Porque preconizo a equiparação dos direitos civis e politicos das mulheres aos dos homens, EUFÊMEA pode ser um blog feminista. Porque sou admiradora confessa de Catarina Eufémia, EUFÊMEA pode ser considerado um blog reivindicativo, contestatário, lutador. Porque - ainda por cima - sou alentejana e baleizoeira, EUFÊMEA é também um blog isento de eufemismos.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
OBRIGADA
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
geração rasca e à rasca
EU NÃO!
O 25 de Abril que apanhou a geração dos nossos pais a meio da vida trouxe efectivamente grandes melhorias para eles, mas sobretudo para nós! No entanto, tenho a sensação que de há cerca e 10 anos a esta parte - na altura em que nos preparávamos para dar o salto - outra revolução sucedeu fazendo tudo andar para trás silenciosamente.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
a minha casa nova
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Petições para que vos quero?
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
DIÁRIO DO ALENTEJO
domingo, 19 de setembro de 2010
Animália
sábado, 18 de setembro de 2010
sinto-me em casa
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Biiices
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Pantomineros
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
ASTENIA
E eu tenho uma astenia geral.
No corpo e na mente.
Na cabeça.
No cérebro.
E saio daqui e vou para uma reunião. Daquelas que nunca acabam antes da meia-noite.
Hãããããei!
terça-feira, 14 de setembro de 2010
recicle: Deus Nosso Senhor agradece
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
RELATÓRIO:
Funcionário 11. Encontrado material duvidoso junto da mesa de cabeceira da paciente da cama 5. Averiguar.
(ele) FÉZIO
revolucionariamente como o marxista
revisionista
camarada ilusionista
despiu-a
na dialéctica emergente
na estrutura
na orgânica
na relação
na cama
melhor dizendo no colchão
e
gemeu caprichosmante
veneno do seu ventre
militante assíduo da ortodoxia vigente
na cama outra vez
com-pa-ssa-da-mente
mente?
pau-la-ti-na-mente
mente?
crêem crer que é crente?
sim
na mulher ausente
hoje louca
encarcerada
demente.
CONSULTA N.º 8. DIÁRIA. ANÁLISE. Médico de serviços 16.
Quer decifrar as suas frases? De que falam?
(silêncio…olhar perdido na janela...mãos enrroladas uma na outra)
Do fazer amor do meu amor.
Você tem namorado?
Hoje não, mas depois tive. E antes.
RELATÓRIO: ALTA.
jubiÁbÁ
o meu JUBIÁBÁ. há que tempos sabe-se lá!?
projectei-me nele com toda a força que tinha desconhecendo a sua opacidade e transparência e Jubiabá fez-me ver uma vida que era a minha, mas que eu ainda não tinha.
E se a minha irmã estivesse aqui diria "vá lá, ao menos serviu para alguma coisa".
sábado, 11 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
já devia ser crescida há + tempo
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
a minha Bia...
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
com um vestinho de chita fico + bonita

(sinopse do filme português A Costureirinha da Sé)
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
domingo, 5 de setembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
a costureirinha e as lembranças
Porém, já decidira atravessar o Tejo. Comi uma sandes de ovo que é coisa que só encontro em Lisboa. Isso, pataniscas e alheiras. Tudo coisinhas que fazem bem, mas a que não resisto!
De seguida, fui deleitar-me com as retrosarias. O meu pai armado em GPS ligado à internet e ao telefone e a dizer-me "Há umas na Praça da Figueira, outras na Rua dos não sei quê (não me lembro!), e centenas na Rua da Conceição". Pois foi nesse sentido que me desloquei. Encontrei, de facto, adornos de rara beleza: fitas, bordões, galões, rendas, botões. Tudo lindo!
As lojas, edifícios também "mui" belos: antigas [Aí se eu pudesse era antiga! (suspiro)]. Antigas mas bem conservadas, com paredes inteiras de gavetinhas distribuídas por cores, paredes inteiras de caixinhas de botões, montras bem desenhadas, lettrrings de outros tempos.
O Pedro era o moço ideal para fotografar isto, logo ele que "gosta de jogar com a luz, a profundidade de campo", que tem um olhar tão sensível. E nisto passo pela Embaixada Lomográfica de Lisboa. Também não me contenho e envio-lhe uma mensagem "lembrei-me de nós pseudo-fotografos, blá, blá, blá". Um sms que deu azo a umas "trocas e baldrocas" engraçadas.
Na busca da matéria-prima fui à Rua do Ouro, à chamada Feira dos Tecidos comprar trapos a retalho e descansei no Chiado ainda sem saber para onde ir.
É impressionante a quantidade de gente de quem me lembro no decorrer de um dia: ou por uma imagem, ou por um som, ou por um cheiro, ou por uma rua, ou por uma súbita saudade. Naquele instante lembrei-me da minha tia.
Eu tenho muitas tias. Irmãs da minha mãe e uma irmã do meu pai, mas aquela é a minha Tia. Telefonei-lhe e disse-lhe "lembrei-me de ti. estou aqui em Lisboa".
Quarenta e cinco minutos depois estávamos juntas e depois de muitas peripécias que ainda tivemos tempo de fazer, contei-lhe do projecto de construção das malas e eis senão quando me oferece antecipadamente uma surpreendente prenda de aniversário: uma máquina de costura.
Agora resta-me acrescentar - porque dizem que isto está tudo ligado - que em Baleizão existia a crença profunda de que quando dois amantes se queriam encontrar se espalhava que o lobisomem andava por lá o mesmo sucedendo com uma costureirinha que se ouvia no barranco que separa a aldeia nova da aldeia velha. Nessa noite era certo e sabido que toda a gente se trancava em casa e não se via vivalma.
Portanto....se escutarem o meu matraquear....
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
MERDA!
Na sequência da sua inscrição no curso de Aperfeiçoamento em Edição e Produção de Jornais Diários, vimos confirmar a sua admissão.
Relembramos que o curso vai ter início na próxima segunda-feira, 6 de Setembro, no horário das 14 às 22 horas, terminando no dia 17 de Setembro de 2010.
Solicitamos confirmação da sua presença (para que, em caso de desistência, possamos atempadamente ocupar todas as vagas disponíveis).
Com os melhores cumprimentos,
Na sequência dos contactos anteriores, informamos que, lamentavelmente, devido à desistência de alguns inscritos, não é possível reunir o número de formandos necessário para os trabalhos do curso de "Aperfeiçoamento em Edição e Produção de Jornais Diários" decorrerem como previsto.
Assim, decidimos adiar este curso para o mês de Outubro, em data que confirmaremos logo que possível.
Lamentamos todos os inconvenientes deste adiamento e esperamos contar com a sua participação na próxima oportunidade.
P.S.: Agradecemos confirmação da recepção deste e-mail, por favor.
Com os melhores cumprimentos,
Fui seleccionada. Aí vou eu...
tu ru ru.
...No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Faro à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão.... (faz de conta. é só para rimar)
(Fernando Pessoa/Zeca Afonso)
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
materiais e matérias que fazem bem à alma
A culpa de eu me sentir hoje uma costureirinha é toda da minha irmã.
Qual Beatriz Costa "Óh chega, chega a minha agulha. Afasta, afasta o meu didal".
A minha mana aviou-se de feltros, fitas, cetins e outros adornos e, pelas noites frescas adentro, começou a construir malas. A minha mana tem jeito. Como diziam as mulheres lá na aldeia "tem jeito de mãos". Sai à sua mãe que fazia camisolas, saias e botinhas de lã, cortinados, toalhas de mesa de crochet e macramé. Nas férias, a cada noite que passava, fazia uma mala e clic com o telemóvel, enviava-me a foto para mim.
Contagiou-me. Acho que, em parte, era essa a intenção. A minha mana acha que estes trabalhos fazem bem à alma e ao espírito. Para terem bem uma noção, ela quase que me obrigou a dar um banho no mar gélido da praia de Odeceixe "para purificar a aura Priscilla". É assim uma moça esotérica, zen e ... vai dai...
...dediquei-me também aos trabalhos manuais. Sinto que a minha matéria-prima é o tecido. Ando enlevada nas retrosarias e é por isto tudo que me sinto hoje...assim...uma costureirinha.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
eu gostava
"O CENJOR está a organizar um curso inédito em Portugal sobre edição e produção de jornais diários, que decorrerá de
O curso desenvolve-se num ambiente formativo que simula a organização produtiva duma Redacção de jornal diário de informação geral, em torno dos seguintes eixos programáticos: Organização da Redacção; Planeamento das edições; Execução dos serviços, redacção dos textos e sua edição; Preparação dos textos, fotografias e ilustrações para paginação.
Os formandos serão inseridos em grupos de trabalho redactorial, cumprindo oito horas diárias de prática jornalística, de segunda a sexta-feira, podendo escolher entre dois horários: das 9 às 17 horas e das 14 às 22 horas. A edição diária do jornal será coordenada por jornalistas formadores e a produção gráfica será assistida por técnicos de paginação.
Esperamos que esta informação seja do seu interesse e ficamos disponíveis para mais esclarecimentos, através dos contactos abaixo". (recebido por e-mail).
tenho um feeling que vou ser seleccionada e que vou daqui a caminho de Lisboa zunindo...
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
processos dolorosos
Quis conservar o processo junto a si e percebeu que teria que fotocopiá-lo todo, sendo que isso lhe sairia caro. Contudo fê-lo.
Quando chegou a Beja com aquele calhamaço o meu pai explicou-nos onde tinha ido e pediu a cada um de nós que nunca lhe mexêssemos. Até hoje ninguém teve coragem para o fazer e nem sabemos sequer onde está.
O pouco que conhecemos da história do seu passado são pequenas coisas que nos vai revelando. Espantado conta-nos que os pides tinham conversas dele e dos amigos transcritas a partir das mesas da Bambina; que foram interceptadas cartas dele de Paris para Beja para a sua irmã, na altura uma criança – cartas essas que num Natal fotocopiou e deu em mão à minha tia. Sabemos também que o brevet de monomotores não lhe foi atribuido por ser considerado um elemento perigoso para a Pátria. E pronto! Não sabemos mais nada. A não ser que quando fala nisso fica perturbado, por isso não perguntamos muito nem muitas vezes.
Hoje encontrei este texto na internet. É o testemunho de uma senhora que também foi buscar à Torre do Tombo os seus processos da Pide. Transcrevo-o aqui porque suponho que o meu pai tenha sentido algo muito parecido com isto. Peço desculpa pelo facto de não mencionar o nome da autora. Tentarei fazê-lo logo que possível.
“A consulta dos processos individuais da PIDE/DGS na Torre do Tombo pode tornar-se numa verdadeira descida aos infernos ou, no melhor dos casos, numa aventura inquietante. Foi essa, pelo menos, a minha experiência pessoal. Quando, oito meses após o pedido formulado, tive finalmente autorização para consultar o meu processo da PIDE/DGS na Torre do Tombo, não tinha a mínima ideia do que iria encontrar, ou mesmo se iria encontrar algo que me dissesse respeito.
Sentei-me, pois, à espera do que viesse. A funcionária traz-me um processo, abro-o e o primeiro choque é deparar-me com uma fotografia minha ampliada, aos 15 anos e em que eu estou com um sorriso luminoso. A segunda surpresa foi constatar que estava a ser seguida pela PIDE desde os meus 12 anos, quando ainda não tinha qualquer actividade política, nem sequer ainda tinha integrado a Comissão Pró-Associação dos Liceus, o que só aconteceria dois ou tês anos mais tarde. No entanto, já lá estava a correspondência por mim trocada com jovens estrangeiros que conhecera no Parque de Campismo onde passava férias. As cartas, escritas em francês e em inglês, estão bem traduzidas para português, nomeadamente poemas de Aragon e Éluard, enviados pelos meus amigos…Discutiamos sobre a repressão e a falta de liberdade em Portugal; eu estava ainda à vontade para abordar estes temas porque não tinha actividades políticas. É na sequência destas cartas (percebo só então) que um pide vem a minha casa, informa-se junto dos vizinhos e interroga a minha mãe, que lhe diz «Não entendo as suas perguntas, a minha filha é uma criança». Nessa altura eu chego do Liceu, de bata, rabichos e soquettes. O pide fica confuso, não devia esperar encontrar uma miúda e vai-se embora, sem me interrogar, escrevendo um relatório ameno, que está no meu Processo: «É uma menina de boas famílias, vão à missa todos os Domingos; o pai parte àmanhã para o Ultramar…» Lembro-me vagamente deste homem, com aspecto gorduroso, a falar com a minha mãe, à porta de casa; desses meus amigos estrangeiros já nem me lembrava…
Mas fica a questão: como é possível perderem assim tempo a investigar, ler e traduzir cartas longas de uma garota de 12 anos, sem qualquer actividade política na altura? Pode haver como «explicação» o facto de o meu nome de família ser conhecido nos meios oposicionistas: o meu tio-avô, republicano histórico e o meu primo Rui Cabeçadas, então dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional, sediada em Argel. Mas não deixa de ser perturbante esta questão: que quantidade enorme de informadores não seriam precisos para que tal acontecesse?
Neste primeiro processo, para além da fotografia, destas cartas distantes, deste relatório quase anedótico, do meu número de inscrição no Cine Clube Universtário de Lisboa «organização subversiva dominada por comunistas», da prisão na Cantina Universitária em 1965, está a denúncia de pertencer ao PCP pelo controleiro do sector estudantil da altura, passado para a PIDE, e que provocou a prisão em massa de estudantes. Nada que me causasse grande abalo, a não ser a fotografia, que me irritou sobretudo pelo meu sorriso tão alegre, jovem e confiante nas mãos daqueles seres repugnantes. Se eu estivesse com um ar duro acho que não teria ficado tão zangada.
Julguei que era tudo, e quando fui entregar o processo perguntaram-me se não queria ver os outros. Disse que sim, e chegaram então mais três grossos volumes. Explicaram-me que outros três volumes estavam desaparecidos/não localizáveis, mas classificados. Estes que posso consultar são os volumes que correspondem aos anos do exílio, e que se estendem dos meus 17 aos meus 27 anos e é aqui que surgem as cartas aos/dos meus familiares, amigos, namorados. Constato então que ao longo de dez anos a minha vida íntima, assim como a dos meus familiares e amigos, foi devassada de forma totalmente despudorada. Há em muitas destas cartas comentários obscenos feitos à margem pelos pides (ex.«esta gaja é do tipo galdério», a propósito de uma certa rapariga), setas com os números dos processos na PIDE das pessoas referenciadas, algumas com múltiplas setas correspondentes a múltiplos processos, e as que não tinham processo aberto passavam a tê-lo pelo simples facto de serem nomeadas: «Abra-se processo» era a ordem expressa na seta correspondente, já com o novo número atribuído.
Algumas destas cartas são as originais, o que significa que nunca as recebi ou nunca foram recebidas pelos seus destinatários; outras eram fotocópias de cartas que seguiram o seu destino depois de lidas pelos pides ou que estarão incluídas noutros processos, outras cartas ainda estão escritas à máquina, o que me deixou intrigada: porquê perder tempo a escrever estas cartas à máquina, tão longas, com tantas páginas? Sairiam as fotocópias mais caras do que pagar a dactilógrafos/as que as decifrem? Mais uma vez se põe a questão inquietante da imensidade de colaboradores necessariamente envolvidos nestas actividades pidescas. É o caso da carta, que nunca recebi, de uma das minhas grandes amigas, em que que ela me fala apaixonadamente da sua descoberta do amor; é uma carta muito bela, intensa e luminosa, daquelas que só se escrevem quando se tem 18 anos…Os comentários abjectos dos pides causam-me náuseas. Faço uma fotocópia da carta e pergunto à minha amiga porque é que me tinha escrito à máquina. Ela ficou muito admirada: «nunca te escrevi nenhuma carta à máquina; de facto, estranhei nunca me teres respondido a esta carta, mas pensei que estavas ocupada com outras coisas, que tinhas mais em que pensar…» assim se criavam mal-entendidos, falhas de comunicação, quando não mesmo rupturas afectivas com consequências irreparáveis e dramáticas.
Eu estava preparada psicologicamente (penso) para ler dados relativos a denúncias, interrogatórios, etc. Mas não estava, de modo algum, preparada para esta devassa despudorada da minha intimidade e da dos meus familiares, amigos, namorados…Era uma época em que se escreviam longas cartas – é bom recordar que não havia telemóveis nem internet – telefonar e/ou viajar era caro e pouco acessível – a solidão do exílio exacerbava a necessidade de comunicação à distância com os amigos e a família. Evitávamos falar de política nas cartas, claro, pois sabíamos que a correspondência era vigiada, mas sobre os afecto e os sentimentos escrevíamos sem restrições, para não perdermos as raízes e não nos perdermos a nós próprios – era uma necessidade vital.
Ver assim expostos aos olhares dos pides os sonhos, amores, frustrações e angústias das pessoas que me eram mais queridas, algumas das quais já desaparecidas, causou-me um mal-estar profundo e uma indignação que ainda hoje sinto dificuldade em dominar. Senti-me roubada, violentada no que de mais íntimo e secreto havia em mim.
O que constava nos processos, para além das cartas pessoais, incomodou-me menos: relatórios de pides belgas, redigidos em francês, denunciando as actividades anti-fascistas de portugueses exilados na Bélgica, um relatório da Interpol…sugestivo da ligação (inquietante) entre as polícias internacionais e a PIDE; outras pequenas/grandes denúncias que não me surpreenderam verdadeiramente.
Ao entregar os processos à funcionária da Torre do Tombo perguntei-lhe porque tinha sido necessário esperar oito meses para os poder consultar. «Porque tivemos que fazer o expurgo», foi a resposta. «O que é isso?» perguntei. «É tapar os nomes dos informadores». «Mas com que objectivo?» indaguei, «Porque tem de ser» foi a resposta burocrática. Fiquei atónita e ainda mais revoltada. Porquê esta protecção aos denunciantes? Imagino que para «proteger» a podre paz social em que vivemos.
Quando, finalmente, saí para o ar livre, tinha a sensação de que se me colara à pele algo de viscoso e repugnante. Passei pela Biblioteca Nacional e vi que estava lá uma exposição sobre a vida do humanista Damião de Góis. Entrei e confrontei-me com o seu processo da inquisição e com os interrogatórios que lhe foram feitos: a linguagem dos inquisidores é semelhante à dos pides, as acusações são idênticas, o espírito é o mesmo. Constato a perturbante continuidade de uma História que, em Portugal, ao longo dos séculos, se foi fazendo recorrendo à tortura, à denúncia, à prisão arbitrária e à humilhação sistemática. Tento consolar-me com a convicção de que também se fez com a resistência daqueles que conseguiram, nestes períodos sombrios, ter a coragem de dizer não à violência e à barbárie”.
odores enebriantes
sábado, 28 de agosto de 2010
corações de pedra que amolecem em agosto
(engraçado isto!)
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Hoje
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
escuta
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
A fêmea que há em mim está escondida noutro blogue bem mais erótico, provocante, provocador, sensual e até pornográfico, entretanto ficaram com este
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Telefonar e dizer: Eu amo você.
Enviar um sms e escrever: Eu amo você.
Sentar-me no café e virar-me para o garçon: Eu amo você.
Chegar ao escritório, sorrir para o chefe e acrescentar: Eu amo você.
Encontrar a vizinha do lado e sussurrar-lhe ao ouvido: Eu amo você.
Apertar a minha Bia e soletrar-lhe: Eu a-mo vo-cê.
Expedir um e-mail carregado de: Eu amo você.
Chatearem-se comigo numa fila e eu rematar: Eu amo você.
Ir às finanças pagar uma multa e agradecer com: Eu amo você.
É que sabe? Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
o 5.º poder
Um cafezinho com um amigo do amigo que trabalha no hospital e arranja uma vaga especial;
Um contacto com um conhecido que diz se ele estava no café ou não, se bebeu vinho tinto ou cerveja;
Uma volta de carro pela zona com uma amiga que conhece outra que conhece aquela e sabe ver se ela tem o carro à porta de casa ou se anda dando ao escalho;
Um recado da Cristina, que manda falar com a Maria, que encaminha pró Caixote, que diz à mulher para marcar atendimento com o Xico, blá, blá, blá...
Tudo por fora do sistema. Tudo por entre o meio, enrroscado, enrrolado, na pedincha, no faz favor, no obrigado. Em troca umas garrafas de vinho, uns bolinhos pelo Natal, outros pela Páscoa, umas florinhas. E a anuência de quem trabalha nos serviços? Que alimenta isso, que gosta disso, que sente ter poder por isso, que deixa passar à frente, que ignora as filas de espera, que favorece.
Em vez de irem em frente, directos ao assunto, através de-mail's, faxes...Não! Recadinhos, diz que mandei dizer que fulano me pediu para... aquela filha do não sei quantos e da dona não sei quê que trabalha ali que tem uma casa assim que pode um dia a gente precisar não se sabe.
Dizem que há três poderes. Outros mais ousados quatro: a comunicação social. E eu cinco. Pelo menos em Beja. O poder do enleizinho para conseguir qualquer coisa pró coisinho.
e a natureza das scrofas
Esta é a história de uma scrofa com várias tetas. Uma scrofa tetuda. Mamalhuda. Uma scrofa da fome que dá em fartura. Gorda que só visto. Banhuda. Banhenta. Uma scrofa a quem tudo chupam mas que também engorda à conta, embora sem fins lucrativos. Usurpadora. Chula. Vampirinha. Suga suga.A scrofa em questão vive de dinheirinhos que lhe atiram em tranches e ela chaforda com o focinho no chão. Há muitas por aí. Necessárias, mas não forçosamente de engorda.
A scrofa cria postos de trabalho. Emprego. Dá, por isso, também de comer a muita gente o que nos dias que correm é bom, muito bom. Nem sempre com os direitos mais elementares garantidos, é certo, mas que importa isso hoje em dia?
A scrofa tem, portanto, filhinhos à mama. No entanto, é ela própria também uma garganeira, comilona para se encher até arrotar.
A scrofa tem um cartão da Repsol que dá para viagens e viagens e viagens e viagens. Outro da Brisa que dá para portagens e portagens e portagens. Tem outro que dá para almoços e almoços e almoços. E coincidência serve também para jantares e jantares e jantares. Ao mesmo tempo que para viagens ao estrangeiro, alojamento em hotéis, enfim.
A scrofa banhuda e bedunhenta dispensa o patrão de ter telemóvel e portátil e carro próprio e de pagar inspecções e revisões e manutenções. E às vezes empresta televisores e aquecedores e computadores e telemóveis aos parentes a quem paga avenças também.
A scrofa considera os subsídios de férias e de natal uma aberração e é mais papista que o Papa. Prefere pagar as contas a outrém antes mesmo de pagar aos filhinhos. Assim sendo, é uma mãe desnaturada.
Se esta scrofa fosse uma empresa privada eu não me admirava nada.
Mas não! Esta bacorita, marrã é uma associação...e quando me contaram isto eu só tive vontade de a mandar para a pocilga do homem gnomo!
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Alentejo das minhas vacances
depois uma festa de aniversário divertida. de uns quantos anos já somados. um neto a cantar com microfone a letra mais querida do mundo, o outro a tocar os parabéns ao piano.
a seguir o impensável: ir à la campagne quando todos fogem de lá. dos quarenta graus. transformar a canícula em ares de SPA e aproveitar o que de melhor temos para dar uns aos outros: companhia, paz de espírito, jantares no quintal e mimos sob a forma de manicures, pedicures, depilações, limpezas de pele. aproveitar o fresco da noite e o deserto da cidade e beber uns cafézinhos com uma amiga, uns copos de tinto com outro e uns almoços a sós com outra. é verdade que às vezes o tempo faz com que nos escondamos muito uns dos outros sem sabermos nem porquê. quem me dera que ele fizesse deles seres mais capacitados para ouvir e escutar, mas ainda assim...
entretanto um projecto não realizado por receios de outros que temem por mim e anteciparam que eu pudesse vir a ter alguma "fraqueza". de espírito, alma, coração...entenda-se.
refúgio num pinhal. com a cama rente ao chão. a brisa fresca da noite. a piscina ao virar da esquina e a praia ao virar do alcatrão.
a minha Bia primeiro com o "tio" mais velho, depois com os "avós," chegou-me mais selvagem de habituada que estava já aos quintais, mais desconfiada. não relaxa, não se vira toda quando a afago, não ronrona, está entroncada e grande, mas sei que com umas dosezinhas de meiguice volta a ser como dantes. é só uma questão de tempo.
ficam guardados os pormenores. os segredos. os planos pendentes para as próximas.
FÉRIAS, claro está!
terça-feira, 27 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Voz da Planície leva puxão de orelhas
sábado, 24 de julho de 2010
PARANÓIA
1) Lista das coisas que nunca lhe posso dizer a ela (mas que só de as escrever me sinto aliviada aaaaahhhh);
2) Lista dos méritos dos homens da minha vida (todos junto fariam um?);
3) Lista das coisas que não me posso esquecer de levar na mala das férias;
4) Lista das coisas que tenho que me esquecer durante as férias;
5) Lista das merdas que oiço todos os dias;
6) Lista das compras do supermercado;
7) Lista dos projectos em curso;
8) Lista da legislação que tenho que estudar (artigo 1, artigo 2, etecetera, etecetera);
9) Lista dos sítios para onde vou viajar;
10) Lista dos amigos que gostava de ter na festa de anos do meu 35.º aniversário;
11) Lista das queixas;
12) Lista dos seus traços mais bonitos de carácter;
13) Lista de lugares-comuns;
14) Lista de dias que tenho por gozar;
15) Lista das contas do mês que vêm;
16) Lista das pessoas que ainda quero entrevistar;
17) Lista das coisas que me proponho a fazer mas nunca faço (porque será?);
18) Lista das conversas que sei que ainda vou ter um dia;
19) Lista de projectos que quero levar a cabo;
20) Lista de frases bonitas de livros;
21) Lista de filmes que já vi;
22) Lista de livros que já li;
23) Lista para não me esquecer das listas.
nota: estou num workshop de dança (a produzir e a filmar, não a participar) e por sugestão da formadora os participantes foram para a rua recolher lista com pedaços de conversas que ouviram. Vamos ver o que sai dali. Estou expectante. A própria formadora fez um espectáculo só a partir de listas pessoais: intimas, privadas e públicas.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
porque...
nota: um dia ofereci-lhe um livro do António Lobo Antunes e escrevi-lhe assim "porque o nosso amor é do foro literário". agora parece que a namorada deu com ele e não gostou ou não percebeu e quis explicações. ele não soube justificar-se. é tonto, bastava inventar qualquer coisa. tipo: é literatura está nos livros, está impresso, está inscrito, não se pode apagar. simples não? qualquer uma entenderia. e pior, pior seria se eu escrevesse que o nosso amor é poesia. como é que ele se desenrascaria?
quarta-feira, 21 de julho de 2010
personagens
Imagine-se hoje andar cismada numa scrofa!? A magana não me sai da cabeça! É grande e mamalhuda. Puta da scrofa que com tantas tetas nunca vi.
(mais logo quando tiver tempinho já explico esta imagem persistente)
nota: a pedido de "várias famílias" não explanarei acerca deste assunto. Lamento.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
clássicos e intemporais


se a moda é blusas sem alças, elas têm;se a moda é vestidos às flores, elas compram;
se a moda é soutiens com alças transparentes, elas usam;
se a moda é sandálias tipo ançaimes atadas ao pés, elas andam;
se a moda é usar gadilhos e penduricalhos, elas penduram;
se a moda é legins (não sei se é assim que se escreve), elas esperneiam mas vestem-nas;
se a moda é sapatos de inverno com as biqueiras abertas, elas usam mesmo que gelem o dedão;
se a moda é botas de biqueira, elas compram;
se a moda é padrões de tropa, elas vestem;
se a moda são folhos, elas envergam...se está na moda elas têm.
Gosto de andar na moda, mas não de ir atrás das modas. É descaracterizante, feio, foleiro, piroso, rídiculo. Uniformizador. Revela falta de gosto e de personalidade.
As minhas roupas duram vidas.
domingo, 18 de julho de 2010
pensamento de domingo
sábado, 17 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
txiiiiiiiiiiiiii!!!!

O Primeiro-Ministro convoca os responsáveis e ordena que investiguem o assunto. Eles pesquisam as agências dos Correios de todo o País e relatam o problema.
O relatório diz:
"Não há nada de errado com a qualidade dos selos. O problema é que o povo está a cuspir no lado errado”.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
"contos" (?) que só podiam ser urbanos e do século XXI
terça-feira, 13 de julho de 2010
ou ao contrário: claro que não vou adicionar alguém que não é meu amigo na vida real ou, pelo menos, muito, muito conhecido. por exemplo da escola primária ou do liceu de Beja ou da universidade ou do trabalho x ou do trabalho y ou do workshop disto ou do cursinho daquilo. isto percebe-se não é? não queremos ter duzentos e oitenta e oito amigos entre aspas no facebook, pois não? para quê, não é?
para quê ter a amélia muge, o paco bandeira, o vereador miguel dias, a ana sofia varela, mais este, mais aquele, mais o outro e a outra que nunca vi na vida? o coiso! o coisinho! o gavino paixão! o gavino paixão quer ser meu amigo entre aspas no facebook? está tudo louco?
segunda-feira, 12 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
ensaio aberto
sábado, 10 de julho de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Chega! Tem avondo com trabalho!
É cansaço.
Só pode ser cansaço.
De manhã custo depois a acordar. E a caminhar para o serviço. E acho as tardes demasiado longas e as noites demasiado curtas.
Queria ir para Cuba - Havana/Santiago/Trinidad. Depois quis ir para Itália - Florença/Roma/Veneza. A seguir avisaram-me "escuta, olha, não vamos pagar subsídio de férias".
MERDA! A margem que tinha para inventar foi-se.
Pus outras hipóteses menos ambiciosas: o parque de campismo de São Miguel. Gosto daquilo. Muito. Daquele fresco, daquela aragem, da impossibilidade de acordar tarde, da piscina, do frio da noite, do cheiro dos pinheiros, da comida e dos sumos naturais. Hei-de ir lá parar. É o mais certo, mas não para já. A logística é grande e não me apetece logística.
Ainda coloquei outra hipótese, se bem que confesso não a posso partilhar. Chamar-me-iam, no mínimo, louca.
Por isso, agora de repente depois de uma hora de almoço de reflexão peguei no telefone e reservei quarto single a partir do dia 31 de Julho, numa pensão, no Porto.
Desta vez, não perguntei aos amigos se queriam vir cá passar dias ou fins-de-semana.
E vou começar a contagem decrescente.
É só para avisar.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
a democracia é o pior de todos os sistemas à excepção de todos os outros
verifica-se um aumento dos preços dos bens.
e uma diminuição na prestação dos serviços.
ameaçam-nos com as privatizações.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
cantiga de amigo
terça-feira, 6 de julho de 2010
personagens que tropeçam em nós
segunda-feira, 5 de julho de 2010
diálogo*
personagem 2 - tá beim! até logo!
(decorridos uns minutos)
personagem 2 - já tá fêto!
personagem 1 - mas fizestezio mesmo?
personagem 2 - tô-te dizendo.
personagem 1 - atão e encontramos-she aonde?
personagem 2 - nã sê. agora vou abalar de casa. vou à do Zéi.
personagem 1 - podemos-she ver ali no largo. vou à tua pergunta por ali.
personagem 2 - hádes-me encontrar, hádes. vou pra sombra. tem avondo com calor.
personagem 1 - atão em a gente vem-dem que passou a calma, encontramos-she ao sol posto.
personagem 2 - se me veres, chama que eu acudo.
personagem 1 - a gente vamos lá dar.
* só possível em Beja ainda que no século xxi









