quinta-feira, 1 de julho de 2010

inscrevi-me/

adoro a ideia/ só de pensar/ estou desejando/ tenho um fétiche por fotógrafos/ e este é do Expresso sem desprimor para os outros/ não/ não vou posar para ele/ vou jogá-lo ao chão como ele fez com esta moça/ e/ clic

quarta-feira, 30 de junho de 2010

DESMAGINA-TE

Diz que lá há mais de tudo.
Diz que há mais serviços.
Diz que há mais comércio.
Diz que há mais turismo.
Diz que há mais cultura.
Diz que há mais qualidade de vida.
Diz que há mais empregos.
Diz que já houve milhares de migrantes.
Diz que muitos são bejenses.
Diz que me desmagine de uma vez por todas.
Diz que desista dessa merda.
Diz que sim.
Diz que não concorra a mais concursos como o da C. M. de Castro V.
Diz que o Correio Alentejo ao lançar o seu fez bluff.
Diz que a Rádio Pax ao abrir o dela estava off: pagava 700€ mês.
Diz que o Diário do Alentejo tao pouco o abrirá.
Diz que não faça mais projectos como aquele e como o outro.
Diz que isto afinal é bom.
Há mais oferta. De tudo.
Diz que sim.

Matiné


A partir de hoje iniciamos uma nova rubrica neste blogue inteiramente dedicada à sétima arte. Matiné não tem periodicidade regular. Vai surgindo consoante o tempo que tenho para as pesquisas. O meu tutor será João Bénard da Costa através do seu belo livro "Muito lá de Casa", depois recorrerei a algum do espólio do Cine-Clube de Beja e aí o guia será o meu pai.

Para começar deixo-vos apenas algumas imagens daquela que considero ser a actriz mais bonita da história do cinema e das principais actrizes do movimento Nouvelle Vague.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ai! ai! ai! AI!ai....ai, ai. AAAAAiiiii!

Os ais da vida, por Mário Viegas. Ai!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

domingo, 27 de junho de 2010

ver a vista

As pessoas são simpáticas pá. As pe-sso-a-s s-ã-o sim-pá-ti-cas. É verdade! O Bruno Pires sabendo que eu estava doente dos olhinhos enviou-me um mail com esta fotografia e um belíssimo trocadilho que dizia assim: "ver a vista". E eu acho isto tão bonito! Mas tão bonito...
Já o Jorge na sexta à noite confidenciava-me "estou farto. farto e cansado das pessoas". Nao, não posso concordar com o Jorge desta vez, pois se eu cada vez mais gosto mais de todas e de cada uma. Interessam-me as pessoas na sua complexidade e subjectivdade.
Não sei se isto vinha a propósito, mas...acho que sim.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

ensaio sobre a vesguice

Falta-me a visão de conjunto. Vejo o mundo parcialmente.
É que tenho úlceras nas córneas. Feridas. Lesões. Diz o folheto de um dos medicamentos que tal se deve ao facto de, entre outros, não produzir lágrima suficiente. Ainda bem, penso. Sou uma mulher feliz! Não choro que chegue. E posto isto pergunto-me: será que para sermos felizes devemos ver só o que nos interessa? Ou melhor, não ver senão o que está debaixo do nosso nariz ou olhos como se diz vulgarmente?
Pois! Porque olho para diante, para frente e...NADA! Manchas. Nebulosas. Borrões. Coisas distorcidas: silhuetas, figuras, formas, feições. E já me perguntaram: "estás bem? é que tens um ar tão sério". Pudera! Como não vejo também não oiço. Não sei explicar, mas sempre foi assim. Se estou num concerto e não vejo bem o vocalista oiço claro está, mas não entendo. É verdade! E isto só me faz lembrar quando, às vezes, para conseguir dar certas aulas tirava os óculos. Assim, não via, logo não ouvia e não entendia o que se passava lá atrás, logo também não me desconcentrava e tudo corria melhor.
Esta merda é complicada: úlceras nas córneas!
Úlceras!
Córneas!
Tento apagar o cigarro aqui, afinal era mais à frente. Tenciono subir o degrau acolá, afinal era mais aqui. Não alcanço nada: a sinalética, as direcções. Para atravessar uma estrada viro o pescoço todo. Ando mais devagar. Falo mais devagar. Tenho dores. Comichão. Incómodo.
E um penso também. Um penso. No olho esquerdo. Só posso tirá-lo à noite quando a luz se esconde.
Ai!
A falta de visão de conjunto e a vista parcial do mundo não é para qualquer um! Dá-me que pensar como é que há tantos que as escolhem como modo de vida!
É preciso ter córneas!
No mínimo.

quando a ficção dá lugar à novela um género ainda menor que a literatura de cordel

Todas as coisas estão delicadamente interlgadas amor.Olha para nós. Os dois. Eu e tu. Eu aqui. Tu ai. Na nossa vidinha. De casa para o trabalho. De manhã...o duche, a roupa que te mandei na mala. Dobrada. Passadinha a ferro por mim amor no domingo. As camisas a condizer com as calças, arrumadas em sacos plásticos com a etiqueta do dia da semana. As meias todas da mesma cor para não te baralhares porque tu és daltónico amor, o cinto e as boxers que comprei nos chineses naqueles dias à hora de almoço. Depois vais trabalhar. O teu trabalho é muito cansativo amor. Almoças na cantina. Que pena que tenho de não estar aí para fazer-te o almoço todos os dias amor. E ias almoçar a casa comigo amor. E era tão bom. Se calhar até tomávamos um cafézinho os dois como fazemos no sábado. Lês a Bola e vês aqueles homens todos quase despidos amor. Nunca percebi porque nunca lês a Bola ao pé de mim amorzinho. E regressas novamente ao escritório. Se eu tivesse computador tu escrevias-me não é amor? No teu escritório tens internet. Cá em casa não. E depois sozinho para jantar. Ainda bem que a senhoria é prestável amor e te faz a sopa todas as noites. Ainda um dia tenho que ir conhecer essa senhoria. É pena que nao tenha telefone para falarmos os dois depois da novela. Sei que não gostas que te ligue à noite não é? Eu não ligo amor. Eu deito-me cedo, tu sabes não sabes amor? Desejando que venha sábado para tu chegares e irmos ao mercado. Os dois amor. Para comeres as minhas comidas, irmos até casa de minha mãe e eu lhe arrumar e limpar tudo enquanto tu vês televisão no café do vizinho Manuel. Temos que jantar com a minha mãe pobrezinha que só a vemos ao sábado e qualquer dia ela morre e não janta nunca mais. Para dormirmos os dois juntinhos amor. Tu muito cansado e eu também. E acordarmos no domingo eu tratar da tua roupa e ver-te abalar para aí outra vez. Que vida a nossa amor. E eu que de casa para o trabalho vejo tanta gente. E as minhas colegas têm facebook. E emails. E jantam fora umas com as outras. Ainda não te disse amor que sou sindicalizada. Não devia porque dizem que as mulheres dos sindicatos são todas feias. Foi quase sem querer amor. O Eduardo filho da madrinha Heloísa é que me convenceu. Que era bom, que era bom por causa dos patrões. O Eduardo é muito nosso amigo amor. Até já me ajudou a carregar um dia a bilha de gás amor. E subiu só um bocadinho lá a casa. No outro dia à hora do almoço apareceu por acaso no sítio onde almoço sempre amor. Tu sabes amor. E telefonou-me para o escritório amor. Diz ele que eu tenho uns olhos bonitos amor. Vê lá tu. Queria perguntar-me se podia ir com ele escolher uma blusa amor. E eu fui. Quando cheguei a casa já noite escura estava estacionado à porta com um ramo de rosas. E garantiu-me que não lia jornais de homens, que gostava de passear e ver montras. E agora escrevo-te este e-mail porque aqui na casa dele temos computador e internet. É que todas as coisas estão delicadamente interligadas amor.
Um homem não pode saber o que é ser mãe PLOOOOMM
........E certas mulheres também não!!!!!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010



...sei que sAbeS...


...qUe
EU sEi ...

...que TU sAbES...

sabias?

é só para dizer que...

...a minha gata tem uma dona muita calaçera (quando este nome me ocorreu mijei-me a rir sozinha, pois já não o oiço há milhares de anos).

terça-feira, 22 de junho de 2010

O sítio onde eu trabalho é um sítio giro, com uma filosofia diferente de todos os sítios que conheço na área. É mesmo um sítio único em Portugal dadas as características que reúne. Eu gosto muito do conceito que lhe está subjacente. Há toda uma lógica, uma estrutura, uma ideia por detrás de.

No sítio onde eu trabalho prevêm-se sempre duas temporadas de programação por ano: a de Inverno e a de Verão e nelas se incluem a apresentação de espectáculos de música, dança e teatro escolhidos pelo programador mediante critérios bem definidos e transparentes o que faz daquele sítio, um sítio com um público muito particular.

No sítio onde eu trabalho desenvolvemos também um programa de formação e criação artística em rede com cinco concelhos da região, sendo ministrados pelos mais destacados criadores nacionais 21 workshops por ano também na área da dança, da música e do teatro.

Em paralelo acolhem-se residências artísticas de criação. Abrem-se as candidaturas, analisam-se as propostas, calendarizam-se as vindas e coreógrafos, bailarinos, encenadores e actores, nacionais e internacionais e sobretudo emergentes, desenvolvem no sítio o seu trabalho. Temos estúdios, material técnico, camas, cozinha, balneários para toda a gente. No final destas residências apresentam-se ensaios abertos à comunidade dando a conhecer o trabalho desenvolvido no sítio.

É muito agradável que ao final do dia as pessoas tenham a oportunidade de ver pequenos esboços de espectáculos. Por isso, em vez de irem logo para casa ou para a esplanada vão até ao sítio onde eu trabalho.

EPÁ, mas hoje. Caramba...hoje o ensaio aberto que vimos...foi...bem...como hei-de dizer... assim...como...assim tipo... tás a ver...enfim...merece um post único.

ensaios abertos / performance


"o superficial do cérebro que têm uma labirintite que faz com que o personagem ficcional que criamos se vá cruzar com os testemunhos recolhidos estes materiais soltos que vamos compor para dar uma noção de narrativa sem saber no entanto se é coloquial ou poética mas que se vai encontrar depois com outro personagem que é o mito do anterior à volta destas três questões centrais a labirintite, o mds e a estratégia de guerra não sei quê no fundo mecanismos de alteração da percepção que queremos incutir no espectador para o deixar barralhado sem revelar muito para que depois de ouvirem os excertos e virem as imagens"....blá, blá, blá...


NÃO PERCEBI UM CAR_ _ _ _!

E era de dança.
E papo com cada um que Valha-me Deus!
E gosto! Gosto desta minha estupidez natural!
Oxalá de vez em quando não os entenda, caso contrário assusto-me comigo própria!
É sinal que já não estou sã!
Há mundos muito à parte!
E a arte... a arte tem que se lhe diga. Puff se tem!
No fim pedi que me tiram-se esta fotografia.
Eis a minha performance.
Gosto especialmente do efeito da sombra.

Ontem...enchi-me de lata e...

Foi fácil e até engraçado. Fui determinada, estendi a mão e disse que me chamava M., que gostava muito de circo e que tinha um pedido especial a fazer: um cartaz para por na minha sala. O senhor foi tão simpático que me ofereceu um mupi com um palhação. Ele insistia que eu devia levar o do homem-bala, mas não o encontrou! Agora... não sei se o plastifique, se o cole assim mesmo.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

relações únicas

Jack Kerouac
Jorge Luís Borges
Ernest Hemingway
Muito se tem escrito acerca da relação entre escritores e gatos. Basta colocar ambas as palavras num motor de pesquisa que logo nos surgem várias páginas alusivas ao tema. Há, aliás, até livros publicados sem que, contudo, se consiga explicar a razão de ser desta relação tão simbiótica.

Certo, certo é que a personalidade felina inspirou muitos escritores, poetas e pensadores ao longo dos tempos.
Anton Tchekov, Hermann Hesse, Lewis Caroll, Honoré de Balzac, Alberto Moravia, Jorge Amado, Alexandre Dumas, Charles Dickens são apenas alguns exemplos de criadores apaixonados por gatos.

O musical Cats, encenado na Brodway, resultou de um poema de T.S. Eliot, O Nome dos Gatos.
O célebre poema Ode aos Gatos é da autoria de Pablo Neruda.
Victor Hugo escrevia para os seus gatos num diário.
Jorge Luís Borges deixou-se fotografar inúmeras vezes com a sua gata branca.
Baudelaire, em Fleurs du Mal, dedica três poemas aos felinos.
Ernest Hemingway deixou os seus 50 gatos protegidos em testamento.
E o mais interessante: foi feito um estudo para catalogar os gatos que vivem nas bibliotecas de todo o Mundo (Library Cats Map).

domingo, 20 de junho de 2010

ALMOÇO - à la carte

Queijinhos. Tostinhas. Frango agridoce de inspiração oriental, chinesa. Tófu de caril de inspiração vegetariana. Quiche de legumes de inspiração alentejana. Tarte de natas e brigadeiros.

sábado, 19 de junho de 2010

JANTAR


e-mail 02:09


FILHA,

Porque sei que não pudeste estar presente na homenagem e entrega da medalha da cidade, a título póstumo, ao Figueira Mestre, junto mando algumas notas para tua informação, assim como as fotos possíveis do lugar onde estava a presenciar esta mais que merecida homenagem ao nosso amigo comum.

A qualidade das intervenções e o vídeo apresentado retrataram de uma forma global o homem, o escritor, o bibliotecário, o cidadão e o seu contributo para uma ideia diferente de cidade, em busca de um modelo de desenvolvimento mais moderno, mais humano, mais consentâneo com o tempo presente.

Sobre os intervenientes… lerás noutros locais.

A razão porque também te envio estas notas é porque te quero transmitir duas ou três ideias fortes que me ficaram desta noite, que sei que também te são caras porque com ele colaboraste em diversas ocasiões nomeadamente na revista RODAPÉ também lá muito justamente relembrada.

Assim, retenho além da interessante análise literária dos seus escritos, um apelo para o relançamento da revisa RODAPÉ, a criação de um PRÉMIO LITERÁRIO, um apelo do Baiôa para que a cidade passe a homenagear em vida os que "não é a vida que passa por eles" mas sim os que, nesta terra, "passam pela vida".

Fiquei reflectindo nesta última frase do Figueira, lá referida algumas vezes e parece-me ter encontrado a razão de ser desta atitude: os medíocres não homenageiam os que se dedicam a uma causa, a um projecto, ao estudo de uma forma desinteressada, pois os medíocres ameaçam menos, são sempre menos "perigosos".

A organização esteve óptima, à altura da qualidade que a biblioteca José Saramago, (também lá lembrado esta noite) nos tem habituado, a leitura de textos e demais testemunhos não poderiam ser melhor escolhida.

Seria bom que compilassem as intervenções e testemunhos proferidos.

A exposição está óptima. Retrata uma ideia da produção artística da época do Figueira, acompanhada pela distribuição de um texto escrito por amigos.

Um Abraço
Beijinhos.

NOTA: Às 22h23 de ontem recebi um sms que dizia assim "havias de gostar de estar cá. está a falar um colaborador da rodapé" e como o sms de retorno foi de desilusão o meu pai colocou o seu 96 em cima da mesa e ouvi o discurso em directo.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

ólha a balbúrdia!

Fui às compras. Enchi o cesto. Verti-o na caixa. E tráz! Não havia multibanco. Subi as escadas rolantes, inseri o cartão na máquina e tráz! não era autorizada a operação. Desci as escadas e explicaram-me "é anomalia a nível nacional".

Obrigado

Li muitos livros dele. Era ainda novinha, mas lia-os. E gostava. Daquela forma nova e diferente de escrever. Daquelas personagens que criava. Ainda tenho presentes imagens nítidas de uma mulher que era perseguida por estorninhos, outra que desfiava um novelo de lã enorme, de outra ainda que via através das pessoas e adivinhava, por exemplo, as grávidas. Lembro-me de ver o Largo de Camões de uma janela através do heterónimo de Pessoa, Ricardo Reis e de desejar chamar-me Blimunda.
Jangada de Pedra, Memorial do Convento, História do Cerco de Lisboa e tantos outros estão misturados na minha cabeça, mas é Levantado do Chão que mais me verga ao autor.
Obrigado, Saramago.
eh,eh,eh.
Hoje fiz uma traquinice. eh,eh,eh.
Daquelas boas.
Estou tão contentinha.

miminhos



quinta-feira, 17 de junho de 2010

telegrama

Dizem que os gatos dormem muito. A Bia ainda não parou sossegada desde que cheguei a casa, no entanto, agora está enroscada frente à televisão.
Estreou o Cabotino e eu não pude ir ver.
Homenageia-se o Figueira Mestre e eu não posso estar.
Soube que não vou receber subsídio de férias. Diz que "não há dinheiro".
Comprei o DN e ouvi e gostei do Baile Popular.
O PSD deu o voto favorável ao relatório da Comissão de Inquérito sobre o caso PT/TVI. Tantos meses à chapada e não conseguem provar que Sócrates é um mentiroso.
Ando a construir um novo blogue, mas não sei quando estará on-line.
Almocei com o meu pai no Vegetariano. Até ele gosta!
A roupa já está seca e eu não vou recolhe-la porque não me apetece.
O Diário do Alentejo, o Correio Alentejo e o Alentejo Popular vão editar umas páginas que me interessam. Agradeço que me comprem um exemplar.
Amanhã é dia de escola e toca a rir. Vou-me deitar.

quando damos por isso...

temos a vida enleada em bonecagem. txi mãezinha!
ainda por cima sem pés nem cabeça!!!!

questões estéticas

este estabelecimento encontra-se aberto, mas em remodelações e atento ao modelo que lhe assenta melhor.

critérios

Será que a imprensa regional ignora isto?
É que já tem acontecido.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

CIRCO


Gosto de circo. Sim mesmo com animais. Gosto daquilo tudo. Das caravanas, dos estendais, dos fogareiros à porta. Das carrinhas que servem de camarins. Das casas de banho improvisadas. Daquela coisa de eles fazerem uma roda com os veículos, protegendo-se, marcando território e depois da tenda no cenro do mundo, do seu mundo. Gosto da casinha da bilheteira com luzes a piscar em cima. E gosto dos malabaristas, dos contorcionistas, dos acrobatas, dos domadores, das parteners, dos palhaços rico e pobre. Gosto de circo. E agora ele está cá e eu tenho que arranjar tempo para ir lá fotografá-lo. E coragem para fazer uma outra coisa. Não passa desta. Aí não passa não! Vou roubar um daqueles cartazes que distribuem pelas ruas. Adoro aquele design, aquelas cores, aquela coisa retro-modernista-passadista. Vai de certeza ficar muito bem na minha sala. Oh se vai!

terça-feira, 15 de junho de 2010


eles deram-se bem ó não fora ele um autêntico Gato.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Biaaaa

Deixei-a sozinha em casa...
O que será que está "pintando"?

a minha gatinha

Trouxe finalmente a gata. Aliás, fui finalmente buscar a gata.
Confesso: nunca gostei de gatos! É simples: tinha medo deles. Mas agora...agora entendi que por várias ordens de razões (intímas) queria ter uma gatinha.
Ainda duvido de mim própria. Ela chegou hoje já tarde depois de uma viagem atribulada.
Não sei se estou à altura do desafio.
Fiz-lhe uma caminha, preparei-lhe a caixa com areão, arranjei-lhe um pratinho com leite e levei-a para a marquise, mas depois com dó dela puxei tudo cá para a sala.
Entrou-lhe o frenesim. Saltitando de puff em puff, por baixo das mesas, por detrás dos jornais e dos bancos. E miando.
Deixei de a ver por instantes. Chamava-a e nada.
Escrevi ao Jorge um sms "ela esconde-se e foge".
Ainda agora enquanto escrevo este texto. Chamo-a e nada. Não faço ideia onde está. Vou espreitar. Esperem aí.
E o Jorge respondeu "É normal. Tem medo e está num sítio estranho. Depois passa-lhe. Vai começar a descobrir o que a rodeia para se sentr segura. É mesmo assim. Repete-lhe o nome e tenta o truque da latinha".
Ainda assim fui procurá-la e ...hum a espertinha! Toda enroscada debaixo da mesa de centro da sala, mas em cima de uma caixa que está lá debaixo. Quase entalada, digamos. Presumo que vá dormir ali.
E quando não é ela que mia sou eu que chamo e sussuro Bia, Bia, Bia.

domingo, 13 de junho de 2010

época balneária

1, 2, 3 e 4 de Janeiro - Passagem de Ano
16 e 17 de Janeiro - Reunião de Trabalho Lêndias d' Encantar
13 e 14 de Março - Alentejo com a Madeira
1,2,3 e 4 de Abril - Reunião e trabalhos Cocas Produções
24, 25, 27, 28, 29 e 30 de Abril - Reuniões Associação de Defesa do Património e Jornal Ovibeja
15 e 16 Maio - Reunião de família Monte da Chaminé/Serpa
28, 29 e 30 Maio - Jantar Escola Profissional Bento de Jesus Caraça e 37
12 e 13 Junho - Pablo Milanês
O resumo de um semestre. Oito partidas. Oito chegadas. As motivações. Principais. Porque há outras. Estar com os amigos é uma delas senão mesmo a mais importante.
Agora prontos que estão os calores para nos abraçar a mim e a vocês,espero pelas vossas visitas ainda que o pretexto, a motivação principal seja a praia. Eu não me importo. Podem assumi-lo.
Como diria a minha ex-esteticista "chegou a época balneária".

sábado, 12 de junho de 2010

Crise?

Bancadas grandes, corridas. Em frente os milhares de militares na parada, a seguir uma estrada de alcatrão construída propositadamente para o efeito e depois oito tribunas para os vip's. O povo acorreu em massa. Para ver as tropas a marchar, os para-quedistas a aterrar, os caça bombardeiros a esvoar, os tanques e os jipes a desfilar. No final ouviram o Presidente da República e pelo meio vaiaram Sócrates. Depois desse espectáculo outro no Teatro das Figuras e um almoço e um jantar de luxo.Nas comemorações do 10 de Junho.
Dias antes a festa de despedida dos jogadores da Selecção. Um megaconcerto. Quinhentos euros a noite por jogador num hotel de cinco estrelas na África do Sul.
Ontem ou anteontem ou lá quando foi a comemoração dos 25 anos da adesão à então CEE. Ministros, Secretários de Estado, embaixadores o raio que os parta a todos.
Milhares de euros em logística, em protocolo, em luxos.
Olhamos através do televisor, escutamos os discursos e nada bate certo!

AH! E esqueci-me! Das Marchas de Lisboa e dos casamentos de Santo António.
Será que ninguém tem coragem para acabar com estas palhaçadas todas de uma vez?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O meu sofá

O meu sofá tem visgo;
Aquele trambolho do Banco de Portugal já é vice presidente do Banco Central Europeu;
Pensava que se premiava o mérito;
Hoje fui ao Pingo Doce e comprei dois Tiramisu e já os comi;
O problema é que o meu sofá tem visgo;
Tenho saudades da gata que não tenho;
Já sei que nome lhe vou dar, mas não digo;
Tenho máquina fotográfica outra vez;
Apetece-me ir ver o Pablo Milanês;
E o Cabotino;
Mas...o meu sofá tem visgo;
A economia da zona euro vai subir abaixo das expectativas;
E comprei dois vestidos de Verão;
Ah... e se vocês soubessem como é bom o meu sofá ter visgo.

Visgo - substância viscosa obtida a partir da casca do azevinho e que se emprega para apanhar pequenas aves. Engodo. Atractivo. Isco. Aquele que atrai, seduz ou prende.

domingo, 6 de junho de 2010

Baleizão, mulheres, homens, aniversário da morte de Catarina, Graça, Álvaro e tantos outros sem nome e vistos da janela

Naqueles dias o trânsito era cortado na aldeia nova até cá abaixo à aldeia velha. Álvaro Cunhal saia do automóvel, Graça saia da Igreja. Ambos os venerados desciam a rua ladeados por populares. Ruas caiadas de branco imaculado e propositado. Ruas limpas e regadas na véspera. Desciam em marcha lenta. Ela assente no altar e erguida por braços tímidos, ele assente na coragem e como que transportado por braços fortes em levitação. Nenhum deles se movia conforme as leis da física pé ante pé, um atrás do outro arrastados pelo movimento lento da marcha. Os santos são etéreos e há sempre alguém que os conduz aos lugares onde estão e onde querem que vão. Em ambos os casos quem os levava era o povo. Caras lavadas, roupas estreadas, vozes contentes e eufóricas, cânticos e cantigas e modas entoados a puxar a esperança de uma vida melhor. Álvaro e Graça prometiam sempre futuro, coisa que não está às mãos de qualquer um e pelo qual é sempre preciso esperar. Futuro de uma vida em comunhão, camaradagem, paz, trabalho. Por conta disso todos queriam tocar-lhes. Nela com mais esmero, delicadeza e prece. Nele com força, abraços, apertos de mão rijas.
Eram dias de festa na aldeia. Instalava-se uma confusão organizada. Vinha gente de fora, dos sítios longínquos para onde foram empurrados à custa da custosa emigração. Das Suíças, das Alemanhas, das Franças. De todo o país. Acreditavam num destino melhor, maior, supremo. Menos sofrido.
Instalavam-se barracas na rua. De vendedores de gelados de dois sabores, de tremoços, de algodão doce, de pães com linguiça. Fechava-se o comércio e as tabernas. Engalanavam-se as janelas.
E, num caso como noutro, gritavam-se palavras de ordem fossem elas alto e bom som e de punho erguido, fossem elas murmuradas de olhos baixos assentes nas mãos enleadas nos crucifixos.
A peregrinação terminava no largo da aldeia e se Álvaro subia à tribuna para discursar, Graça a Nossa (ou deles) Senhora, padroeira da terra subia novamente ao altar. Quem está acima de nós deve sempre estar elevado para que possamos vê-lo e venerá-lo melhor.

Eu via-os primeiro em Maio, depois em Agosto. Via-os da perspectiva de uma criança de 5, 6, 7 ou mais anos. E sempre da janela. A passar. Via-os assim. Como dois motivos de festa.

Hoje interrogo-me porque tais memórias me assaltam e sinto que não conseguir explicar porque razões os meus conterrâneos se entregavam, como nenhum outro povo, à celebração daquilo que é relativo a um domínio interdito e inviolável e que suscita a veneração, o sagrado, no caso a Nossa Senhora da Graça que enchiam de notas para pagar preces e promessas, ao mesmo tempo que o faziam com o profano, Cunhal que eles próprios investiam de uma determinada dignidade religiosa, tornando-o bendito, abençoado e quase santificado.
E pergunto-me porque transformaram os baleizoeiros sempre o pão e o vinho dos seus camaradas no Corpo de Cristo?

sábado, 5 de junho de 2010

Miiiiauuu


Já temos:
- a cesta com almofadinha e a caixa transportadora (presentes do meu colega Paulo).





Falta-nos:
- a caixinha dos cócos e dos xixis com tampa;
- o areão;
- o prato da água/leite e da comida;
- o leite sem lactose;
- a ração;
- a escova para o pêlo;
- uma coleirinha.

E o baptismo!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

baila comigo


Já me disseram que o cartaz não aumenta. Pois então! Eu passo a explicar.

Quem comprar o Diário de Notícias no dia 17 de Junho recebe grátis um cd com 3 músicas do grupo Baile Popular.

Fiquem atentos.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

mulher de governo













Lá em casa quem fazia as compras era o meu pai.
Agora (que é como quem diz!) cresci e tenho que fazer as minhas próprias compras, claro está!
Ir ao supermercado, encher o carrinho, despejar na caixa, meter nos sacos, meter no carro, tirar do carro, subir as escadas, meter no frigorifico, meter na despensa. PUFFFF!
Geralmente convoco a minha irmã e vamos as duas. É mais fácil. Fazemos o avio para o mês inteiro. Não há paciência para andar todos os fins-de-semana no super ou hiper mercado, embora haja quem goste que eu sei. E muito.
Hoje, no feriado e ao contrário do que sucede nos outros meses, tive que ir aviar-me, mas às prestações. Não tive boleias e portanto ando comprando as pápas às mijinhas.
Desta vez era o skip e o amaciador, dois pesos pesados mais o molho de soja, a goibada, as cebolas e os iogurtes, mais isto e mais aquilo.
Como se não bastasse, desde o ano passado que não calçava sandálias, ainda por cima altas. Para lá muito bem. Para cá...um calvário. Um saco numa mão, outro saco na outra, a caixa pontiaguda do skip a bater-me nas pernas, os pés todos doridos das sandálias. Parava a meio do caminho, pousava um saco, pousava o outro, a mala caía-me do ombro. Tudo derramado no chão. TXIIIII!

Foi então que decidi que para fazer juz ao estatuto de mulherzinha autónoma e independente iria comprar - adivinhem - um trolley! Como aqueles das velhinhas, caso contrário roubo o carrinho do supermercado e levo-o até à porta de casa.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

o meu pesseguinho

O meu pesseguinho e a mãe vieram visitar-me. Tinha previsto para o jantar fazer chili, então preparei um refogado com as carnes picadas e tirei para o lado uma porção para dar ao pesseguinho. Depois ao preparado todo juntei o chili, os cominhos, o feijão encarnado e à parte fiz um arroz e disse ao menino "esta noite o jantar é arroz à Guidolhonesa". Ele riu-se e comeu bem.
Quando o pesseguinho vem à minha casa fica a ver desenhos animados no computador e ri-se muito muito com os disparates dos bonecos. Também os vê na televisão e também comemos excepcionalmente no sofá ou no chão.
O meu pesseguinho deixa um rasto, uma espécie de caos repleto de significados: papelinhos, fiozinhos, bonequinhos, desenhos tudo bem espalhadinho.
Ele dormiu cá em casa. Às vezes, ele e a mãe vêm dormir cá a casa. Montamos o acampamento: eles sobem para a minha cama eu fico num colchão no chão. Pediu-me um peluche. Fiquei aflita. Eu já não tenho peluches apesar de ter uma gaveta cheia de brinquedos. Fui lá pesquisar e encontrei o Princepezinho tamanho de um palmo. Dei-lho. Ainda refilou que queria um fofinho daqueles com pêlo, mas lá se conformou e dormiu tranquilo.
No dia seguinte fiquei de levá-lo à escola. A mãe sai mais cedo e ele assim pode dormir mais. Fiz-lhe um leitinho de biberon. Pediu-me com beicinho para ficar mais um bocadinho a dormitar. Ficou. A seguir, com muitos beijinhos, lá acordou. Chegou a altura de se vestir e o meu pesseguinho começou a chorar. Eu não estava a perceber. Não queria vestir a t-shirt. Não queria. Não queria. Perguntei-lhe porquê e ele só chorava. Queria a blusa do dia anterior. A verde. Expliquei-lhe que a mãe a tinha levado para lavar, que estava suja (mentindo só para ver se ele se convencia). Não funcionou. Mostrei-lhe as minhas t-shirt's todas. Não dava, não serviam. E eis que ele me diz em soluços "Tia não quero essa blusa porque os meninos gozam comigo na escola". Levei um murro no estômago! Não esperava aquilo. Fui imediatamente buscar a blusa do dia anterior e vesti-lha. Acabou-se o choro e as lágrimas. A outra blusa era, de facto, pouco convencional, mas...
O meu sobrinho tem quatro anos. E eu chamo a isto bullying.
Fomos contentes com a camisola cravada em nódoas e ainda por cima sem bata. Não gosto de fardas, batas, etecetera, mas percebo que é bom que elas existam. O que têm de mau têm de bom: uniformizam, anulam as diferenças.
Contei tudo à educadora. Ela tem um trabalho a fazer dentro da sua sala de aula. Urge.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

quem espera sempre alcança

Naquele dia decidi ir durante a hora de almoço a uma agência de viagens.
Levava na cabeça um circuito muito bem definido.
Quero ir aqui, depois ali e a seguir acolá.
Tinha borboletas na barriga que é uma coisa que só me acontece em ocasiões muito especiais.

A senhora que me atendeu pesquisou nos catálogos todos. Abriu e fechou páginas. Preencheu formulários no computador. E entre umas e outras ia-me dizendo "mas olhe que isto em Agosto é tudo mais caro", "mas olhe que este circuito é muito difícil", "mas olhe que isto enquanto não tiver filhos (não sei como é que ela soube que eu não tinha filhos) é de aproveitar e não ir nesta altura", "mas atenção que ir sozinha sai-lhe muito menos em conta".

Não tenho a certeza - garanto-vos que não tenho - se a senhora era mesmo vendedora de uma agência de viagens, pois tudo parecia indicar que não.

O que é certo é que a mulher conseguiu, de facto, dissuadir-me. Portanto, sonhos e férias adiadas lá mais para diante!

domingo, 30 de maio de 2010

EPBJC/CGTP

Quando terminou a manifestação apanhei o metro ali nos Restauradores rumo a Santa Apolónia.
Tinha que ir "apanhar" outra boleia desta vez de regresso a Beja. Às nove em ponto começava o jantar de comemoração dos 20 anos da Escola Profissional Bento de Jesus Caraça (EPBJC). Tinha pressa e tinha à minha frente algumas pessoas, entre as quais Carvalho da Silva. Nos centímetros e nos segundos que me separavam dele estavam presas palavras na garganta. Depois de ter gritado tanto e de ele também ter gritado tanto e para tantos eu tinha que lhe ter dito as palavras presas na garganta.
Carvalho, amigo, camarada, caralho estive cinco anos a dar aulas na EPBJC propriedade da CGTP. Como eu centenas de outros professores pelo país fora. Há vinte anos. Vinte anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. VIN-TE A-NOS. PÁ! E a recibos verdes, recibos verdes, recibos verdes, recibos verdes, recibos verdes, recibos verdes, recibos verdes, recibos verdes.
Carvalho, amigo, camarada, caralho como é que explicas isto a essa miuda pequena que está contigo que não sei se é tua filha se não, que não sei se ouviu o teu discurso se não? Mas que seguramente viu as trezentas mil pessoas descendo na tua direcção?
Era a sua vez, a máquina perguntou quantos bilhetes, para que zonas, pediu o dinheiro, engoliu o dinheiro, cuspiu o troco, cuspiu o bilhete, ele apanhou-o, passou à minha frente, passou a cancela e deixei de o ver.
Carvalho, amigo, camarada, caralho! Porque é que eu não consigo falar e só consigo escrever? Diz-me, Car(v)alho!

sábado, 29 de maio de 2010


















































sexta-feira, 28 de maio de 2010

P(R)EC

Estás a favor do congelamento dos salários dos funcionários da Função Pública?
Estás a favor do desaparecimento das medidas anti-crise? Que previam o alargamento do subsídio de desemprego e o subsídio de contractação de jovens?
Estás a favor dos cortes nas prestações sociais?
Estás a favor da diminuição dos valores do subsídio de desemprego?
Estás a favor dos aumentos no irs?
Estás a favor dos aumentos do iva nomeadamente dos bens essenciais?
Estás a favor das privatizações das empresas nacionais?

Não estás, pois não?

Então adere já ao Processo Revolucionário em Curso.

Alinha no PREC e caga no PEC.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Quem é? Quem é?

Depois de termos descoberto Carla Matadinho, uma simples moça de Beja, em grandes preparos na internet, facto, aliás, que a transformou numa estrela a nível nacional...eis que agora damos de caras com outra moça de Beja cometendo também destrambelhamentos. Que pouca vergonha!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

"A culpa desta merda é dos partidos, pá!"

Quem viu, viu! Quem não viu...vi-se!
A peça de teatro 37 do grupo Lendias d' Encantar.
Eu vi!

Não costumo comentar as peças que vejo. Quase semanalmente - diga-se! Não sou presunçosa ao ponto de o fazer, mas desta vez é diferente. É diferente porque foram lá abordados temas que a todos os bejenses, a todos os jovens e a todos os criadores deveriam dar que pensar.

Gostei dos textos escolhidos: o primeiro de Luiz Pacheco o segundo de José Mário Branco, duas figuras incontornáveis da cultura portuguesa. Dois discursos de desalento, de cansaço, de revolta, de inconformismo. De esperança. E um terceiro de António Revez, o actor, o encenador. Curto, grosso, directo, assertivo, perspicaz e chamando a atenção para questões como:
- o dia-a-dia de um actor;
- as condições de trabalho de um actor/criador,
- a precariedade da vida de actor/criador;
- a leitura enviezada que fazem os seus pares da vida de um actor/criador;
- as questões ideológicas que estão subjacentes ao desempenho das diferentes profissões de âmbito cultural;
- as questões político-partidárias que estão subjacentes ao desempenho das diferentes profissões de âmbito cultural (parece a mesma coisa, mas não é!);
- a sua legitimidade;
- o problema de que padece a companhia a que pertence;
- a solução encontrada.
Entre, porventura, muitos outros aspectos que me escapam.


Em causa (e dito em palco), aliás o leit motiv desta peça: os 50 mil euros de subsídio que eram atribuídos às Lendias e que passaram, após este executivo tomar posse, a ser apenas 27 mil e quinhentos euros, sendo igual soma atribuída à outra companhia de teatro profissional do concelho que já recebe do Ministério da Cultura 100 mil euros.

Ora bem! A questão que fica é, quanto a mim a seguinte: a que se deve esta redução? Querer nivelar ambas as companhias pela mesma bitola? Ser justo? Não entrar em guerras beneficiando uns em detrimento dos outros?
Nenhuma delas!

Puro desconhecimento - digo eu! E porquê? Porque falta no processo um elemento fundamental: a AVALIAÇÃO. Não se podem nem se devem atribuir dinheiros públicos nem às instituições de teatro, de cinema, de música, de dança ou quaisquer outras sem que exista avaliação. CRITÉRIOS.

Ser do partido A ou ser do partido B não é um critério válido, embora haja quem alegue que isso deveria bastar ou possa ter bastado em tempos idos. Assim, é urgente definir outros. Fazer um inquérito às associações do concelho, averiguar que materiais de som, vídeo, luz têm. Que condições para ensaios têm. Que número de pessoas empregam. Quantos espectáculos criam por ano (estreias, atenção!), quantas itinerâncias fazem, quantas acções de formação, que públicos visam atingir e que públicos atingem, etecetera, etecetera, etecetera.


E, então, a partir daí e da aferição da qualidade dos trabalhos, então, dizia, atribuir um subsídio mediante a realização de um protocolo, um contrato programa onde ficassem definidas as obrigações de ambas as partes. Não se percebe, por exemplo, porque razão uma autarquia subsisdia uma companhia de teatro e não inclui nos seus serviços de comunicação a realização de notas de imprensa sobre os espectáculos, a concepção, impressão e distribuição de cartazes entre outros meios de divulgação ao seu dispor. Isto e muito mais, como por exemplo, a articulação com os diferentes sectores educativo e cultural da autarquia, deveria constar do referido contrato programa.


Bom, mas a questão que se coloca a seguir e que é pertinente é a seguinte: quem faz a avaliação?
Pois é! A avaliação por muitos indicadores que queiramos dar-lhe corre sempre o risco de ser subjectiva. Bom, então, por isso mesmo deveria ser feita por entidades idóneas.


Sugiro para o Pax-Julia Teatro Municipal, para a Biblioteca Municipal, para o Museu Regional e para outras tantas entidades que prestam serviços públicos que se criem no seio destas instituições aquilo que eu própria crio na minha vida: um CONSELHO CONSULTIVO.


Se queremos ser democratas e transparentes criemos conselhos consultivos constituídos por pessoas idóneas representativas das diferentes áreas da siciedade civil, dos diferentes partidos, das diferentes religiões e interessas e já agora de diferentes idades e géneros.


Assim, as decisões não serão autocráticas, têm que ser justificadas, a programação não é casuística, não corre riscos de ser enviezada, pode ser mais plural, mais justa, bem como os ditos subsídios a que nos referimos.


O povo costuma dizer que "quem não deve não teme", pois então! Do que estão à espera?


Não nos "obriguem a vir para a rua gritar" e dar razão ao Zé Mário Branco que diz que "a culpa desta merda é dos partidos".



Nota de Rodapé: discordo em absoluto com partes das opiniões veiculadas acerca deste tema em Viagra e Prozac e em Ponto sem Nó, blogues bejenses.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Pesquisas on-line

A Ana Maria é uma menina com dez anos. Anda já no segundo ciclo e a professora pede-lhe para fazer trabalhos de casa e enviar por e-mail. No tempo em que eu andava na universidade ainda não havia e-mail. A Ana Maria já tem conta, sabe abrir, fechar e consultar o mail dela. Sabe até juntar anexos, porém quando chega a altura de enviar o trabalho pergunta à mãe o que deve escrever. Eu ajudo a Ana Maria. Quando posso. E disse-lhe qualquer coisa como "cara professora, tal como combinámos ...".
Outras docentes pedem à Ana Maria e aos colegas que realizem outros trabalhos e a Ana Maria (vi eu) vai ao google e escreve aquelas que ela pensa serem as palavras-chave. "Lisboa Quinhentista", ENTER. Surge-lhe uma página cheia de hipóteses e a Ana Maria carrega na segunda. Na primeira não porque percebeu que se tratava de uma mapa, mas na segunda porquê? Eu não sei e ela também não. No tempo em que os professores andavam na universidade não havia internet e estes professores não sabem pesquisar e ensinar a pesquisar.
Eu já dei aulas e tinha um documento orientador do Ministério da Educação só sobre a matéria. Foi através dele que ensinei os meus alunos a pesquisar. Primeiro nas bibliotecas, nas enciclopédias, depois nos dicionários, a seguir na internet.
É fundamental que as crianças saibam distinguir um site oficial de um site que o não é. É importante que conheçam os sites de estatística e de história e de geografia e de outras disciplinas abalizados para escrever sobre as matérias. É importante conhecer as fontes, distinguí-las e depois de recolhida a informação é preciso saber "colá-la", construir um texto com princípio, meio e fim. E rejeitar trabalhinhos de mero copy/paste.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Começar o dia

No Centro de Artes onde trabalho temos dois estúdios grandes e arejados e ainda uma black box.
Na Associação de Saúde Mental onde anda o Armando, eles têm um sótão pequeno e abafado. No Verão querem continuar a fazer as suas aulas de relaxamento e dramaturgia, então pedem um dos estúdios emprestados ao Centro.
Habituei-me a abri-lhes a porta e a recebê-los. A indicar-lhes o caminho, a auxiliá-los a subir as escadas, a ajudá-los. Fixei-lhes as caras.
Às vezes vejo alguns deles na rua. Cumprimento-os, mas eles não me reconhecem. Nenhum. Nenhum à exepção do Armando.
O Armando frequenta de manhã o mesmo café que eu: a pastelaria Londres. Quando me vê ele senta-se mesmo sem perguntar se pode e eu não me importo. Ficamos os dois à conversa. O Armando vem todos os dias de longe para a escola (como ele lhe chama) e desabafa comigo. Fala-me das aulas de informática, dos tempos mortos que já percebi que são muitos, das aulas de teatro, de relaxamento, de artesanato.
Mas hoje, num registo um tanto ao quanto diferente, o Armando olhou para mim e disse-me "está bonita". E depois acrescentou "quer dizer, quer dizer...já tem namorado?" e eu, mentindo, acenava com a cabeça de cima para baixo como quem diz que sim. E de seguida perguntei-lhe "e tu Armando já tens namorada?" - "tenho, tenho, tenho", disse rematando depois com as sábias palavras "se não tivesse namorava consigo".

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Se ela quisesse...

Se ela quisesse casava-se já!
Está naquela fase em que os homens (especialmente os casados) olham para mulheres como ela com ar de desdém, assim como quem diz "é uma solteirona" e pensam "boa para levar para cama numa noite". Está naquela fase em que os outros, os solteiros, olham e pensam "se ninguém a quis por alguma razão foi, é boa para levar para cama numa noite".
As mulheres como ela padecem desse estigma e por eu lhe dizer isso, ela um dia respondeu-me: "mãezinha, se eu quisesse casava-me já".
E, de facto, tudo seria aparentemente mais fácil. Dois ordenados em vez de um só, a prestação da casa paga a meias, a água, a electricidade, o gás, o supermercado. Não tinha que andar sempre a fazer contas. Podia andar "montada" num belo carro. Tirar férias sem ser no campismo. Ter mulher-a-dias em vez de me pedir que lhe lavasse a roupa e a passasse, em vez de tirar as tardes de domingo para limpar a casa. E o estatuto? De ter a mulher a dias, ir de férias para o hotel, ser casada com fulano de tal. Comprar roupas quando lhe apetecesse. E cds. E dvd's. E ter televisão por cabo. E ter perfumes em vez de amostras. E ir ao cabeleireiro eà depilação e ao raio que a parta todas as semanas. Quanto não vale isso - digo-lhe. É tudo o que uma mãe quer para uma filha. Um homem bem posto!
Se ela quisesse casavasse já! Mas atão! Meteu na cabeça que queria era ser feliz. Onde é que já se viu coisa igual? Ai filha! Nos tempos que correm! Moça sem trambelho!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Um programador é...

Tendo em conta que, do ponto de vista cultural, os principais objectivos de um cine-teatro deverão ser a democratização do acesso às artes do espectáculo e performativas em toda a sua diversidade; a criação, formação e fidelização de públicos, a promoção da qualificação do tecido cultural e artístico local e a ainda a promoção da cooperação com outros agentes culturais públicos e privados, para mim um programador dever ser capaz de:
- desenvolver uma estratégia de desenvolvimento cultural e artístico tendo em conta a população local, no respeito pelos diferentes níveis de desenvolvimento local e de acordo com a diversidade social e cultural de cada uma das populações abrangidas;
- conceber programações aptas a chegar a diferentes públicos ou aptas a atrair diferentes públicos;
- não compactuar com uma filosofia de programação avulsa, casuística e sem critérios artísticos;
- resistir a meras reocupações mercantilistas ou de natureza estatística ou à imposição de padrões de natureza estética, política e ideológica.
Temos cá disto?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Abençoados!

Vivia-se naquela zona uma azáfama grande. Costumo ir à do Sr. Maia tomar café, mas naquele dia custei a chegar ao balcão. Muitas senhoras bem postas atropelavam-se. Os cabelos muito arranjados, as unhas, os sapatos como novos, muitos fios, muitos colares, muitos brincos, muitos anéis. Uma verdadeira festa. As avós. Vi tantas avós com fato domingueiro, saia e casaco de ir à missa. Depois nas mãos dos homens muitos ramos de flores. Uma alegria contagiante nas pessoas, nos rostos contentes. Vieram de longe, de propósito levantaram-se cedo para assistir à bênção das pastas dos filhos, das filhas, dos sobrinhos, dos afilhados. E eles estavam todos lá também, claro. Com aquelas fardas feias (eu odeio fardas!). Todos e todas vestidos e vestidas de preto, com uma espécie de mantos cravados em emblemas.
E eu pensei…que me cheirava a Estado Novo, a salazarismo, a fascismo. Pensei que nada daquilo me fazia sentido. Pensei que se tratava de celebrar a tradição e que eu própria não sabia o que era a tradição. Pensei ainda que uma mera licenciatura não merecia tudo isto. Era só mais um passo na vida a seguir a outro passo da vida. Uma ordem natural das coisas.
Mas não. Não é ainda assim. Para muita gente não é ainda assim. A licenciatura dos filhos é a primeira e a única na família. Representa um patamar diferente no seu estatuto. Ou pelo menos ambiciona-se que assim seja. É uma vaidade. É o sonho dos pais tornado realidade. É um orgulho. Trinta e seis anos após o 25 de Abril que democratizou e bem o acesso ao ensino superior, tirar uma licenciatura ainda é uma festa. Pode ser que os filhos desses licenciados ou talvez os netos já o encarem como algo de natural e deixem de usar os anéis de curso nos dedos e os doutores e engenheiros como títulos antes dos nomes próprios.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Serviço Público!

Não bastava terem-nos cortado as ligações ferroviárias de Beja para norte, leia-se Lisboa, senão também as rodoviárias – agora – para Sul?
Eu explico!
Quis ir para Faro no domingo passado e como sempre optei pelo autocarro das 18h30m, caso contrário teria que me levantar cedo para apanhar o das 11h30m e levantar-me cedo não é propriamente uma coisa que goste de fazer ao fim-de-semana.
Assim, esperei pelas 18h15m e fui comprar o meu bilhete. À minha frente entre cinco a seis pessoas. Na bancada uma lista de espera. O expresso que vinha de Lisboa não tinha, à partida, lugares para tanta gente, mas a dúvida subsistiu até à última da hora e só depois de saírem passageiros é que soubemos quantos lugares ficaram vagos. É claro que não tive hipóteses e fiquei em terra. Restou-me a alternativa da uma e um quarto da manhã com quatro horas de viagem pela frente.
E perante isto eu pergunto-me: Que raio de serviço público é este que todos pagamos?
Quem pode fazer pressão para que os transportes públicos do Baixo Alentejo funcionem condignamente?
Ainda falam em privatizar mais empresas de bens “de primeira necessidade”?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Não escrevi...

Não escrevi sobre o 25 de Abril porque custa-me falar do que queria ter vivido.
Não escrevi sobre a visita do Papa porque custa-me falar da fé que queria ter tido.
Não escrevi sobre a Ovibeja porque custa-me escrever sobre o que podia ter sido.
Não escrevi sobre o PEC porque me custa pensar que o cidadão sai vencido.
Podia ter escrito, mas não me tem apetecido!

domingo, 16 de maio de 2010

Pschiu!

4 semanas e 4 fins-de-semana sem palavrinha alguma.
Às vezes, muitas vezes é melhor estar caladinha.

domingo, 9 de maio de 2010

pschiu!

3 semanas e 3 fins-de-semana sem palavrinha alguma.
Às vezes, muitas vezes é melhor estar caladinha.

domingo, 2 de maio de 2010

pschiu!

2 semanas e 2 fins-de-semana sem palavrinha alguma.
Às vezes, muitas vezes é melhor estar caladinha.

domingo, 25 de abril de 2010

pschiu!

1 semana e 1 fim-de-semana sem palavrinha alguma.
Às vezes, muitas vezes é melhor estar caladinha.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Uma coisa, uma coisa

Tenho uma "coisa" com os homens dos restaurantes! Ou melhor, os homens dos restaurantes têm uma "coisa" comigo. Havia um que, com a desculpa que queria colocar os dados dos clientes numa base de dados, me surripiou o número de telemóvel e me enviava mensagens do mais estranho. Demorei a descobrir quem era. Não associava.
Depois com outro tinha que profissionalmente negociar preços de refeições, cardápios, descontos, pagamentos, etecetera. Agora todos os dias, mas todos, todos os dias me envia uma mensagem lá para as 11h35m com a ementa do dia.
Diariamente lido com outro. Vou almoçar a um sítio que é restaurante, self-service e café e fico invariavelmente sentada no café onde como a minha tosta mista e a minha meia de leite. Pois bem! O homem não se habitua. Não se conforma. E meia volta diz-me "deixe isso, não coma essas porcarias, isso faz-lhe mal" ou "hoje só para lhe abrir o apetite digo-lhe que o prato do dia é tal, tal e tal", ou ainda "venha daí faça uma visitinha ali ao lado". Bom. Todos os dias (ou quase) estas reprimendas. Vai de lá, ontem, dia 15 de Abril, um bom dia para se recomeçar uma dieta, não é? - resolvi ir ao self service comer uma sopinha. Tchiii e o contentamento do homem? Só visto!
É assim. Tenho uma "coisa" com os homens dos restaurantes. No caso concreto deste acho que me via engordar dia após dia e não lhe caia bem.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Olha!

Vieram pesquisar no meu blogue pela palavra "mainante".
A minha avó é que tinha razão!
Ela alertava-me sempre: "tem atenção aos mainantes".

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Verão Azul


Com esta coisa nova da tv por cabo...
...sabem o que vejo?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Assim estou eu!

Lembram-se daquela senhora dos anos 80 que aparecia televisão adentro aflita com a roupa por lavar e num grande dilema que imediatamente solucionava?
Ela dizia assim: "Já escolhi!"
E depois passados uns segundos que em televisão podem parecer horas, a surpresa: "É Candy".

segunda-feira, 12 de abril de 2010

OFEREÇO


domingo, 11 de abril de 2010

Reincidências






















Há várias "coisas" em que reincido.
O sushi é uma delas.
Só nesta semana fomos lá 2 vezes.

sábado, 10 de abril de 2010

Hoje...

...dei por mim a pensar no novo paradigma de relação do século XXI e descobri o quão antiquada sou. E como gosto de sê-lo!
Que bom!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

finalmente...



...hoje vesti t-shirt!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

delírios primavero-febris

Abril não é apenas um mês. Mais um mês. Abril é a estação. Traz com ele a prima Vera. A democracia. O fim da censura. A libertação e a libertinagem. Os cravos e as rosas. O calor. A palavra e a voz quente. A LIBERDADE e os delírios febris.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

3º LUGAR:
Um mão cheia de…(João J.)
Levava na mão
Cheia de feijão
Para trocar
Por pão.

Levava um
Chimpanzé
Para me coçar
O pé.

Levava um
Cão
Para meter medo
A um ladrão.

Encontrei
Um leão
Que me comeu
O feijão e o cão.

Encontrei
O Barnabé
Que me levou
O chimpanzé.
O meu sobrinho mais velho ganhou o segundo e o terceiro lugares num concurso de poesia. Se pensarmos que também é sobrinho do poeta Gastão Cruz, então não nos admiramos assim tanto!?
2º LUGAR:
Se eu fosse Professor (João J.)

Se eu fosse professor
Era muito atrapalhado,
Tenho a certeza
Que não dormia descansado.

Todo o dia a trabalhar,
Sem parar.
Papéis, papelinhos, papelada
É que não me iam faltar.

Mas agora
Que imagino,
Ensinar meninos a escrever e a contar
Havia de compensar.

terça-feira, 6 de abril de 2010

dúvida pertinente

Ela sabe que a grande questão do momento, aquela que o assola, consiste em saber se ela optou novamente pelas boxer's de cintura descaída ou se, pelo contrário....

segunda-feira, 5 de abril de 2010

NÓS VAMOS CONSEGUIR FAZER "AQUILO".
NÓS VAMOS.
ATÉ FINAIS DE MAIO!
TEMOS 2 MESES!?
POR ISSO, PORTANTO, NÓS VAMOS CONSEGUIR.
Ai vamos, vamos!
(repitam comigo vocês vão conseguir, vocês vão conseguir. só para sentirmos força e boas vibrações.)

domingo, 4 de abril de 2010

Margarida

Ai, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que farias tu com ela?

-Tirava os brincos do prego,
Casava c'um homem cego
E ia morar para a Estrela.

Mas, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que diria a tua mãe?
- (Ela conhece-me a fundo.)
Que ha muito parvo no mundo,
E que eras parvo também.

E, Margarida,
Se eu te desse a minha vida
No sentido de morrer?
-Eu iria ao teu enterro,
Mas achava que era um erro
Querer amar sem viver.

Mas, Margarida,
Se este dar-te a minha vida
Não fosse senão poesia?
-Então, filho, nada feito.
Fica tudo sem efeito.
Nesta casa não se fia.
Letra: Álvaro de Campos
Música e voz: Camané

quarta-feira, 31 de março de 2010

de pousio


terça-feira, 30 de março de 2010

segunda-feira, 29 de março de 2010


Quando se fala muito de uma coisa a gente desconfia, não é?


E quando não se fala nem se diz nada?


É porque estamos dentro de um SEGREDO?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Abril trabalhos 1000

Há pessoas que levam o dia todo a dizer que têm muito trabalho para fazer.
Ai isto! Ai aquilo! Ai que horror! Ai como é que eu consigo! Ai que boa que eu sou (pensando)!
Eu não digo nada.
Eu só quero mesmo é fazer. Como diria Cavaco SIlva "Deixem-me trabalhar" e como acrescentaria o Serafim "e não me moam!". Fora do horário normal de trabalho, para Abril, trabalhos mil...


Sapatos
Estruturar secções
Definir temas
Escrever - entrevista
Escrever - caixa
Escrever - breves
Escrever - outras secções
Azeite
Press – Escrever textos
Folheto – Escrever textos
Azeitona
Press – Escrever textos
Folheto – Escrever textos
Azeite e Azeitona
Site – Escrever textos
Ovelha
Estruturar jornal 1
Estruturar jornal 2
Escrever conteúdos (notícias, entrevistas, reportagens)
Carta "Olá, eu sou...,eu sei..., eu gostava..."
Possibilidade 1
Possibilidade 2
Possibilidade 3 (?) - consultar conselho consultivo.
Portfólio
Fazer estrutura (cronológica)
Reunir documentos que faltam
Fazer digitalizações que faltam
Tirar fotografias que faltam
Rede
Corrigir texto inicial
Acrescentar sub-títulos
Acrescentar exemplos
Regionalista
Sugestões
Secções
Conteúdos
Piolhosos
Escrever Estatuto
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Escrever Carta 2
Escrever Nota 3
CAPa
Avaliação
Sugestões
Eufêmea
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quarta-feira, 24 de março de 2010

Entalado!


sábado, 20 de março de 2010

Ao que isto chegou!

A gente escreve um post sobre o estado da formação da informação na região (eis aqui a melhor das cacofonias).
A gente escreve desvalorizando a abertura de um lugar para jornalista em Beja. Pelas razões atrás expostas.
Sim. A gente escreve e há logo quem comente "acho que devias concorrer".
A gente pega no telefone e pergunta "achas? porquê?".
E ele responde "estás armada em esquisita?".
A gente desliga e fica a pensar naquilo.
E...no outro dia a gente vê outro anúncio a pedir jornalistas. Também. Também para Beja.
E então a gente pensa "MERDA! QUE EU TINHA RAZÃO!"
O dito anúncio de um novo projecto editorial para o Alentejo (sim vai aparecer um novo jornal em Beja depois de ter ouvido dizer que outro ia sucumbir), mas dizia eu...no dito anúncio lê-se assim (copy/paste):
Perfil Pretendido:
- Com idade até aos 35 anos, habilitados com o ensino secundário completo ou nível de qualificação 3 ou 4, ou com formação superior (preferencialmente em áreas ligadas a Comunicação Social/Jornalismo/media ou equivalente);
- Com ou sem experiência.
- Motivação e interesse na área da imprensa escrita;
- Gosto pelo trabalho em equipa;
- Bom comunicador(a) e com algumas aptidões comerciais serão factores valorizados;
- Vontade de aprender;
- Pro-activo;
- Carta de condução.
E PASME-SE oferece o seguinte:
Oferece-se:
- 6 meses de estágio curricular (não remunerados, mas com suporte das despesas inerentes ao desempenho da função);
- 20% de comissões sobre os contratos de publicidade angariados;
- Viatura e telemóvel de serviço;
- Atribuição de diploma de frequência de estágio;
- Carta de recomendação (desde que a avaliação final do estágio seja positiva)
Carga horária e locais de Estágio:
- 40 horas semanais;
- Évora e Beja
Comecemos pela tal da formação. Não importa se tens o secundário, um curso de nível 3 ou 4.
Passemos para a remuneração: não existe!
E o descaramento é tanto que se dão ao luxo de valorizar as aptidões comerciais e oferecer 20 por cento em comissões sobre os contratos de publicidade angariados.
HÃ!?
Mas desde quando é que um jornalista faz contratos de publicidade?
Cá está! Eu tinha razão!
Estudar umas coisinhas, assim tipo uma ética e uma deontologia não fazia mal a ninguém, não senhor.
Assim não vamos longe! Confirme.
* os sublinhados são meus

sexta-feira, 19 de março de 2010

Dia do Pai





















Sempre soube que tinha um pai diferente. Diferente do pai dos outros meninos e meninas. Digamos que um pai com possibilidades educativas especias. Os pais dos outros meninos e meninas tinham trabalhos árduos e duros. O meu pai trabalhava num escritório com muitas folhas, lápis, canetas coloridas e deixava-nos escrever à máquina. Na casa dos outros meninos e meninas havia muitos cães de loiça e rendas e naperons e na casa do meu pai havia muitos livros e jornais e outros papéis e era tudo um pouco mais desarrumado, mas nós não tínhamos medo de nos mover entre as coisas. Se partíamos um copo um prato ou assim, ninguém ralhava connosco. Diziam "deixa estar, não faz mal, acontece". Na casa das minhas amigas e amigos, não. Havia castigos. Por estas e por outras eu sempre soube que tinha um pai com possibilidades educativas especiais.
Ele adormecia-nos a contar histórias e inventava-as na hora. Sei-o porque no dia seguinte pediamos-lhe aquela outra vez e já nada batia já certo. Porém, antes de irmos dormir e como só entrávamos ao meio-dia, víamos todas as séries do Hitchcook com ele. E depois tínhamos medo, mas como ele tinha uma espada para matar os maus, descansávamos em paz. Se nos queixávamos que tínhamos que ir para a capela do Patronato o meu pai dizia "mexam a boca e façam che che che, fazendo de conta que estão a rezar". E nós fazíamos. Ao sábado íamos com ele ao mercado e depois à cooperativa quando não havia ainda hipers em Beja. A paciência do homem! Realmente sempre soube que tinha um pai com possibilidades educativas especiais. Os pais dos meus amigos e amigas não iam às compras, só trabalhavam, almoçavam e jantavam em casa e depois saiam para ir beber copos com os amigos.
Antes disto tudo, era eu muito pequenina, um dia o meu pai quis levar-me à feira de Agosto ou de Maio, não me lembro. Vínhamos de Baleizão e nunca tíinha ido a uma feira e durante todo o caminho perguntei: "aquelas luzinhas são a feira?, aquelas luzinhas são a feira. Devia estar a ver as Neves ou Beja ao fundo, não sei. O caminho pareceu longuissimo.
O meu pai é que ia às reuniões da escola. Ele era o encarregado de educação. Os pais dos outros meninos não. Ele via os nossos trabalhos, os nossos desenhos, os nossos carimbos, as nossas fichas. Ele fazia connosco os trabalhos de casa. E uma vez fez comigo um trabalho sobre o 25 de Abril e outra sobre o Nélson Mandela. Com o primeiro ganhei um prémio: um disco (LP) dos Trigo Limpo. Que alegria e que desgosto! A gente chegava a casa a queixar-se que a professora dava reguadas nos meninos e ele dizia-nos para falarmos com a professora e queixarmo-nos que não gostávamos de ve-la a bater nos nossos amigos. Enfim, um pai com possibilidades educativas especiais, pois os pais dos outros meninos, pelo contrário, incitavam a professora a bater nos seus próprios filhos!!??.
Uma vez o meu pai fez com uma caixa de cartão e umas roldanazinhas uma televisão para nós, outra vez construi em esferovite uma casa miniatura com o meu irmão e outra vez ainda fizemos um jornalinho.
Quando ia trabalhar para fora levava-nos. Enquanto tinha as reuniões nós dormiamos nos sofás dos gabinetes dos presidentes de câmara ou, consoante a hora do dia, sáltavamos pelas janelas para dentro e para fora dos edifícios. Se não íamos era certo que nos trazia um presente: uma borrachinha para a colecção, um bloquinho, roupa da loja O Balão e dos Porfírios. Este homem com possibilidades educativas especiais deu-me a ler todos os neo-realistas, o livro da madame Curie, o diário de Anne Frank e tantos outros.
Quando a minha mãe não estava em casa organizava jantares pick-nick. Estendia uma toalha no chão da sala e ia buscar empadas ao Luís da Rocha e croquetes e rissóis à Cozinha. Se era preciso zangar-se, zangava-se, mas sabia fazer as pazes. Nunca deixou de falar a um filho como o faziam os pais dos outros meninos e meninas e também nunca nos deixou ir brincar para a rua sem um horário de ida e de volta como os pais e as mães dos outros meninos e meninas.
Eu sei e sempre soube que o meu pai tinha possibilidades educativas especiais: oferecia-me prendas no dia da criança, depois no dia da mulher e houve uns anos em que ficou confuso e os dava nas duas alturas. A primeira lingerie que tive foi ele que ma deu, assim como o primeiro perfume. Os pais das outras meninas não. Hoje ainda se preocupa se eu vou ao dermatologista e se ponho os cremes de dia e de noite, se ando bem de saúde e faço análises todos os anos, se vou ao dentista, ao oftalmologista e ao ginecologista. Os pais das outras meninas não.
Ele tinha o sonho de nos levar a Paris. E levou-nos. E um ano - desorientado com a vida - carregou connosco para o Norte do país. Temos fotografias e vídeos e nenhum de nós se esqueceu dessas aventuras. Em todos os caminhos ele tinha amigas que nós podíamos conhecer. Os pais das outras meninas não: escondiam-nas.
É o meu pai. Até hoje um homem com possibilidades educativas especiais.
Hoje é o dia dele porque é o dia de todos os pais do mundo e também porque ele está preocupado com a vida e anda adoentado e, portanto, precisa de mimo. Por isso lhe ofereço este texto e também porque não tenho para já dinheiro para lhe oferecer uma prenda.