominar. Senti-me roubada, violentada no que de mais íntimo e secreto havia em mim.
O que constava nos processos, para além das cartas pessoais, incomodou-me menos: relatórios de pides belgas, redigidos em francês, denunciando as actividades anti-fascistas de portugueses exilados na Bélgica, um relatório da Interpol…sugestivo da ligação (inquietante) entre as polícias internacionais e a PIDE; outras pequenas/grandes denúncias que não me surpreenderam verdadeiramente.
Ao entregar os processos à funcionária da Torre do Tombo perguntei-lhe porque tinha sido necessário esperar oito meses para os poder consultar. «Porque tivemos que fazer o expurgo», foi a resposta. «O que é isso?» perguntei. «É tapar os nomes dos informadores». «Mas com que objectivo?» indaguei, «Porque tem de ser» foi a resposta burocrática. Fiquei atónita e ainda mais revoltada. Porquê esta protecção aos denunciantes? Imagino que para «proteger» a podre paz social em que vivemos.
Quando, finalmente, saí para o ar livre, tinha a sensação de que se me colara à pele algo de viscoso e repugnante. Passei pela Biblioteca Nacional e vi que estava lá uma exposição sobre a vida do humanista Damião de Góis. Entrei e confrontei-me com o seu processo da inquisição e com os interrogatórios que lhe foram feitos: a linguagem dos inquisidores é semelhante à dos pides, as acusações são idênticas, o espírito é o mesmo. Constato a perturbante continuidade de uma História que, em Portugal, ao longo dos séculos, se foi fazendo recorrendo à tortura, à denúncia, à prisão arbitrária e à humilhação sistemática. Tento consolar-me com a convicção de que também se fez com a resistência daqueles que conseguiram, nestes períodos sombrios, ter a coragem de dizer não à violência e à barbárie”.

odores enebriantes

Dantes não tinha este problema, mas agora tenho: será que a minha casa cheira a xixi de gata?
É que convenhamos... A casa já cheirava a tabaco e sei que isso incomodava seres mais sensiveis, mas será que agora...?
Imagine-se convidar amigos para jantar. Entrarem e zás! A primeira coisa, o primeiro impacto...o cheiro a xixi de gata! Está tudo estragado!
Pensei nisto, pensei, pensei. Lavo e desinfecto e mudo o areão a toda a hora, porém...E se quero trazer alguém especial cá a casa? E se o meu quarto é invadido por cheiro de xixi de gata?
Bom! Comprei uns ambientadores. Daqueles gelatinosos. Espalhei um por cada divisão. Mas atão! Não consigo dormir a folga no sofá da sala por "mode" o cheiro da brisa do mar. Não consigo estar na cozinha por "mode" o cheiro a pinheiro verde e por aí adiante. Anda por aqui uma mistela que me dá dores de cabeça. Cheiros artificiais. Tipo DDT. Horríveis. E tanto que eu gosto da minha gatinha mijalosa!!
NOTA: Ninguém acusou ainda cheiro nenhum. Será da minha cabecinha?
É que às vezes...

sábado, 28 de agosto de 2010

corações de pedra que amolecem em agosto

sem querer ontem lembrei-me de ti. andava a limpar a caixa do gmail e encontrei um correio trocado entre nós em 2007. abri o documento anexo e sorri. achei graça a uma certa ingenuidade lá impressa. na conclusão escrevias como se do mundo das mulheres se tratasse. ou de outra coisa igualmente bela e nós sabemos, o trabalho discorria acerca de uma rocha. tem a sua graça...convenhamos.
depois...sabes como dizem que são as cerejas, as conversas, os copos de vinho tinto e os pensamentos?... sucedem-se uns nos outros imparáveis sem que tenhamos mão neles. e lembrei-me de como em 2007, há três anos atrás, éramos - em alusão ao teu tabalho - ainda rochas por lapidar.
cresceste tanto! cresci tanto! crescemos tanto! não foi?
não somos os mesmos de outrora.
comigo aqueles revezes na vida. em 2007. no verão quente. agosto. tudo junto. ao mesmo tempo. o desemprego, as partidas, as tuas hesitações.
contigo também. em 2007. no verão quente. agosto. a calma que se impunha num aspecto. a urgência que ditavam os outros: agir. depois do luto agir: o teu carro, a tua casa, o teu curso, a tua militância, o teu futuro, o futuro da tua filha.
ainda assim um ano inteiro a tentar conciliar as prioridades de um com as de outro e a distância interposta no caminho.
eu a querer-te a tempo inteiro, tu a quereres-me a tempo parcial. (e agora até já me elogiam a serenidade!).
um agosto depois fins formais e não reais. fins fingidos por mim. fins ditados por mim. e desditados. e reincidências. e quebras. e insistências. até, pelo menos, ao dia da liberdade. nossa e de todos. um dia bonito para se começar coisas e não para findá-las. o dia em que começámos o adeus para sempre.
agora o importane é que já nada disso importa e que está porventura no esquecimento dos dois e sei, retiro, guardo, reclamo para mim que te vi crescer e que me vi crescer: emocionalmente, afectivamente. e muito.
e posso concluir como tu, em 2007, há três anos atrás, no trabalho de geologia "Esta relação serviu, essencialmente, para aprofundarmos os nossos conhecimentos e obtermos uma visão mais alargada sobre este mundo dos afectos e das emoções, que cada vez mais, se mostra de um interesse acutilante."

(engraçado isto!)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Hoje

Depois de tantos anos a caminho dos supermercados e de tanto os arrematar, hoje decidi registar-me on-line no Jumbo. Recebi de imediato um mail muito simpático e comecei a encher o meu carrinho virtual. Divididos por secções, os produtos apresentam os preços do lado direito do écrã e aí vai surgindo também a soma das compras. A seguir escolhemos a forma de pagamento e a hora de entrega em casinha. Tudo sem padecer e apenas por seis euros o serviço. Em bom!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

escuta

escuta... aí onde tu estás não há nada. está-se mesmo a ver nem um supermercado tão pouco. por isso, escuta tenho que te dizer (os blogues não servem para mandar recados, mas vá é só desta...). ai onde tu estás por acaso há ligação à internet, mas não aquilo que eu vi ontem, e anteontem, e por aí atrás adiante. é só para ficares a saber que dou vivas ao comunismo que vive numa economia de mercado e que tu quando chegares também vais dar. entendes?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A fêmea que há em mim está escondida noutro blogue bem mais erótico, provocante, provocador, sensual e até pornográfico, entretanto ficaram com este

...meu lado mais irreverente, politizado, contestatário, lutador, persistente e insistente e até mesmo naiff há já dois anos. Txiii!!!
Pois! É que o meu blogue completa 2 anos de existência.
E sabem? Eu gosto do meu blogue.
Entretenho-me com ele.
Sei que algumas pessoas também se entretém com o Eufêmea.
Às vezes escrevo nele coisas engraçadas, outras vezes coisas triviais, outras ainda não escrevo nada. E outras vezes escrevo coisas sérias. Mesmo sérias.
Dessas partes a maioria não gosta. Eu sei, mas não me importo.
Como, por exemplo, quando escrevi que o anterior executivo de Beja tinha que mudar e quando acrescentei que estava contente com a mudança. E expectante.
Ou quando apregou bons princípios éticos e deontológicos no jornalismo, disciplina da minha paixão.
Ai as pessoas (algumas pessoas) zangam-se. E atacam-me. E agridem. E querem descobrir podres e mandar em cara. Estrategiazinhas de quem não tem argumentos.
Não é muitas vezes, mas algumas vezes. Ainda bem.
O meu blogue é cada vez mais meu e cada vez menos da cidade. Como eu, aliás.
Vamos ver para onde caminhamos. Ambos os dois como diria o outro.
Durante algum tempo escondi a minha identidade. (e já expliquei em parte lá no título). Agora já não. Houve quem pesquisasse para chegar até mim. Houve quem tivesse conseguido, houve quem se tivesse bufado e há - e muito bem - quem não queira saber disso para nada.
Eu também não quero! Quem sou eu que há dois anos escrevo para vocês?
Perguntar isso é tão rídiculo como querer saber quem sois vós.
E eu não quero!
Margarida

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você.Eu amo você.Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você.

Telefonar e dizer: Eu amo você.
Enviar um sms e escrever: Eu amo você.
Sentar-me no café e virar-me para o garçon: Eu amo você.
Chegar ao escritório, sorrir para o chefe e acrescentar: Eu amo você.
Encontrar a vizinha do lado e sussurrar-lhe ao ouvido: Eu amo você.
Apertar a minha Bia e soletrar-lhe: Eu a-mo vo-cê.
Expedir um e-mail carregado de: Eu amo você.
Chatearem-se comigo numa fila e eu rematar: Eu amo você.
Ir às finanças pagar uma multa e agradecer com: Eu amo você.

É que sabe? Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

o 5.º poder

Um telefonemazinho para a secretária que dá um toquezinho ao doutor que arranja um espaçinho para a radiografia;
Um cafezinho com um amigo do amigo que trabalha no hospital e arranja uma vaga especial;
Um contacto com um conhecido que diz se ele estava no café ou não, se bebeu vinho tinto ou cerveja;
Uma volta de carro pela zona com uma amiga que conhece outra que conhece aquela e sabe ver se ela tem o carro à porta de casa ou se anda dando ao escalho;
Um recado da Cristina, que manda falar com a Maria, que encaminha pró Caixote, que diz à mulher para marcar atendimento com o Xico, blá, blá, blá...

Tudo por fora do sistema. Tudo por entre o meio, enrroscado, enrrolado, na pedincha, no faz favor, no obrigado. Em troca umas garrafas de vinho, uns bolinhos pelo Natal, outros pela Páscoa, umas florinhas. E a anuência de quem trabalha nos serviços? Que alimenta isso, que gosta disso, que sente ter poder por isso, que deixa passar à frente, que ignora as filas de espera, que favorece.

Em vez de irem em frente, directos ao assunto, através de-mail's, faxes...Não! Recadinhos, diz que mandei dizer que fulano me pediu para... aquela filha do não sei quantos e da dona não sei quê que trabalha ali que tem uma casa assim que pode um dia a gente precisar não se sabe.

Dizem que há três poderes. Outros mais ousados quatro: a comunicação social. E eu cinco. Pelo menos em Beja. O poder do enleizinho para conseguir qualquer coisa pró coisinho.

e a natureza das scrofas

Esta é a história de uma scrofa com várias tetas. Uma scrofa tetuda. Mamalhuda. Uma scrofa da fome que dá em fartura. Gorda que só visto. Banhuda. Banhenta. Uma scrofa a quem tudo chupam mas que também engorda à conta, embora sem fins lucrativos. Usurpadora. Chula. Vampirinha. Suga suga.

A scrofa em questão vive de dinheirinhos que lhe atiram em tranches e ela chaforda com o focinho no chão. Há muitas por aí. Necessárias, mas não forçosamente de engorda.

A scrofa cria postos de trabalho. Emprego. Dá, por isso, também de comer a muita gente o que nos dias que correm é bom, muito bom. Nem sempre com os direitos mais elementares garantidos, é certo, mas que importa isso hoje em dia?

A scrofa tem, portanto, filhinhos à mama. No entanto, é ela própria também uma garganeira, comilona para se encher até arrotar.

A scrofa tem um cartão da Repsol que dá para viagens e viagens e viagens e viagens. Outro da Brisa que dá para portagens e portagens e portagens. Tem outro que dá para almoços e almoços e almoços. E coincidência serve também para jantares e jantares e jantares. Ao mesmo tempo que para viagens ao estrangeiro, alojamento em hotéis, enfim.

A scrofa banhuda e bedunhenta dispensa o patrão de ter telemóvel e portátil e carro próprio e de pagar inspecções e revisões e manutenções. E às vezes empresta televisores e aquecedores e computadores e telemóveis aos parentes a quem paga avenças também.

A scrofa considera os subsídios de férias e de natal uma aberração e é mais papista que o Papa. Prefere pagar as contas a outrém antes mesmo de pagar aos filhinhos. Assim sendo, é uma mãe desnaturada.

Se esta scrofa fosse uma empresa privada eu não me admirava nada.

Mas não! Esta bacorita, marrã é uma associação...e quando me contaram isto eu só tive vontade de a mandar para a pocilga do homem gnomo!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Alentejo das minhas vacances

no princípio o almoço. ficou-me do início das férias um almoço no vegetariano com chá frio de gengibre e uma história de vida dura, sofrida, consistente e a expectativa de um outro com fotografias para trocarmos. às vezes escondemo-nos muito uns dos outros e nem sabemos porquê.
depois uma festa de aniversário divertida. de uns quantos anos já somados. um neto a cantar com microfone a letra mais querida do mundo, o outro a tocar os parabéns ao piano.
a seguir o impensável: ir à la campagne quando todos fogem de lá. dos quarenta graus. transformar a canícula em ares de SPA e aproveitar o que de melhor temos para dar uns aos outros: companhia, paz de espírito, jantares no quintal e mimos sob a forma de manicures, pedicures, depilações, limpezas de pele. aproveitar o fresco da noite e o deserto da cidade e beber uns cafézinhos com uma amiga, uns copos de tinto com outro e uns almoços a sós com outra. é verdade que às vezes o tempo faz com que nos escondamos muito uns dos outros sem sabermos nem porquê. quem me dera que ele fizesse deles seres mais capacitados para ouvir e escutar, mas ainda assim...
entretanto um projecto não realizado por receios de outros que temem por mim e anteciparam que eu pudesse vir a ter alguma "fraqueza". de espírito, alma, coração...entenda-se.
refúgio num pinhal. com a cama rente ao chão. a brisa fresca da noite. a piscina ao virar da esquina e a praia ao virar do alcatrão.
a minha Bia primeiro com o "tio" mais velho, depois com os "avós," chegou-me mais selvagem de habituada que estava já aos quintais, mais desconfiada. não relaxa, não se vira toda quando a afago, não ronrona, está entroncada e grande, mas sei que com umas dosezinhas de meiguice volta a ser como dantes. é só uma questão de tempo.
ficam guardados os pormenores. os segredos. os planos pendentes para as próximas.
FÉRIAS, claro está!