homens e mulheres a vindimar?
homens e mulheres a enfrentar forças policiais em marcha lenta?
homens e mulheres?
homens?
mulheres?
sombras?
Porque preconizo a equiparação dos direitos civis e politicos das mulheres aos dos homens, EUFÊMEA pode ser um blog feminista. Porque sou admiradora confessa de Catarina Eufémia, EUFÊMEA pode ser considerado um blog reivindicativo, contestatário, lutador. Porque - ainda por cima - sou alentejana e baleizoeira, EUFÊMEA é também um blog isento de eufemismos.

De madeira feitas, chão de terra batida, telhado de zinco: autênticas barracas. Era nelas que viviam. Foi nelas que viveram durante várias gerações.
Depois, filhos mais abonados foram erguendo em altura muros de pedra e azulejo, portas de alumínio e marquises, alpendres e quintais, casas de banho.
A autarquia e a junta de freguesia foram investindo no saneamento básico: água, electricidade, esgotos. As casas foram-se valorizando. Não para o mercado imobiliário, mas para quem nelas morava. E a própria vida dessas pessoas também. A pouco e pouco surgiram os arruamentos, depois os sinais de trânsito, a seguir mas muito, muito tarde os baldes do lixo. E ao mesmo tempo um sem número de infra-estruturas. Um centro de dia que presta apoio domiciliário e serviços de lavandaria. Uma creche, um jardim-de-infância e uma escola primária. A qualidade de vida aparentemente melhorou.
Mas será que foi mesmo assim? Será que as pessoas não prefeririam ter os seus filhos numa escola na cidade? Será que não prefeririam tê-los longe da lixeira de Beja que lhes era despejada à porta? Será que não estariam melhor se estivessem num outro bairro também na cidade? Longe da venda da droga? Longe das armas? Longe do café de Beja que mais cerveja vende?
Aquelas pessoas têm que ser disseminadas. Têm que sair dali. Têm que poder estudar noutra escola que não a de santa maria que é em si mesmo um prolongamento do seu problema. Têm que ser construídas casas de habitação social para aqueles agregados familiares. E não vale a pena virem com projectos de sensibilização anti droga como este que agora se lança denominado “abre a pestana”. O que interessa àquela gente é poder ver-se livre do estigma, da hostilização, do ostracismo a que estão desde sempre votadas. Integrar é a palavra-chave. Por isso, senhores, arranjem soluções e IMPLODAM o tão ironicamente chamado BAIRRO DA ESPERANÇA.

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Tomei a liberdade de dirigir-lhe esta carta esperando que a mesma receba da sua parte a melhor das atenções. Sou uma jovem alentejana, natural de Beja, profissional ligada às artes, mas não artista e escrevo-lhe para lhe apresentar a minha indignação. Na qualidade de produtora de uma suposta associação de actividades culturais denominada drAMA, encontro-me actualmente a formular a candidatura aos apoios financeiros directos, do tipo anual, do Ministério da Cultura.
Com efeito, é preciso preencher os respectivos formulários neles devendo constar dados como: a identificação completa da entidade que se candidata, a sua natureza juridica, a sede e zona onde exerce maioritariamente a sua actividade, um breve historial da entidade, notas biográficas acerca dos responsáveis pela direcção artística e pela gestão administrativa e financeira. Note-se que até aqui estão, para já, envolvidas, pelo menos, três pessoas.
De seguida, nos ditos formulários deve a associação dar conta do seu Plano de Actividades sendo que a drAMA associação se assume como uma estrutura de criação na área do teatro, as propostas que fazemos para um ano de actividade cinjem-se a 4 estreias o que equivale a dizer que temos três meses de preparação e exibição para cada uma (12/4=3). Subjacente a cada trabalho/actividade/peça devem estar descritos os objectivos artísticos e profissionais, as linhas de orientação e estratégias de desenvolvimento, o que considero muito salutar, pelo que somos convidados a dar também conta dos mesmos nos respectivos formulários do Ministério da Cultura ou o mesmo será dizer da Direcção Geral das Artes. Mas não só!
Fazer uma candidatura aos apoios directos do Ministério da Cultura obriga ainda a que indiquemos quais as actividades a desenvolver em território nacional e no estrangeiro, que indiquemos como e por quem são constituídas as equipas artísticas e técnicas, que explanemos acerca do público-alvo que visamos atingir e das iniciativas de captação e sensibilização de públicos que iremos desenvolver. Há ainda que desenvolver um plano de comunicação gizado para atingir tais objectivos.
E, num outro formulário não menos importante, devemos fazer toda a previsão orçamental do ano indicando estimativas orçamentais, tais como: os encargos com pessoal, espaço, equipamentos, produção, gestão, comunicação e outros e ainda receitas estimadas, tais como: receitas próprias, leia-se bilheteira, acordos de co-produção, patrocínios, mecenato e outros apoios e financiamentos.
Dá trabalho, senhor Presidente. Também dá gozo, é verdade, mas dá trabalho preencher tanta papelada para no final concluirmos que (e é para estes dados numéricos que chamo a sua atenção) para concluirmos que o Ministério da Cultura(MC) atribui, em 2010, apenas e só 85 mil euros às estruturas de criação. Faça as contas senhor Presidente. O Alentejo tem o distrito de Portalegre (15 concelhos), de Évora (14 concelhos) e de Beja (14 concelhos). Temos 43 concelhos. Se cada um deles tivesse uma estrutura de criação (que bem pode ser o caso), teríamos um apoio na ordem dos 11% já que o MC apenas apoia 5 estruturas.
Estas tanto poderão ser da área das artes plásticas e fotografia, como de cruzamentos disciplinares, como de dança, música ou teatro. O que me leva a concluir que o teatro pode nem sequer ser contemplado no final da avaliação do MC.
Repare: o Alentejo é a única região cujos apoios têm 2 digitos (85 000), o Algarve (com apenas1 distrito/Faro) poderá ser apoiado com 108 000, o Centro com 375 000, Lisboa e Vale do Tejo com 485 000 e o Norte com 575 000.
Ora se fizermos as contas e dividirmos os 85 000 do Alentejo pelas cinco candidaturas a apoiar facilmente concluímos que a cada uma respeitára apenas 17 000 euros. Falemos de moeda antiga para isto soar mais real: 17 000 euros são, nada mais, nada menos, que 3400 contos.
Ora bem! Uma estrutura como a drAMA tem um director artístico que é ao mesmo tempo responsável financeiro, encenador e actor, uma produtora que é ao mesmo tempo cenógrafa e figurinista, duas actrizes, um técnico de som e um técnico de luz. Contabilizámos 6 pessoas. Se cada um ganhar 1000 euros, à excepção dos técnicos que são contratados à hora, tínhamos ao final do ano 48 000 euros. Isto, está claro, a recibos verdes. Sem segurança social, sem irs, sem subsídio de alimentação, sem seguro de saúde.
Depois há muitas mais contas a fazer (deslocações, cenários, adereços, consumiveis, cartazes, etecetera, etecetera), mas pensemos apenas na renda. Alugamos um espaço por 500 euros mensais o que perfaz, no final de cada ano, a módica quantia de 6 000 euros.
Ora veja só a importância que a Autarquia que dirige assume neste panorama. A sua e as restantes do distrito. Se não for o poder autárquico a apoiar as estruturas de criação, nomeadamente através de subsídios e da cedência de espaços como poderemso subsistir? Com mecenato? De quem? Do LACameirinha? Da EDAB? Da EDIA? As grandes empresas do concelho? Com a bilheteira dos espectáculos? Com a itinerância?
O MC não cumpre a sua tarefa de descentralização da oferta cultural. O MC não cumpre com a sua função de corrector de assimetrias regionais. O MC não concorre para a consolidação das entidades e actividades de criação.
Estruturas como drAMA criam postos de trabalho, oferecem serviços educativos, promovem estratégias de sensibilização de públicos, são instrumentos de desenvolvimento económico e de qualificação e, ainda, de inclusão e coesão sociais.
Por tudo o acima exposto, senhor Presidente vou colocar-me ao lado dos protestos que terão lugar no próximo dia 27, em Moura, e que reunem 3 estruturas da região: os grupos de teatro "3 em Pipa", de Odemira; "Teatro Fórum", de Moura e "Lêndias d' Encantar", de Beja".
Contamos com o seu apoio para a prossecução dos nossos objectivos, a bem da cidade de Beja, do concelho e da região.
Assinado,
drAMA (real)
