sexta-feira, 24 de setembro de 2010

OBRIGADA

Fizemos um jantar bonito de sushi para a família e alguns amigos e eu recebi muitas prendas. É pena que alguns dos convidados não tenham aparecido. Senti pouco entusiasmo e alguma preguiça pelo que a sentença ficou lida "não os convidarei jamais para padrinhos ou madrinhas dos meus filhos".
Então foi assim.......
Antecipadamente uma máquina de costura para dar corpo ao meu mais recente projecto "QUEM ME DERA AMÁ-LA" (pronto já revelei);
Ferramentas de corte e costura por via do mesmo projecto;
Uma máquina Nespresso para me deliciar com cafés Roma e descafeinados;
1 kit de "A vida é bela" com alojamento para refúgios a 2 à escolha entre 225 lugares de turismo rual portugueses;
5 blusas giras;
2 vestidos igualmente giros e obscenamente curtos;
1 par de calças generosamente justas;
1 pullower para fzer toillette;
1 lenço vaporoso a condizer;
1 mala tailândesa;
2 livros do Pantagruel;
1 livro com o resultado de um estudo elaborado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), intitulado "A imprensa local e regional em Portugal";
1 livro chamado "Projecto Felicidade ou porque passei um ano a tentar cantar de manhã, a limpar os armários, a escrever um blogue, a ler os mestres e, em geral, a divertir-me mais";
1 cd do Vinicius de Moraes e Maria Creuza;
1 vela Portus Cale;
1 postal especial;
1 livro especial.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

geração rasca e à rasca

1.º a CONSTATAÇÃO: a maioria das pessoas que conheço que têm entre 35 e 40 anos de idade considera-se parte de uma geração bem sucedida e vive melhor do que os seus próprios pais e avós.

EU NÃO!

O 25 de Abril que apanhou a geração dos nossos pais a meio da vida trouxe efectivamente grandes melhorias para eles, mas sobretudo para nós! No entanto, tenho a sensação que de há cerca e 10 anos a esta parte - na altura em que nos preparávamos para dar o salto - outra revolução sucedeu fazendo tudo andar para trás silenciosamente.

Muitos dos que conheço entre os 35 e os 40 anos de idade foram, no seio das famílias, os primeiros a adquirir formação superior. No caso da minha já os meus avós a possuíam e os meus pais também. Até hoje estou para saber de que me serviu tanto background.
Posto isto, eles possuíam empregos que lhes garantiam segurança e direitos elementares.
EU NÃO!
Hoje ao fazer 35 anos percebo que pertenço a uma geração rasca e à rasca e que nisto como em tudo salvam-se as raras excepções.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

a minha casa nova

Há um ano atrás, neste dia 22 (ou melhor, corrigo), nesta noite de 22 mudei-me para a minha casa nova, dormi num colchão no chão rodeada de caixas e caixinhas e à meia-noite comecei a receber sms de parabéns!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Petições para que vos quero?

Nos últimos tempos chegam-me ao e-mail um sem número de petições provenientes dos mais variados endereços. Leio-as com atenção (a mais recente por acaso não) e subscrevo-as quando com elas concordo.
Abolição das touradas na programação da RTP; contra a pobreza e pelo ODM; plataforma geral de cultura e fim da atribuição, antes dos 65 anos, das pensões de reforma aos detentores de cargos públicos e políticos, bem como da sua acumulação - são apenas alguns exemplos das mais recentes.
A questão que coloco é a da não identificação dos impulsionadores destas subscrições. É fundamental que possamos conhecer que dá azo a. Um partido político, uma associação, o grupo da paróquia, a quercus...quem?
Depois, é preciso saber se as mesmas chegam à Assembleia da República? Qual o impacto que têm? Quem as lê? Quem as transforma em proposta de lei? Qual é o retorno desta participação civica ao que parece inconsequente?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

DIÁRIO DO ALENTEJO

Primeiro cometeram aquela gaffe enorme de convidar para elementos do júri trabalhadores do próprio jornal, sendo que tinham contudo um bom critério de admissão para o cargo de direcção: o de se possuir licenciatura em ciências da comunicação/jornalismo.
Depois, vendo a asneira que haviam feito anularam o processo e- em vez de mudarem apenas os elementos do júri (pois era aí que residia a perversão) - mudaram também os critérios e passou a ser essencial ter carteira de jornalista.
Ora, como é sobejamente sabido para se ter carteira basta trabalhar um ou dois anos no ramo que a mesma é atribuída.
Conclusão:Os órgãos de comunicação de Beja relegaram mais uma vez para segundo plano a imprtante questão da formação desvalorizando-a.
Um concurso desde a primeira hora feito à medida é o que é.

domingo, 19 de setembro de 2010

Animália


"Vimos por este meio felicitá-la e agradecer-lhe pela sua primeira visita ao nosso Hospital com a Bia. Sabendo os laços fortíssimos que ligam cada pessoa ao seu animal, é nossa intenção poder contribuir para que juntos possam viver momentos de alegria, companheirismo e cumplicidade durante muitos anos.

Para qualquer dúvida que tenha, não hesite em contactar-nos. Estaremos sempre ao seu dispor."

ASSINADO: Animália, Hospital Veterinário do Baixo Alentejo.


Trabalham bem ou não estes moços? Quem é que não gosta de ser tratado assim? Vou escrever-lhes um e-mail.

sábado, 18 de setembro de 2010

sinto-me em casa

costumava comprar a El Mueble. há um conjunto de revistas que gosto de comprar de vez em quando, assim como quem sai de casa para arejar. se bem que no final me arrependa sempre, pois tudo bate demasiado certo e eu em vez de me sentir bela como aquelas mulheres sinto-me um trapo porque percebo que me falta isto, aquilo e aqueloutro. por isso a leitura desta aqui descontrai-me, nela como na vida nada é perfeito, tudo é normal, tipo anúncio da Dove com mulheres de barriguinha e rabos proeminentes. assim é esta revista que nos apresenta casas com coisas espalhadas pelo chão, pelas estantes, pelas mesas. com vida. um folhear que me faz sentir NORMAL!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Biiices

hoje a minha Bia faz 5 meses.
quando veio cá para casa ainda não tinha 2. faltava pouco. e todos e todas me avisaram: "dá-lhe só ração", "dá-lhe só leite magro", "dá-lhe leite sem lactose", enfim.
sou bem mandada. assim fiz.
o meu pai até lhe tinha comprado umas latinhas que eu trouxe quando ela veio para cá, mas acabei por oferecê-las ao Sam para ele dar à Branca.
mas...agora decorridos estes 3 meses e depois de a ver entusiasmada a lamber o meu prato de empadão que deixei na cozinha... eis que resolvi comprar-lhe umas latinhas. tal e qual como quando começamos a dar sopinhas aos bébés. de frango, de atum. de salmão.
a Bia devorou-as. adoro-as. porém...ma aimable, affable, gentile, coquette, copine, jolie, aimable, gracieuse, charmante, belle, mignonne et paresseuse féline presenteou-me com belo peido malcheiroso. ma Bia c'est realmente un bijou!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Pantomineros

se eu disser à Renata que mora em Lisboa "amiga, tás por ai no fds? apetece-me ir ter contigo" e depois não fôr, não vem daí mal ao Mundo.
se Gilberto Madail disser "vamos ter o José Mourinho como treinador da selecção" e depois ele não vier, já a coisa se complica: gestão de expectativas, imagem internacional, instabilidade.
se José Sócrates disser "vamos de certeza para a frente com o TGV porque é em tempos de crise que se devem fazer os grandes investimentos" e passados uns meses recuar e disser que já não há TGV para ninguém, então senhores o que chamaremos a isto? falta de vergonha, desorientação, falta de honestidade, de seriedade, de palavra de honra.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ASTENIA

São 7 da tarde. O dia terminou no serviço, mas promete ainda ser longo.
E eu tenho uma astenia geral.
No corpo e na mente.
Na cabeça.
No cérebro.
E saio daqui e vou para uma reunião. Daquelas que nunca acabam antes da meia-noite.
Hãããããei!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

recicle: Deus Nosso Senhor agradece

lote 8 1.º frente; lote 8, 2.º esquerdo; lote 8, 3.º dto e assim sucessivamente.
meter os garrafões num saco, os pacotes de leite no outro, a garrafinha de cerveja no outro e assim sucessivamente.
gritar, injuriar, discutir, bater com as portas e assim sucessivamente.
descer as escadinhas, atravessar a estradinha e [quem me dera ter lido os Lusíadas todos e não ter esquecido aquelas onomatopeias] zás, tráz, catrapás, bum, pum, estilhaços, vidraços, cacaços a rebentar.
e assim sucessivamente.
como é bom ter uma vizinhança limpinha que faz reciclagem.
como é bom ter os vidrões na janela ao lado da mesa de cabeceira e acordar nas folgas do fim-de-semana.
zás, tráz, catarpás, bum, pum, estilhaços, vidraços, cacaços ... e assim sucessivamente.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010



Estão tão bem um para o outro...

domingo, 12 de setembro de 2010

Ala 22.1.B MULHERES
RELATÓRIO:
Funcionário 11. Encontrado material duvidoso junto da mesa de cabeceira da paciente da cama 5. Averiguar.


(ele) FÉZIO

revolucionariamente como o marxista
revisionista
camarada ilusionista
despiu-a
na dialéctica emergente
na estrutura
na orgânica
na relação
na cama
melhor dizendo no colchão
e
gemeu caprichosmante
veneno do seu ventre
militante assíduo da ortodoxia vigente
na cama outra vez
com-pa-ssa-da-mente
mente?
pau-la-ti-na-mente
mente?
crêem crer que é crente?
sim
na mulher ausente
hoje louca
encarcerada
demente.

CONSULTA N.º 8. DIÁRIA. ANÁLISE. Médico de serviços 16.

Quer decifrar as suas frases? De que falam?
(silêncio…olhar perdido na janela...mãos enrroladas uma na outra)
Do fazer amor do meu amor.
Você tem namorado?
Hoje não, mas depois tive. E antes.

RELATÓRIO: ALTA.

jubiÁbÁ

não lançava pedras. não tinha búzios. nem uma bola de cristal. tão pouco vestes compridas e coloridas e desvaidas. não sabia o que era o tarôt. não rezava, nem orava, nem pregava. acreditava na ciência. na prova. no 2+2 dá 4. não futuradivinahava. nem passadoquestionava. não podia jamais conhecer Blimunda, nem Pais de Santo nem temer a fogueira da inquisição. fora treinado, instruído, adestrado para duvidar. era um céptico. dizem ser "pessoa que seduz, cativa ou atrai pelos seus modos e beleza, um sedutor". não se mete em manigâncias. nem cenas escuras, obscuras.
mas quem?
o meu JUBIÁBÁ. há que tempos sabe-se lá!?

projectei-me nele com toda a força que tinha desconhecendo a sua opacidade e transparência e Jubiabá fez-me ver uma vida que era a minha, mas que eu ainda não tinha.

Jubiábá - feiticeiro


E se a minha irmã estivesse aqui diria "vá lá, ao menos serviu para alguma coisa".

sábado, 11 de setembro de 2010

meu jorge

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

já devia ser crescida há + tempo

Tornei-me activista da Amnistia Internacional. Por apenas seis euros por mês contribuirei para a defesa dos Direitos Humanos em Portugal e no resto do Mundo, juntando-me assim aos 12553 portugueses apoiantes desta causa.
E ainda posso participar em diversas iniciativas, campanhas, petições e outras actividades organizadas, além de que um dia tonar-me-ei voluntária e serei eu a angariar - com o meu poder de persuasão - outros apoiantes.
Para já vou destacar os postais que vêm na revista, colar-lhes um selo internacional e enviá-los para os respectivos endereços. Seguem em nome dos altos responsáveis pelos diferentes países que têm, por exemplo, prisioneiros políticos. Segundo conta a revista, quando começam a chegar aos milhares, os postais alertam as consciências, causam distúrbio e incitam à acção que outra coisa não é senão a libertação.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

a minha Bia...

...é tão querida, tão tontinha, tão safadinha.
Já gostava de se por aqui a meu lado a levar com o quentinho da ventoinha do computador e agora descobriu também o quentinho da box. Então, mete-se lá em cima, vira a cabeça para baixo e fica a espreitar os movimentos da televisão e a lançar-lhes a patinha. Hoje arranhou e despenteou o Gilberto Madail. Eh, eh.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Apetecem-me...

MAIS: preciso de coisas interessantes para LER.
please!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

com um vestinho de chita fico + bonita


Enquanto nos bairros do Porto se vivem os seus conflitos, Aurora, uma jovem que trabalha num atelier de costura vive uma história de amor. Aurora vai acabar por participar no popular Concurso do Vestido de Chita. Um dos primeiros e raros filmes portugueses feito em Cinemascope, "A Costureirinha da Sé" foi referenciado pelo "O Comércio do Porto", aquando da sua estreia,como uma história agradável, alegre, sentimental e romântica, pondo a nu as múltiplas variantes da alma popular, impetuosa e espontânea, aparentemente inamistosa, mas fundamentalmente amorável e sã”.

(sinopse do filme português A Costureirinha da Sé)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

work in progress




O projecto já tem nome, blogue (ainda em construção) e endereço de e-mail para as inúmeras encomendas que vamos receber. Já temos fotografias das "obras". Fiquem atentas, em breve daremos notícias.

domingo, 5 de setembro de 2010

Sábadábaduuuuu a passear o cú....
Dominguuuuuuuuuuuuu em transituuuuuuuuuuu
E segundáááááá em cásá
E terçá em casáááááááááá... porque é FERIADO cááááá´...

Ah, ah, ah!!!!

sábado, 4 de setembro de 2010

a costureirinha e as lembranças

Como estava na margem Sul não pude deixar de me lembrar de uma série de pessoas de Beja que - tinha a certeza - andavam pelo Seixal na Festa do Avante. Lembrei-me do Paulo Ribeiro que iria actuar no palco 25 de Abril e hesitei em ir lá ter. O meu dilema era: como saio de lá? A Ritinha ainda me enviou uma mensagem "Guida, estás no Avante? Estou em Grândola vou aí ter".

Porém, já decidira atravessar o Tejo. Comi uma sandes de ovo que é coisa que só encontro em Lisboa. Isso, pataniscas e alheiras. Tudo coisinhas que fazem bem, mas a que não resisto!

De seguida, fui deleitar-me com as retrosarias. O meu pai armado em GPS ligado à internet e ao telefone e a dizer-me "Há umas na Praça da Figueira, outras na Rua dos não sei quê (não me lembro!), e centenas na Rua da Conceição". Pois foi nesse sentido que me desloquei. Encontrei, de facto, adornos de rara beleza: fitas, bordões, galões, rendas, botões. Tudo lindo!

As lojas, edifícios também "mui" belos: antigas [Aí se eu pudesse era antiga! (suspiro)]. Antigas mas bem conservadas, com paredes inteiras de gavetinhas distribuídas por cores, paredes inteiras de caixinhas de botões, montras bem desenhadas, lettrrings de outros tempos.

O Pedro era o moço ideal para fotografar isto, logo ele que "gosta de jogar com a luz, a profundidade de campo", que tem um olhar tão sensível. E nisto passo pela Embaixada Lomográfica de Lisboa. Também não me contenho e envio-lhe uma mensagem "lembrei-me de nós pseudo-fotografos, blá, blá, blá". Um sms que deu azo a umas "trocas e baldrocas" engraçadas.

Na busca da matéria-prima fui à Rua do Ouro, à chamada Feira dos Tecidos comprar trapos a retalho e descansei no Chiado ainda sem saber para onde ir.

É impressionante a quantidade de gente de quem me lembro no decorrer de um dia: ou por uma imagem, ou por um som, ou por um cheiro, ou por uma rua, ou por uma súbita saudade. Naquele instante lembrei-me da minha tia.

Eu tenho muitas tias. Irmãs da minha mãe e uma irmã do meu pai, mas aquela é a minha Tia. Telefonei-lhe e disse-lhe "lembrei-me de ti. estou aqui em Lisboa".

Quarenta e cinco minutos depois estávamos juntas e depois de muitas peripécias que ainda tivemos tempo de fazer, contei-lhe do projecto de construção das malas e eis senão quando me oferece antecipadamente uma surpreendente prenda de aniversário: uma máquina de costura.

Agora resta-me acrescentar - porque dizem que isto está tudo ligado - que em Baleizão existia a crença profunda de que quando dois amantes se queriam encontrar se espalhava que o lobisomem andava por lá o mesmo sucedendo com uma costureirinha que se ouvia no barranco que separa a aldeia nova da aldeia velha. Nessa noite era certo e sabido que toda a gente se trancava em casa e não se via vivalma.

Portanto....se escutarem o meu matraquear....

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

MERDA!

Boa tarde!
Na sequência da sua inscrição no curso de Aperfeiçoamento em Edição e Produção de Jornais Diários, vimos confirmar a sua admissão.

Relembramos que o curso vai ter início na próxima segunda-feira, 6 de Setembro, no horário das 14 às 22 horas, terminando no dia 17 de Setembro de 2010.

Solicitamos confirmação da sua presença (para que, em caso de desistência, possamos atempadamente ocupar todas as vagas disponíveis).

Com os melhores cumprimentos,
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Cara Margarida,
Na sequência dos contactos anteriores, informamos que, lamentavelmente, devido à desistência de alguns inscritos, não é possível reunir o número de formandos necessário para os trabalhos do curso de "Aperfeiçoamento em Edição e Produção de Jornais Diários" decorrerem como previsto.

Assim, decidimos adiar este curso para o mês de Outubro, em data que confirmaremos logo que possível.

Lamentamos todos os inconvenientes deste adiamento e esperamos contar com a sua participação na próxima oportunidade.

P.S.: Agradecemos confirmação da recepção deste e-mail, por favor.
Com os melhores cumprimentos,

Fui seleccionada. Aí vou eu...

tu ru ru ru.
tu ru ru.

...No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Faro à Cruz Quebrada...

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão.... (faz de conta. é só para rimar)
(Fernando Pessoa/Zeca Afonso)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

materiais e matérias que fazem bem à alma



A culpa de eu me sentir hoje uma costureirinha é toda da minha irmã.
Qual Beatriz Costa "Óh chega, chega a minha agulha. Afasta, afasta o meu didal".

A minha mana aviou-se de feltros, fitas, cetins e outros adornos e, pelas noites frescas adentro, começou a construir malas. A minha mana tem jeito. Como diziam as mulheres lá na aldeia "tem jeito de mãos". Sai à sua mãe que fazia camisolas, saias e botinhas de lã, cortinados, toalhas de mesa de crochet e macramé. Nas férias, a cada noite que passava, fazia uma mala e clic com o telemóvel, enviava-me a foto para mim.

Contagiou-me. Acho que, em parte, era essa a intenção. A minha mana acha que estes trabalhos fazem bem à alma e ao espírito. Para terem bem uma noção, ela quase que me obrigou a dar um banho no mar gélido da praia de Odeceixe "para purificar a aura Priscilla". É assim uma moça esotérica, zen e ... vai dai...

...dediquei-me também aos trabalhos manuais. Sinto que a minha matéria-prima é o tecido. Ando enlevada nas retrosarias e é por isto tudo que me sinto hoje...assim...uma costureirinha.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

eu gostava

"O CENJOR está a organizar um curso inédito em Portugal sobre edição e produção de jornais diários, que decorrerá de 6 a 17 de Setembro, em Lisboa. É um curso intensivo, de 80 horas, que simula a prática redactorial da imprensa diária, possibilitando a aquisição de competências avançadas neste domínio.

O curso desenvolve-se num ambiente formativo que simula a organização produtiva duma Redacção de jornal diário de informação geral, em torno dos seguintes eixos programáticos: Organização da Redacção; Planeamento das edições; Execução dos serviços, redacção dos textos e sua edição; Preparação dos textos, fotografias e ilustrações para paginação.

Os formandos serão inseridos em grupos de trabalho redactorial, cumprindo oito horas diárias de prática jornalística, de segunda a sexta-feira, podendo escolher entre dois horários: das 9 às 17 horas e das 14 às 22 horas. A edição diária do jornal será coordenada por jornalistas formadores e a produção gráfica será assistida por técnicos de paginação.

A candidatura deverá ser feita através do preenchimento do formulário de pré-inscrição on-line, disponível no sítio do CENJOR (link: Candidaturas), seguido do envio de Curriculum Vitae, em resposta a este e-mail, uma vez que a selecção será feita com base na avaliação curricular dos candidatos.

Esperamos que esta informação seja do seu interesse e ficamos disponíveis para mais esclarecimentos, através dos contactos abaixo". (recebido por e-mail).


tenho um feeling que vou ser seleccionada e que vou daqui a caminho de Lisboa zunindo...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

sms:

"era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto".

domingo, 29 de agosto de 2010

processos dolorosos

Um dia o meu pai quis aceder aos seus processos da PIDE e dirigiu-se à Torre do Tombo em Lisboa. Esperou bastante até que estivessem disponíveis e quando lhes acedeu ficou por lá a lê-los sozinho emocionado.

Quis conservar o processo junto a si e percebeu que teria que fotocopiá-lo todo, sendo que isso lhe sairia caro. Contudo fê-lo.

Quando chegou a Beja com aquele calhamaço o meu pai explicou-nos onde tinha ido e pediu a cada um de nós que nunca lhe mexêssemos. Até hoje ninguém teve coragem para o fazer e nem sabemos sequer onde está.

O pouco que conhecemos da história do seu passado são pequenas coisas que nos vai revelando. Espantado conta-nos que os pides tinham conversas dele e dos amigos transcritas a partir das mesas da Bambina; que foram interceptadas cartas dele de Paris para Beja para a sua irmã, na altura uma criança – cartas essas que num Natal fotocopiou e deu em mão à minha tia. Sabemos também que o brevet de monomotores não lhe foi atribuido por ser considerado um elemento perigoso para a Pátria. E pronto! Não sabemos mais nada. A não ser que quando fala nisso fica perturbado, por isso não perguntamos muito nem muitas vezes.

Hoje encontrei este texto na internet. É o testemunho de uma senhora que também foi buscar à Torre do Tombo os seus processos da Pide. Transcrevo-o aqui porque suponho que o meu pai tenha sentido algo muito parecido com isto. Peço desculpa pelo facto de não mencionar o nome da autora. Tentarei fazê-lo logo que possível.

“A consulta dos processos individuais da PIDE/DGS na Torre do Tombo pode tornar-se numa verdadeira descida aos infernos ou, no melhor dos casos, numa aventura inquietante. Foi essa, pelo menos, a minha experiência pessoal. Quando, oito meses após o pedido formulado, tive finalmente autorização para consultar o meu processo da PIDE/DGS na Torre do Tombo, não tinha a mínima ideia do que iria encontrar, ou mesmo se iria encontrar algo que me dissesse respeito.
Sentei-me, pois, à espera do que viesse. A funcionária traz-me um processo, abro-o e o primeiro choque é deparar-me com uma fotografia minha ampliada, aos 15 anos e em que eu estou com um sorriso luminoso. A segunda surpresa foi constatar que estava a ser seguida pela PIDE desde os meus 12 anos, quando ainda não tinha qualquer actividade política, nem sequer ainda tinha integrado a Comissão Pró-Associação dos Liceus, o que só aconteceria dois ou tês anos mais tarde. No entanto, já lá estava a correspondência por mim trocada com jovens estrangeiros que conhecera no Parque de Campismo onde passava férias. As cartas, escritas em francês e em inglês, estão bem traduzidas para português, nomeadamente poemas de Aragon e Éluard, enviados pelos meus amigos…Discutiamos sobre a repressão e a falta de liberdade em Portugal; eu estava ainda à vontade para abordar estes temas porque não tinha actividades políticas. É na sequência destas cartas (percebo só então) que um pide vem a minha casa, informa-se junto dos vizinhos e interroga a minha mãe, que lhe diz «Não entendo as suas perguntas, a minha filha é uma criança». Nessa altura eu chego do Liceu, de bata, rabichos e soquettes. O pide fica confuso, não devia esperar encontrar uma miúda e vai-se embora, sem me interrogar, escrevendo um relatório ameno, que está no meu Processo: «É uma menina de boas famílias, vão à missa todos os Domingos; o pai parte àmanhã para o Ultramar…» Lembro-me vagamente deste homem, com aspecto gorduroso, a falar com a minha mãe, à porta de casa; desses meus amigos estrangeiros já nem me lembrava…
Mas fica a questão: como é possível perderem assim tempo a investigar, ler e traduzir cartas longas de uma garota de 12 anos, sem qualquer actividade política na altura? Pode haver como «explicação» o facto de o meu nome de família ser conhecido nos meios oposicionistas: o meu tio-avô, republicano histórico e o meu primo Rui Cabeçadas, então dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional, sediada em Argel. Mas não deixa de ser perturbante esta questão: que quantidade enorme de informadores não seriam precisos para que tal acontecesse?
Neste primeiro processo, para além da fotografia, destas cartas distantes, deste relatório quase anedótico, do meu número de inscrição no Cine Clube Universtário de Lisboa «organização subversiva dominada por comunistas», da prisão na Cantina Universitária em 1965, está a denúncia de pertencer ao PCP pelo controleiro do sector estudantil da altura, passado para a PIDE, e que provocou a prisão em massa de estudantes. Nada que me causasse grande abalo, a não ser a fotografia, que me irritou sobretudo pelo meu sorriso tão alegre, jovem e confiante nas mãos daqueles seres repugnantes. Se eu estivesse com um ar duro acho que não teria ficado tão zangada.
Julguei que era tudo, e quando fui entregar o processo perguntaram-me se não queria ver os outros. Disse que sim, e chegaram então mais três grossos volumes. Explicaram-me que outros três volumes estavam desaparecidos/não localizáveis, mas classificados. Estes que posso consultar são os volumes que correspondem aos anos do exílio, e que se estendem dos meus 17 aos meus 27 anos e é aqui que surgem as cartas aos/dos meus familiares, amigos, namorados. Constato então que ao longo de dez anos a minha vida íntima, assim como a dos meus familiares e amigos, foi devassada de forma totalmente despudorada. Há em muitas destas cartas comentários obscenos feitos à margem pelos pides (ex.«esta gaja é do tipo galdério», a propósito de uma certa rapariga), setas com os números dos processos na PIDE das pessoas referenciadas, algumas com múltiplas setas correspondentes a múltiplos processos, e as que não tinham processo aberto passavam a tê-lo pelo simples facto de serem nomeadas: «Abra-se processo» era a ordem expressa na seta correspondente, já com o novo número atribuído.
Algumas destas cartas são as originais, o que significa que nunca as recebi ou nunca foram recebidas pelos seus destinatários; outras eram fotocópias de cartas que seguiram o seu destino depois de lidas pelos pides ou que estarão incluídas noutros processos, outras cartas ainda estão escritas à máquina, o que me deixou intrigada: porquê perder tempo a escrever estas cartas à máquina, tão longas, com tantas páginas? Sairiam as fotocópias mais caras do que pagar a dactilógrafos/as que as decifrem? Mais uma vez se põe a questão inquietante da imensidade de colaboradores necessariamente envolvidos nestas actividades pidescas. É o caso da carta, que nunca recebi, de uma das minhas grandes amigas, em que que ela me fala apaixonadamente da sua descoberta do amor; é uma carta muito bela, intensa e luminosa, daquelas que só se escrevem quando se tem 18 anos…Os comentários abjectos dos pides causam-me náuseas. Faço uma fotocópia da carta e pergunto à minha amiga porque é que me tinha escrito à máquina. Ela ficou muito admirada: «nunca te escrevi nenhuma carta à máquina; de facto, estranhei nunca me teres respondido a esta carta, mas pensei que estavas ocupada com outras coisas, que tinhas mais em que pensar…» assim se criavam mal-entendidos, falhas de comunicação, quando não mesmo rupturas afectivas com consequências irreparáveis e dramáticas.
Eu estava preparada psicologicamente (penso) para ler dados relativos a denúncias, interrogatórios, etc. Mas não estava, de modo algum, preparada para esta devassa despudorada da minha intimidade e da dos meus familiares, amigos, namorados…Era uma época em que se escreviam longas cartas – é bom recordar que não havia telemóveis nem internet – telefonar e/ou viajar era caro e pouco acessível – a solidão do exílio exacerbava a necessidade de comunicação à distância com os amigos e a família. Evitávamos falar de política nas cartas, claro, pois sabíamos que a correspondência era vigiada, mas sobre os afecto e os sentimentos escrevíamos sem restrições, para não perdermos as raízes e não nos perdermos a nós próprios – era uma necessidade vital.
Ver assim expostos aos olhares dos pides os sonhos, amores, frustrações e angústias das pessoas que me eram mais queridas, algumas das quais já desaparecidas, causou-me um mal-estar profundo e uma indignação que ainda hoje sinto dificuldade em dominar. Senti-me roubada, violentada no que de mais íntimo e secreto havia em mim.
O que constava nos processos, para além das cartas pessoais, incomodou-me menos: relatórios de pides belgas, redigidos em francês, denunciando as actividades anti-fascistas de portugueses exilados na Bélgica, um relatório da Interpol…sugestivo da ligação (inquietante) entre as polícias internacionais e a PIDE; outras pequenas/grandes denúncias que não me surpreenderam verdadeiramente.
Ao entregar os processos à funcionária da Torre do Tombo perguntei-lhe porque tinha sido necessário esperar oito meses para os poder consultar. «Porque tivemos que fazer o expurgo», foi a resposta. «O que é isso?» perguntei. «É tapar os nomes dos informadores». «Mas com que objectivo?» indaguei, «Porque tem de ser» foi a resposta burocrática. Fiquei atónita e ainda mais revoltada. Porquê esta protecção aos denunciantes? Imagino que para «proteger» a podre paz social em que vivemos.
Quando, finalmente, saí para o ar livre, tinha a sensação de que se me colara à pele algo de viscoso e repugnante. Passei pela Biblioteca Nacional e vi que estava lá uma exposição sobre a vida do humanista Damião de Góis. Entrei e confrontei-me com o seu processo da inquisição e com os interrogatórios que lhe foram feitos: a linguagem dos inquisidores é semelhante à dos pides, as acusações são idênticas, o espírito é o mesmo. Constato a perturbante continuidade de uma História que, em Portugal, ao longo dos séculos, se foi fazendo recorrendo à tortura, à denúncia, à prisão arbitrária e à humilhação sistemática. Tento consolar-me com a convicção de que também se fez com a resistência daqueles que conseguiram, nestes períodos sombrios, ter a coragem de dizer não à violência e à barbárie”.

odores enebriantes

Dantes não tinha este problema, mas agora tenho: será que a minha casa cheira a xixi de gata?
É que convenhamos... A casa já cheirava a tabaco e sei que isso incomodava seres mais sensiveis, mas será que agora...?
Imagine-se convidar amigos para jantar. Entrarem e zás! A primeira coisa, o primeiro impacto...o cheiro a xixi de gata! Está tudo estragado!
Pensei nisto, pensei, pensei. Lavo e desinfecto e mudo o areão a toda a hora, porém...E se quero trazer alguém especial cá a casa? E se o meu quarto é invadido por cheiro de xixi de gata?
Bom! Comprei uns ambientadores. Daqueles gelatinosos. Espalhei um por cada divisão. Mas atão! Não consigo dormir a folga no sofá da sala por "mode" o cheiro da brisa do mar. Não consigo estar na cozinha por "mode" o cheiro a pinheiro verde e por aí adiante. Anda por aqui uma mistela que me dá dores de cabeça. Cheiros artificiais. Tipo DDT. Horríveis. E tanto que eu gosto da minha gatinha mijalosa!!
NOTA: Ninguém acusou ainda cheiro nenhum. Será da minha cabecinha?
É que às vezes...

sábado, 28 de agosto de 2010

corações de pedra que amolecem em agosto

sem querer ontem lembrei-me de ti. andava a limpar a caixa do gmail e encontrei um correio trocado entre nós em 2007. abri o documento anexo e sorri. achei graça a uma certa ingenuidade lá impressa. na conclusão escrevias como se do mundo das mulheres se tratasse. ou de outra coisa igualmente bela e nós sabemos, o trabalho discorria acerca de uma rocha. tem a sua graça...convenhamos.
depois...sabes como dizem que são as cerejas, as conversas, os copos de vinho tinto e os pensamentos?... sucedem-se uns nos outros imparáveis sem que tenhamos mão neles. e lembrei-me de como em 2007, há três anos atrás, éramos - em alusão ao teu tabalho - ainda rochas por lapidar.
cresceste tanto! cresci tanto! crescemos tanto! não foi?
não somos os mesmos de outrora.
comigo aqueles revezes na vida. em 2007. no verão quente. agosto. tudo junto. ao mesmo tempo. o desemprego, as partidas, as tuas hesitações.
contigo também. em 2007. no verão quente. agosto. a calma que se impunha num aspecto. a urgência que ditavam os outros: agir. depois do luto agir: o teu carro, a tua casa, o teu curso, a tua militância, o teu futuro, o futuro da tua filha.
ainda assim um ano inteiro a tentar conciliar as prioridades de um com as de outro e a distância interposta no caminho.
eu a querer-te a tempo inteiro, tu a quereres-me a tempo parcial. (e agora até já me elogiam a serenidade!).
um agosto depois fins formais e não reais. fins fingidos por mim. fins ditados por mim. e desditados. e reincidências. e quebras. e insistências. até, pelo menos, ao dia da liberdade. nossa e de todos. um dia bonito para se começar coisas e não para findá-las. o dia em que começámos o adeus para sempre.
agora o importane é que já nada disso importa e que está porventura no esquecimento dos dois e sei, retiro, guardo, reclamo para mim que te vi crescer e que me vi crescer: emocionalmente, afectivamente. e muito.
e posso concluir como tu, em 2007, há três anos atrás, no trabalho de geologia "Esta relação serviu, essencialmente, para aprofundarmos os nossos conhecimentos e obtermos uma visão mais alargada sobre este mundo dos afectos e das emoções, que cada vez mais, se mostra de um interesse acutilante."

(engraçado isto!)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Hoje

Depois de tantos anos a caminho dos supermercados e de tanto os arrematar, hoje decidi registar-me on-line no Jumbo. Recebi de imediato um mail muito simpático e comecei a encher o meu carrinho virtual. Divididos por secções, os produtos apresentam os preços do lado direito do écrã e aí vai surgindo também a soma das compras. A seguir escolhemos a forma de pagamento e a hora de entrega em casinha. Tudo sem padecer e apenas por seis euros o serviço. Em bom!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

escuta

escuta... aí onde tu estás não há nada. está-se mesmo a ver nem um supermercado tão pouco. por isso, escuta tenho que te dizer (os blogues não servem para mandar recados, mas vá é só desta...). ai onde tu estás por acaso há ligação à internet, mas não aquilo que eu vi ontem, e anteontem, e por aí atrás adiante. é só para ficares a saber que dou vivas ao comunismo que vive numa economia de mercado e que tu quando chegares também vais dar. entendes?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A fêmea que há em mim está escondida noutro blogue bem mais erótico, provocante, provocador, sensual e até pornográfico, entretanto ficaram com este

...meu lado mais irreverente, politizado, contestatário, lutador, persistente e insistente e até mesmo naiff há já dois anos. Txiii!!!
Pois! É que o meu blogue completa 2 anos de existência.
E sabem? Eu gosto do meu blogue.
Entretenho-me com ele.
Sei que algumas pessoas também se entretém com o Eufêmea.
Às vezes escrevo nele coisas engraçadas, outras vezes coisas triviais, outras ainda não escrevo nada. E outras vezes escrevo coisas sérias. Mesmo sérias.
Dessas partes a maioria não gosta. Eu sei, mas não me importo.
Como, por exemplo, quando escrevi que o anterior executivo de Beja tinha que mudar e quando acrescentei que estava contente com a mudança. E expectante.
Ou quando apregou bons princípios éticos e deontológicos no jornalismo, disciplina da minha paixão.
Ai as pessoas (algumas pessoas) zangam-se. E atacam-me. E agridem. E querem descobrir podres e mandar em cara. Estrategiazinhas de quem não tem argumentos.
Não é muitas vezes, mas algumas vezes. Ainda bem.
O meu blogue é cada vez mais meu e cada vez menos da cidade. Como eu, aliás.
Vamos ver para onde caminhamos. Ambos os dois como diria o outro.
Durante algum tempo escondi a minha identidade. (e já expliquei em parte lá no título). Agora já não. Houve quem pesquisasse para chegar até mim. Houve quem tivesse conseguido, houve quem se tivesse bufado e há - e muito bem - quem não queira saber disso para nada.
Eu também não quero! Quem sou eu que há dois anos escrevo para vocês?
Perguntar isso é tão rídiculo como querer saber quem sois vós.
E eu não quero!
Margarida

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você.Eu amo você.Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você.

Telefonar e dizer: Eu amo você.
Enviar um sms e escrever: Eu amo você.
Sentar-me no café e virar-me para o garçon: Eu amo você.
Chegar ao escritório, sorrir para o chefe e acrescentar: Eu amo você.
Encontrar a vizinha do lado e sussurrar-lhe ao ouvido: Eu amo você.
Apertar a minha Bia e soletrar-lhe: Eu a-mo vo-cê.
Expedir um e-mail carregado de: Eu amo você.
Chatearem-se comigo numa fila e eu rematar: Eu amo você.
Ir às finanças pagar uma multa e agradecer com: Eu amo você.

É que sabe? Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

o 5.º poder

Um telefonemazinho para a secretária que dá um toquezinho ao doutor que arranja um espaçinho para a radiografia;
Um cafezinho com um amigo do amigo que trabalha no hospital e arranja uma vaga especial;
Um contacto com um conhecido que diz se ele estava no café ou não, se bebeu vinho tinto ou cerveja;
Uma volta de carro pela zona com uma amiga que conhece outra que conhece aquela e sabe ver se ela tem o carro à porta de casa ou se anda dando ao escalho;
Um recado da Cristina, que manda falar com a Maria, que encaminha pró Caixote, que diz à mulher para marcar atendimento com o Xico, blá, blá, blá...

Tudo por fora do sistema. Tudo por entre o meio, enrroscado, enrrolado, na pedincha, no faz favor, no obrigado. Em troca umas garrafas de vinho, uns bolinhos pelo Natal, outros pela Páscoa, umas florinhas. E a anuência de quem trabalha nos serviços? Que alimenta isso, que gosta disso, que sente ter poder por isso, que deixa passar à frente, que ignora as filas de espera, que favorece.

Em vez de irem em frente, directos ao assunto, através de-mail's, faxes...Não! Recadinhos, diz que mandei dizer que fulano me pediu para... aquela filha do não sei quantos e da dona não sei quê que trabalha ali que tem uma casa assim que pode um dia a gente precisar não se sabe.

Dizem que há três poderes. Outros mais ousados quatro: a comunicação social. E eu cinco. Pelo menos em Beja. O poder do enleizinho para conseguir qualquer coisa pró coisinho.

e a natureza das scrofas

Esta é a história de uma scrofa com várias tetas. Uma scrofa tetuda. Mamalhuda. Uma scrofa da fome que dá em fartura. Gorda que só visto. Banhuda. Banhenta. Uma scrofa a quem tudo chupam mas que também engorda à conta, embora sem fins lucrativos. Usurpadora. Chula. Vampirinha. Suga suga.

A scrofa em questão vive de dinheirinhos que lhe atiram em tranches e ela chaforda com o focinho no chão. Há muitas por aí. Necessárias, mas não forçosamente de engorda.

A scrofa cria postos de trabalho. Emprego. Dá, por isso, também de comer a muita gente o que nos dias que correm é bom, muito bom. Nem sempre com os direitos mais elementares garantidos, é certo, mas que importa isso hoje em dia?

A scrofa tem, portanto, filhinhos à mama. No entanto, é ela própria também uma garganeira, comilona para se encher até arrotar.

A scrofa tem um cartão da Repsol que dá para viagens e viagens e viagens e viagens. Outro da Brisa que dá para portagens e portagens e portagens. Tem outro que dá para almoços e almoços e almoços. E coincidência serve também para jantares e jantares e jantares. Ao mesmo tempo que para viagens ao estrangeiro, alojamento em hotéis, enfim.

A scrofa banhuda e bedunhenta dispensa o patrão de ter telemóvel e portátil e carro próprio e de pagar inspecções e revisões e manutenções. E às vezes empresta televisores e aquecedores e computadores e telemóveis aos parentes a quem paga avenças também.

A scrofa considera os subsídios de férias e de natal uma aberração e é mais papista que o Papa. Prefere pagar as contas a outrém antes mesmo de pagar aos filhinhos. Assim sendo, é uma mãe desnaturada.

Se esta scrofa fosse uma empresa privada eu não me admirava nada.

Mas não! Esta bacorita, marrã é uma associação...e quando me contaram isto eu só tive vontade de a mandar para a pocilga do homem gnomo!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Alentejo das minhas vacances

no princípio o almoço. ficou-me do início das férias um almoço no vegetariano com chá frio de gengibre e uma história de vida dura, sofrida, consistente e a expectativa de um outro com fotografias para trocarmos. às vezes escondemo-nos muito uns dos outros e nem sabemos porquê.
depois uma festa de aniversário divertida. de uns quantos anos já somados. um neto a cantar com microfone a letra mais querida do mundo, o outro a tocar os parabéns ao piano.
a seguir o impensável: ir à la campagne quando todos fogem de lá. dos quarenta graus. transformar a canícula em ares de SPA e aproveitar o que de melhor temos para dar uns aos outros: companhia, paz de espírito, jantares no quintal e mimos sob a forma de manicures, pedicures, depilações, limpezas de pele. aproveitar o fresco da noite e o deserto da cidade e beber uns cafézinhos com uma amiga, uns copos de tinto com outro e uns almoços a sós com outra. é verdade que às vezes o tempo faz com que nos escondamos muito uns dos outros sem sabermos nem porquê. quem me dera que ele fizesse deles seres mais capacitados para ouvir e escutar, mas ainda assim...
entretanto um projecto não realizado por receios de outros que temem por mim e anteciparam que eu pudesse vir a ter alguma "fraqueza". de espírito, alma, coração...entenda-se.
refúgio num pinhal. com a cama rente ao chão. a brisa fresca da noite. a piscina ao virar da esquina e a praia ao virar do alcatrão.
a minha Bia primeiro com o "tio" mais velho, depois com os "avós," chegou-me mais selvagem de habituada que estava já aos quintais, mais desconfiada. não relaxa, não se vira toda quando a afago, não ronrona, está entroncada e grande, mas sei que com umas dosezinhas de meiguice volta a ser como dantes. é só uma questão de tempo.
ficam guardados os pormenores. os segredos. os planos pendentes para as próximas.
FÉRIAS, claro está!

terça-feira, 27 de julho de 2010

AVISO à NAVEGAÇÃO: a partir de hoje, dia 27 de Julho, terça-feira, entrei de FÉRIAS (antecipando três dias este belo prazer!)

domingo, 25 de julho de 2010

Voz da Planície leva puxão de orelhas

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) está atenta e, como é sabido, em altura de eleições chovem acusações de um e do outro lados da barricada. Uma delas não se ficou apenas pelo "diz que disse". deu origem a uma queixa e a ERC faz agora uma reprimenda à Rádio Voz da Planície. Leia aqui.

sábado, 24 de julho de 2010

PARANÓIA

Fiquei de fazer uma lista das listas que tenho que fazer:
1) Lista das coisas que nunca lhe posso dizer a ela (mas que só de as escrever me sinto aliviada aaaaahhhh);
2) Lista dos méritos dos homens da minha vida (todos junto fariam um?);
3) Lista das coisas que não me posso esquecer de levar na mala das férias;
4) Lista das coisas que tenho que me esquecer durante as férias;
5) Lista das merdas que oiço todos os dias;
6) Lista das compras do supermercado;
7) Lista dos projectos em curso;
8) Lista da legislação que tenho que estudar (artigo 1, artigo 2, etecetera, etecetera);
9) Lista dos sítios para onde vou viajar;
10) Lista dos amigos que gostava de ter na festa de anos do meu 35.º aniversário;
11) Lista das queixas;
12) Lista dos seus traços mais bonitos de carácter;
13) Lista de lugares-comuns;
14) Lista de dias que tenho por gozar;
15) Lista das contas do mês que vêm;
16) Lista das pessoas que ainda quero entrevistar;
17) Lista das coisas que me proponho a fazer mas nunca faço (porque será?);
18) Lista das conversas que sei que ainda vou ter um dia;
19) Lista de projectos que quero levar a cabo;
20) Lista de frases bonitas de livros;
21) Lista de filmes que já vi;
22) Lista de livros que já li;
23) Lista para não me esquecer das listas.

nota: estou num workshop de dança (a produzir e a filmar, não a participar) e por sugestão da formadora os participantes foram para a rua recolher lista com pedaços de conversas que ouviram. Vamos ver o que sai dali. Estou expectante. A própria formadora fez um espectáculo só a partir de listas pessoais: intimas, privadas e públicas.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

porque...

porque ele é feito de excertos de livros, citações, dedicatórias, histórias de outrém contadas por outros, páginas dobradas, assinaladas, sublinhadas nos livros que trocámos e que nunca me devolveste, nos livros que te ofereci e me ofereceste, te me ofereceste.
porque ele é feito de confissões a medo, de transparências várias, de segredos e segredinhos, de mal-entendidos e porras, de algumas mentiras, de outros tantos (des)encontros, de alguns planos, almoços e jantares, de gestos simples, de preocupações partilhadas, de ameaças e de medos, de não ditos e interditos.
porque é o valor supremo da amizade que vêm ao de cima como o azeite na água, porque ainda assim guarda uma esperança de poder vir a ser outra coisa e isso está sempre lactente o que nos permite brincar e suspirar e transpirar e sonhar.
porque tenho medo de perder-te para outros ou para ninguém como naquela noite das mensagens, porque não sei porque insistes em mim, não percebo inglês, não vou a festivais, tenho sotaque alentejano, e sou feia, feiona qual Fiona, porque acreditas em tudo o que te digo mesmo quando te digo que não quero ser mãe.
porque vais de viagem para aqui, para ali e para acolá e, às vezes, me fazes relatórios tão bem escritinhos quase amorozinhos e me trazes prendas e me mandas encomendas.
porque o teu número de telefone era o 214181996 e eu o fixei porque foi em 96 que comecei a telefonar-te, porque tivemos aquela experiência cândida, pura, inocente em carnaxide e permanecíamos noites inteiras em silêncio e porque só vi a tua mãe uma vez e na penumbra e porque não sabia o que continha aquele quarto ao fundo à esquerda. por exemplo.
porque sim.
o nosso amor é do foro literário porque é ficção, coração.

nota: um dia ofereci-lhe um livro do António Lobo Antunes e escrevi-lhe assim "porque o nosso amor é do foro literário". agora parece que a namorada deu com ele e não gostou ou não percebeu e quis explicações. ele não soube justificar-se. é tonto, bastava inventar qualquer coisa. tipo: é literatura está nos livros, está impresso, está inscrito, não se pode apagar. simples não? qualquer uma entenderia. e pior, pior seria se eu escrevesse que o nosso amor é poesia. como é que ele se desenrascaria?

quarta-feira, 21 de julho de 2010

personagens

É o que eu digo! Às vezes há dias em que sou perseguida por personagens...

Imagine-se hoje andar cismada numa scrofa!? A magana não me sai da cabeça! É grande e mamalhuda. Puta da scrofa que com tantas tetas nunca vi.


(mais logo quando tiver tempinho já explico esta imagem persistente)

nota: a pedido de "várias famílias" não explanarei acerca deste assunto. Lamento.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

clássicos e intemporais

se a moda é blusas sem alças, elas têm;
se a moda é vestidos às flores, elas compram;
se a moda é soutiens com alças transparentes, elas usam;
se a moda é sandálias tipo ançaimes atadas ao pés, elas andam;
se a moda é usar gadilhos e penduricalhos, elas penduram;
se a moda é legins (não sei se é assim que se escreve), elas esperneiam mas vestem-nas;
se a moda é sapatos de inverno com as biqueiras abertas, elas usam mesmo que gelem o dedão;
se a moda é botas de biqueira, elas compram;
se a moda é padrões de tropa, elas vestem;
se a moda é calças à boca de sino, elas usam;
se a moda é cintura descaída, elas põem;
se a moda são folhos, elas envergam...se está na moda elas têm.

Gosto de andar na moda, mas não de ir atrás das modas. É descaracterizante, feio, foleiro, piroso, rídiculo. Uniformizador. Revela falta de gosto e de personalidade.
As minhas roupas duram vidas.

nota: vem isto a propósito de uma ida aos saldos durante a hora de almoço.

domingo, 18 de julho de 2010

pensamento de domingo

Fico contente quando vejo atrás de um balcão de Mc Donald's uma série de mocinhas com aparelhos nos dentes. Quem diz aí diz na Bersha, na Stradivarius, na Springfield, na Optimus, na Tmn, na Vodafone. É isso e borbulhas na cara dos moços.
Constatei isto hoje. E pensei: ninguém que trabalha ali ganha ordenado suficiente para pagar um aparelho, donde deduzi que se tratava de rapaziada na casa dos pais, estudantes a quererem ganhar uns trocos por meia dúzia de horas dobrando blusas, servindo hamburgeres, despejando lixo, fritando batatas, pregando mentiras ao telefone das grandes operadoras e registando euros nas caixas dos Belmiros e etecetera, etecetera, etecetera.
Preocupante é pensar e olhar e ver que às vezes - muitas vezes - nestes locais trabalham mulheres e homens de família feitos, com filhos a cargo, horas infinitas de pé a troco de salários miseráveis.
Por isso, por enquanto, quanto mais moças com aparelhos nos dentes e moços bexiguentos encontrar atrás desses balcões, melhor.

sábado, 17 de julho de 2010

"Ciência que estuda o homem, a sua origem e evolução, os seus caracteres físicos ou psíquicos, as suas tendências sociais, as suas relações com o meio ambiente e que se cupa igualmente das sociedades humanas e das práticas socialmente adquiridas e transmitidas".
"Pessoa que se dedica ao estudo de comunidades humanas, das suas práticas e formas de reprodução social".

e ela já tem...

... camélias à janela...

nota: bem se vê que ninguém leu Alexandre Dumas.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

e EsTe pArece o DIA mais
loooooooooooooooooooooooooooongo
do ano...
(parece)
e não vai acabar cedo. ai não vai não!!!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

txiiiiiiiiiiiiii!!!!











Sócrates queria um selo com a sua foto para deixar para a posteridade o seu mandato no Governo deste país que está de tanga. Os selos são criados, impressos e vendidos. O nosso PM fica radiante! Mas em poucos dias ele fica furioso ao ouvir reclamações de que o selo não adere aos envelopes.

O Primeiro-Ministro convoca os responsáveis e ordena que investiguem o assunto. Eles pesquisam as agências dos Correios de todo o País e relatam o problema.

O relatório diz:
"Não há nada de errado com a qualidade dos selos. O problema é que o povo está a cuspir no lado errado”.
Recebido por e-mail, um daqueles bem ao jeito do amigo Lança.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

"contos" (?) que só podiam ser urbanos e do século XXI

A mulher do alfa-pendular Faro Lisboa sentou-se na coxia que, por analogia com o teatro, é qualquer espaço situado fora de cena onde os actores aguardam a sua vez para entrar em palco. A mulher trazia pouca bagagem, apenas um saco de mão. Lá dentro adivinha-se um par de cuecas, um soutien e um vestido para mudar no dia seguinte. Sentada a mulher do alfa-pendular cruzou as mãos sobre a barriga avantajada que o vestido largo deixava torneada. Por ser pendular o alfa andava de um lado para o outro com movimentos rápidos como a água num copo que agitamos e como o efeito cinestésico que sentia no seu ventre. M ou Maria ou M de Mulher levava um leque que abanava para dentro do decote do vestido. Tinha calor. As pernas inchadas talvez derivassem disso mesmo, dai também talvez os sapatos rasos e já fora dos pés. Na outra mão a revista "Pais & Filhos" e curiosamente na mala um maço de cigarros Marlboro Lights. M fuma ainda assim? - perguntavam-se os espectadores. Mensagens no telemóvel, aquele apitar irritante desesistiu porque atenta mudou-o para o silêncio e de quando em vez, à medida que chegavam um e outro sms, um sorrisso esboçado nos lábios. M adormeceu de cansaço e não interessa contar aqui o meio da trama (que é o que fazem escritores maus como eu). M parou numa clínica de ginecologia. Esperei e vi-a sair pronta com os exames nas mãos. Os peitos crescidos, as dores mamárias, a barriga inchada e as pernas, a falta da menstruação há tanto tempo...nada daquilo era senão uma crença que a ciência tratou de demonstrar ser irreal. O feto que M carregava por afeição provinha-lhe de uma relação esporádica, fugaz e aluginogénica que teve lugar em data festiva e que havia tido - se formos a ver bem - já havia dois anos e uns quantos meses. M ou Maria ou M de Mulher tinha um quisto no ovário direito e uma gravidez psicológica que era preciso tratar.
prestes a dar o TILT



BOOOOooooommmm!!!!

terça-feira, 13 de julho de 2010

facebook

que se convide uma ou - vá - mesmo duas pessoas para serem nossas amigas entre aspas no facebook só porque temos os mail's delas registados no gmail...ainda que elas não sejam nossas amigas na realidade, ainda vá lá. é assim a modos que uma distracção. sim porque depois a gente vai ver a solicitação está pendente e percebemos. claro que não vão adicionar-nos se não são nossos amigos. claro.
ou ao contrário: claro que não vou adicionar alguém que não é meu amigo na vida real ou, pelo menos, muito, muito conhecido. por exemplo da escola primária ou do liceu de Beja ou da universidade ou do trabalho x ou do trabalho y ou do workshop disto ou do cursinho daquilo. isto percebe-se não é? não queremos ter duzentos e oitenta e oito amigos entre aspas no facebook, pois não? para quê, não é?
para quê ter a amélia muge, o paco bandeira, o vereador miguel dias, a ana sofia varela, mais este, mais aquele, mais o outro e a outra que nunca vi na vida? o coiso! o coisinho! o gavino paixão! o gavino paixão quer ser meu amigo entre aspas no facebook? está tudo louco?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

“...hay una ley no explicada, aunque cierta, según la cual todo lo que alguna vez ha existido lo ha hecho para de algún u otro modo volver a existir, repetirse, nada se da en solitario, todo ocurre por lo menos 2 veces, es la única manera de crear el ritmo, la onda periódica que da pie a una ley muy poderosa que es la ley del símil, de las semejanzas. Supongo por eso que todas las visiones del mundo que puedan concebir los seres humanos podrían agruparse en sólo 2 tipos, 1) aquella forma de pensar que considera que los hechos son únicos e irrepetibles, que son un punto aislado en el espacio y el tiempo, y 2) la que considera que son necesariamente repetibles, una sucesión de puntos en el tiempo...”
faltam 17 dias para as misteriosas FÉRIAS!

domingo, 11 de julho de 2010

ensaio aberto

foi no estúdio lá de cima. no último andar. parede ao fundo rasgada por janelas. estores abertos a deixar entrar aquela luz quase dura, mas já não. no estrado de madeira com linóleo, mas pouco. tudo havia sido preparado durante duas semanas. sem que soubessemos de nada. nem da música. nem se havia música. nem do número de elementos que participavam nem quais. nem que roupas usariam ou sequer se as usariam. é, aliás, sempre assim. o dia dos ensaios abertos é o dia em que somos surpreendidos, abrimos a boca ainda que em silêncio e dizemos AH! o ah! de espanto, o ah! de surpresa, o ah! de conforto, o ah! de alegria interior.
naquele dia, sexta feira, segui com o olhar durante todo o tempo os intérpretes. brincaram com o espaço labirintico. tiraram proveito dele. usaram as esquinas, as vigas, as paredes e só muito raramente o estrado de madeira com linóleo. às vezes na dança contemporânea os corpos são demasiado formatados, os gestos secos, os ritmos rápidos. ali senti duas pessoas soltas, em absoluta sintonia apesar (ou talvez por isso mesmo) de nunca se tocarem. quando o faziam o gesto de um tinha reprecursões autênticas e imediatas no corpo do outro. havia retorno. muito entrosamento. muita comunicação. nos olhares. os olhares seguiam-se e afastavam-se sincronizadamente. eram fortes, muito fortes, fortissimos. as pernas mexiam-se ora repentina ora delicadamente. os braços erguiam-se e baixavam-se ora deslizando, ora chamando, ora empurrando. o dom dos espectáculos e da boa cultura é o de nos fazer imaginar coisas, ler coisas, partir dali para outros mundos. acredito porque aconteceu comigo que muitas mulheres tenham viajado com aqueles homens para umas camas quaisquer. pela perfomance, pelos corpos, pelo suor, pelo ritmo.
nessa tarde como muitas vezes no meu dia-a-dia lembrei-me do Luís Cruz. ele dizia-me que eu devia era fazer produção. lembro-me por isso e por saber que aqueles bailarinos faziam ora um ora outro o pequeno-almoço para ambos todas as manhãs quando eu chegava ao escritório e levavam-no lá ao estúdio para o que ainda se estava a espreguiçar. e lembrei-me dele também porque pensei que quando as pessoas se amam isso nota-se em tudo. até na dança. mas claro! como não? o que é o amor senão uma dança?

sábado, 10 de julho de 2010

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Chega! Tem avondo com trabalho!

Ando angustiada. Chego a casa deito-me. Levanto-me tarde e a más horas. Não ligo a televisão. Não ligo o computador. Não ligo nada nem ligo a nada. Como. Deito-me outra vez. Falta-me energia. Força. Vitalidade. Agilidade. Não sei o que é isto!?
É cansaço.
Só pode ser cansaço.
De manhã custo depois a acordar. E a caminhar para o serviço. E acho as tardes demasiado longas e as noites demasiado curtas.
Queria ir para Cuba - Havana/Santiago/Trinidad. Depois quis ir para Itália - Florença/Roma/Veneza. A seguir avisaram-me "escuta, olha, não vamos pagar subsídio de férias".
MERDA! A margem que tinha para inventar foi-se.
Pus outras hipóteses menos ambiciosas: o parque de campismo de São Miguel. Gosto daquilo. Muito. Daquele fresco, daquela aragem, da impossibilidade de acordar tarde, da piscina, do frio da noite, do cheiro dos pinheiros, da comida e dos sumos naturais. Hei-de ir lá parar. É o mais certo, mas não para já. A logística é grande e não me apetece logística.
Ainda coloquei outra hipótese, se bem que confesso não a posso partilhar. Chamar-me-iam, no mínimo, louca.
Por isso, agora de repente depois de uma hora de almoço de reflexão peguei no telefone e reservei quarto single a partir do dia 31 de Julho, numa pensão, no Porto.
Desta vez, não perguntei aos amigos se queriam vir cá passar dias ou fins-de-semana.
E vou começar a contagem decrescente.
É só para avisar.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

a democracia é o pior de todos os sistemas à excepção de todos os outros

o país vai mal. mal, mal.
verifica-se um aumento dos preços dos bens.
e uma diminuição na prestação dos serviços.
ameaçam-nos com as privatizações.
o desemprego aumenta.
os trabalhadores sofrem bruscas ofensivas.
a precariedade grassa.
e a gente quer manifestar-se. manifestar-se contra.
dar voz à nossa indignação.
e juntar a nossa voz à voz dos outros para parecermos muitos.
marca-se uma jornada de luta. uma paralisação. uma concentração de descontentes em cada capital de distrito.
queremos ir. fazemos tudo por ir.
organizamos o dia para ir.
mas...
vamos pedir umas horas ao patrão para lutar contra o patronato?
o patrão não deixa. assusta-se.
ai ela é isso? - pergunta-se.
ai é? ah! mas está a contrato.
aí vai? ai então deixa estar que já lhe digo!
conclusão?
não fui.
tive medo? receio?
talvez.
acobardei-me.
e, afinal, é por isso que ninguém se manifesta?
que ninguém luta?
que todos ficam em casa?
se calhar sim.
sim. talvez. depende do que está em causa.
mas, então, não é a luta que nos distingue uns dos outros?
que faz a diferença?
é, mas vivemos num país onde impera - outra vez - qual Salazar: o MEDO!
uma ditadura disfarçada. assustadoramente disfarçada.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

cantiga de amigo

é bom, muito bom ter quem nos surpreenda!
cheguei já tarde a casa e na caixa do correio vi um envelope com etiqueta de correio azul.
um presente do Jorge.
não sei porque o fez. não interessa. apeteceu-lhe.
e eu agradeço-lhe muito só não sei como.
trouxe o computador para a cama e estou a ouvir o BFachada que me enviou.
e ele canta assim:
"a Lulu quer o que quer qualquer mulher que o amigo a abrace bem e que a faça rir também. A Lulu tem um medo mas guarda-se em segredo, o amigo vai esperar que ela queira pô-lo a par e se a conversa fica em perigo ele ri-se um pouco e triunfante diz-lhe "é bom ser teu amigo mas igualmente bom ser teu amante". A Lulu não traz más recordações e o amigo atrás diverte-a com canções, ela dá-lhe a mão e dá-lhe um pouco do coração, ele faz de tudo para compreender depois de tudo para lhe agradecer e se a conversa os põe em perigo ele ri-se muito e gaguejante diz-he "é bom ser teu amigo mas igualmente bom ser teu amante". Oiça.

terça-feira, 6 de julho de 2010

personagens que tropeçam em nós





é incrível! incrível!




...hoje não me sai da cabeça a personagem
"A ALCOVITEIRA" de Gil Vicente.
Porque será?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

diálogo*

personagem 1 - em tendes isso, ligas.
personagem 2 - tá beim! até logo!
(decorridos uns minutos)
personagem 2 - já tá fêto!
personagem 1 - mas fizestezio mesmo?
personagem 2 - tô-te dizendo.
personagem 1 - atão e encontramos-she aonde?
personagem 2 - nã sê. agora vou abalar de casa. vou à do Zéi.
personagem 1 - podemos-she ver ali no largo. vou à tua pergunta por ali.
personagem 2 - hádes-me encontrar, hádes. vou pra sombra. tem avondo com calor.
personagem 1 - atão em a gente vem-dem que passou a calma, encontramos-she ao sol posto.
personagem 2 - se me veres, chama que eu acudo.
personagem 1 - a gente vamos lá dar.


* só possível em Beja ainda que no século xxi

domingo, 4 de julho de 2010

sábado, 3 de julho de 2010

sexta-feira, 2 de julho de 2010

HOJE


quinta-feira, 1 de julho de 2010

inscrevi-me/

adoro a ideia/ só de pensar/ estou desejando/ tenho um fétiche por fotógrafos/ e este é do Expresso sem desprimor para os outros/ não/ não vou posar para ele/ vou jogá-lo ao chão como ele fez com esta moça/ e/ clic