quinta-feira, 18 de novembro de 2010

terapia do elogio/cartas de recomendação

há pessoas que têm dificuldades em fazer elogios (ponto final) dizer coisas simples como "olha que bonita que estás", "bem lembrado da tua parte", "és capaz de ter razão", "gostei da tua proposta", "estás a evoluir, continua" e outros ainda mais simples como "gosto de estar aqui contigo", "és simpática" (ponto final)
há inclusive pessoas que não são capazes de lamentar os teus desgostos, que fogem a sete pés se te vêem com uma lágrima a escorrer cara abaixo (ponto final)
há mesmo pessoas incapazes de dar um abraço, passar a mão pelo ombro ou apertá-la com força (ponto final)
há pessoas - vejam lá - que nem os parabéns conseguem dar-nos (ponto final)
ou - ainda mais absurdo - aquele beijo de despedida antes das férias grandes do Natal (ponto final)
há pessoas e pessoas!
elenquei todas as residências que produzimos nos últimos 3 anos + os espectáculos que produzimos nos últimos 3 anos, acrescentei que tinha sido responsável pela comunicação e pela contabilidade da casa e que - em termos administrativos - havia concebido alguns instrumentos facilitadores da boa prossecução do trabalho (ponto final)
esta última parte tirou "porque dava mau aspecto", disse (ponto final) "é como se nós não fossemos organizados antes de tu chegares" (ponto final) e disse "sim, está ok, vou assinar" (ponto final)
então e não dizes, não acrescentas, não escreves que fiz essa merda toda bem?
"ah!", exclamou (ponto final) "pois", tendo acrescentado a seguir um parágrafo quase, quase elogioso (ponto final)
realmente ele há pessoas (reticências, conjunto de supostos não pontos finais, mas que não finalizam nada deixando tudo em aberto)
há pessoas que não recomendo!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

amizades aromatizadas

telefonou-me e leu-me uma lista extensa de nomes de ervas aromáticas
[atenção o meu sobrinho encheu-me o teclado com missangas "minusculinhas" e agora carrego no ponto final e NADA- está por debaixo uma missanga a encravar o processo]

telefonou-me e leu-me uma lista extensa de nomes de ervas aromáticas
são todas as que tenho no quintal
escolhe

tínhamos estado na noite anterior a beber um copito e a inventar empresas para fazermos
e eu disse "uma de ervas aromáticas"
como tem bastantes no quintal
telefonou-me e leu-me uma lista extensa delas
eu escolhi
poejos que adoro, coentros e oregãos

o João que me telefonou é professor universitário aposentado e tem uma horta e filhos e filhas da minha idade
o João é um bacano
acho que o João é um amigo
hei-de fazer-lhe uma açorda!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Planos
+
Propostas
+
Estratégias
+
Parcerias
+
Sinergias
+
Empatias
+++++++++++++++ espírito positivo++++++energia+++++persistência++++esperança++++
criatividade ++++originalidade+++++espontaneidade ++++ naturalidade +++++++++++++
+++++

domingo, 14 de novembro de 2010

quando as emoções causam as doenças!

"Todos nós já percebemos que quando passamos por momentos importantes de tristeza, ansiedade, raiva, problemas afectivos, pelo "stress", o nosso organismo reage e algumas vezes sentimos uma baixa da resistência. A gripe arrastada, o herpes labial, uma gastrite são formas de apresentação destas situações que enfraquecem as nossas defesas.
As tensões cronicas desencadeiam mudanças na temperatura do corpo, no processo da digestão, na pressão arterial, nos batimentos cardíacos, na respiração entre outros. Desta forma os conflitos que não encontram espaço para serem resolvidos na mente são transferidos para o corpo. Este processo é descrito pelos médicos como Somatização".

sábado, 13 de novembro de 2010

devia de estar a esta hora no 2.º módulo do workshop de jornalismo cultural da jornalista do Expresso Claudia Galhós, mas o meu corpo não quer, não quis e eu não o obriguei.
estou doente.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

escuta-te

estou doente!
às vezes o corpo precisa de adoecer como que a dizer-nos escuta-me preciso de descansar.
eu escuto o meu corpo.
o meu corpo fala comigo.
e eu obedeço-lhe

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ordenados mínimos!

os meus vizinhos do lado esquerdo da porta e do lado direito do prédio não têm nome. ela não se chama nome de filha, ele não se chama nome de filho e a outra ela mais velha não tem nome de mãe. são três se excluirmos o cão, deutsch.
a velha tem lugar de estacionamento reservado à porta para um clio azul, por baixo a cadeira de rodas pintada de amarelo, porém nenhuma deficiência que salte à vista. conheço-a pelos gritos estridentes que dirige aos filhos, pelo tom alto da voz e pelos sussurros com que presenteia o cão “meu querido, meu amor, chéri anda cá à dona”.
a filha sem nome é gorda. gordinha e anafada. sai de manhã muito cedo, ao meio-dia e meia encontro-a no café e quando regressa não sei.
o rapaz, homem da casa não tem nenhuma autoridade ainda que a frase precedente o fizesse supor. nem nome, quanto mais! de vez em quando também grita, mas não muito alto. a forma suprema que tem de se zangar é batendo com toda a força a porta da rua. para onde irá ele agora? penso.
nesta casa não há pai, só descendência. amargura. revolta. um certo enclausuramento. não sei quantas divisões têm, só que há uma marquise contígua à minha. e paredes meias também.
porque moram estes filhos ainda com a mãe? porquê se cada um deles tem bem à vontade trinta anos no cu?
há gente comodista é verdade! que prefere estar na casinha dos pais a ter de ser desenvencilhar sozinha. têm cama e roupa lavada. não gastam dinheiro em comida. em água, gás e electricidade e muitas vezes andam em carrinhos bem montados.
mas estes vizinhos não! estes vizinhos dão-se todos tão mal, tão mal, mas tão mal que chego a ter pena deles.
não ganham por certo muito mais que o ordenado mínimo, pois caso contrário já teriam deixado a mãe entregue ao cão. tenho a certeza!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

nós por cá temos disto e mto +

recebi agora a newsletter.
no Pátio das Letras, uma livraria do tipo da do Serafim e do tipo da do Paulo Barriga, vai ter lugar no sábado uma tertúlia com Mário Zambujal dedicada ao tema: as paixões arrebatadas são como o vinho das melhores castas: primeiro alegram, depois embriagam, um dia azedam”.
inteligente, engraçado, não?

uma mulher de assentos/ acentos tónicos no A

...no A de amor, no A de António, no A de há, de existir e no A, de à procura de corrigir os ÁS maltratados dos folhetos, das tabuletas, das ementas, dos bilhetes, dos cartazes, e dos AZES da ortografia portuguesa com certeza!

episódio n.º 26

uma vez estávamos nós no Pereira com uma amigo e lembrámo-nos de começar a "aventar"nomes para um projecto que esse dito amigo tinha em mãos. ele (não o amigo, mas ele) sugeriu o nome mais interessante. eu gostei. e disse-o. e reforcei. depois ao passá-lo para o papel escrevi-o direitinho e ele comentou "só esta mulher é que me sabe por bem os acentos no A". foi um elogio. podia ser um comentário vulgar, mas para mim não. gosto de ver bem tratada a língua portuguesa. gosto de perceber que as pessoas se esmeram a escrever. que tem cuidado e que a tratam bem. e odeio dar erros sem querer.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SONOTONE para os NARCISOS

o tema pode ser recorrente. talvez. admito. admito porquanto sei que me incomoda e cada vez mais. aflige-me esta lufa-lufa desenfreada que vai na cabeça das pessoas. de algumas pessoas. certas vezes tenho vontade de lhes enfiar um ansiólítico guela abaixo.
o zum-zum, a pressa, a correria, a urgência, o fim-do-mundo em cuecas e o último grito da batata frita está no interior de cada cérebro.
ninguém tem tempo para nada.
ninguém tem tempo para ninguém.
porém, pessoas assim não se dão conta que gastam demasiado tempo consigo próprias. tal e qual a lenda de narciso que espreitando o rio viu a sua imagem reflectida e ficou encantado consigo. dai advém a palavra narcisismo e a todos e todas quanto assim se comportam eu costumo chamar-lhes isso mesmo NARCISOS e NARCISAS.
são, regra geral, pessoas que não se desvinculam de si próprias, que vêm o mundo girar à sua volta, à volta do seu umbigo. gostam de falar porque gostam de se ouvir. masturbações ao vivo. ao telefone, nas reuniões, nas mesas de café.
pessoas também, por norma, pouco atentas aos outros, às suas necessidades, aos seus estados de espírito, às suas expressões corporais e até faciais.
falam, falam, falam. ou melhor vomitam. vomitam para cima de nós fazendo de nós baldes do lixo.
estou tão cansada de pessoas assim. e volto a falar delas porque recentemente descobri que a culpa é minha. gramar com elas e aturá-las só depende de mim. fi-lo (sim! porque já não o faço mais!) porque essas pessoas me davam a possibilidade de dormir enquanto existiam já que não lhes importava muito saber o que me ia na cabeça! enquanto falavam podia fazer na minha cabeça listas de compras, as contas do mês, mudar os móveis da casa toda contando que as deixasse falar.
e do lado de lá nem uma pergunta. então como te sentes? então como te corre o trabalho? como te sentes outra vez? (esta é a pergunta mais importante e pertinente que pode fazer-se a alguém), tens passado bem? que planos tens para amanhã? e para depois? e para a vida? estás doente? o que é que precisas? e os teus irmãos como estão?
NADA!
há pessoas que só elas estão doentes, só elas têm problemas, só elas têm casos amorosos, só elas têm mães chatas e pais ausentes, só o carro delas é que pifa, só o dinheiro delas é que não estica, só elas, elas, elas.
só essas pessoas são capazes de estar a falar ao telefone 13 minutos e 52 segundos sobre si próprias e no segundo 51 perguntam e "está tudo bem?".
este natal vou oferecer uns aparelhos SONOTONE, sob pena de colocar em causa amizades promover rupturas dolorosas com riscos acrescidos para os doentes em questão!

Justificar completamente

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

dias oitos da minha vida

hoje fui dia de pagar a renda!
para mim e para o Mundo.
sem aviso prévio, sem preparação psicológica, sem anestesia geral, a frio, sai-me da conta como que por magia em todos os dias oitos da minha vida tanto dinheiro que me custa tanto a ganhar.
trezentos euros assim, zás, num de repente.

neste dia e nada tendo a ver com isso tomou conta de mim um endiabramento.
o dia foi longo.
só jantei às dez da noite e sozinha numa cervejaria.
já estou habituada mas ainda assim não me habituo.

pago a renda sozinha.
o supermercado sozinha.
o médico sozinha.
as viagens para o médico e outras sozinha.
o seguro de saúde sozinha.
o crédito das mobílias sozinha.
a zon sozinha.
a electricidade sozinha.
o gás sozinha.
a água sozinha.
o telemóvel sozinha.
o outro telemóvel sozinha.
o condomínio sozinha.
a prestação da proteste sozinha.
e a da amnistia internacional também.

mas não são as contas que quero partilhar. nem nos dias oitos nem nos noves nem nos dez.
era só aquele jantar.
naquela cervejaria.
àquela hora.
o jantar.
e o endiabramento.

domingo, 7 de novembro de 2010

aos domingos...

...regra geral "dá-me o coração a pancada".

sábado, 6 de novembro de 2010

além-fronteiras já aqui

hoje fui a Huelva.
fui com a minha irmã. passear e comer tapas.
para o mês que vem vamos a Sevilha.
só temos que ter em atenção um pequeno pormenor: o radiador do carro!

está roto e fez-nos parar uma meia dúzia de vezes para lá e para cá em plena auto-estrada.
deitávamos-lhe água destilada com fartura e ele parecia um vulcão em erupção.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

fds

há vésperas em que me vão faltando as forças para enfrentar o fim-de-semana!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

escândalos ou como se mexem cordelinhos e se viciam os dados

Quando, há 3 anos atrás, fiquei durante 5 meses desempregada concorri a vários concursos públicos. Lia atentamente o Diário da República, 2.ª série, e concorria. Contudo, não fui prestar provas a nenhum. Surgiu-me uma oportunidade que agarrei com unhas e dentes e cá estou. Porém, e apesar de estar bem continuo atenta a outras possibilidades e arrisco. Move-me uma certa vontade interior de regressar à minha terra, não obstante aqueles com quem me cruzo me avisarem cada vez mais "está quieta! quem cá está quer-se ir embora! isto é uma merda!".
Enfim.
Numa destas tentativas de escapar à diáspora concorri para preenchimento de um lugar no gabinete de comunicação da Câmara Municipal de Almodôvar.
No primeiro dia em que prestei provas esperei pela minha vez como todos os colegas e encontrei uma particularmente simpática que curiosamente cumprimentava todos os funcionários da autarquia com olás rasgados de bom-dia. A prova estava marcada para as 11 horas, mas como os serviços funcionam bem fi-la às 4 da tarde. Três dias inteiros de trabalho perdidos: o anterior (pois não há transportes de Faro para Almodôvar), o da prova e o seguinte, pois tive que pernoitar também em Beja para só depois regressar ao Sul.
A concorrente estava muito nervosa. Dizia-se muito nervosa e, de cada vez que o júri abria a porta para mandar entrar o próximo, lá rasgava outro olá.
Todos a acharam fácil. Era sobre legislação autárquica e de comunicação social. E com consulta. Pessoalmente sai de lá com a sensação que me tinha corrido muito bem. Acertei em tudo.
Porém, desconfiada com o comportamento daquela concorrente liguei a um conhecido e perguntei-lhe frontalmente "Sabes se na Câmara precisam mesmo de álguém para o gabinete ou aquilo já está feito?", ao que o meu interlocutor respondeu "Não sei, mas tem estado lá uma estagiária", ao que retorqui "Chama-se Patrícia?", "Sim", acrescentou.
Dissipei as dúvidas quando vi as notas e reparei que a dita cuja tivera a nota mais alta de todas! Numa prova onde não há margem para erros!
Feita teimosa fui à segunda fase! Eu e os outros!
Outros 3 dias de trabalho perdidos!
Um dia inteiro a saltar de sala em sala. Pela manhã testes de atenção e concentração, de flexibilidade cognitiva, de rapidez perceptiva, de não sei o quê verbal e abstracto e - PASME-SE! - um teste de personalidade.
A psicóloga achou estranho eu, no final, querer anotar o nome dos testes num papel. E também talvez o facto de eu ter respondido, quando ela me ia dar um lápis para fazer os testes, "quero caneta, isto ou fica ou não fica".
Bom, após os testes, tivemos uma entrevista de grupo e a seguir uma entrevista individual. "Você é a pessoa mais difícil que tenho aqui", disse-me a psicóloga. "A pessoa que me vai dar mais trabalho", acrescentou. E eu sem saber se ela dizia aquilo a todos ou se era mesmo verdade e dirigido a mim. "Você tem uma personalidade forte". E depois em ar de desabafo "Isto é uma pena, tenho que ficar com os processos das pessoas durante 180 dias, se isto acabasse logo, mas não". Acrescentando "há realmente aqui pessoas com perfil". E no final "pronto, ao menos, ficou a saber como é que estas coisas funcionam".
Tire cada qual suas ilações. Eu já tirei as minhas.
Fiquei apta, mas a Patrícia ficou em primeiro lugar.
Até porque é preciso ter em conta uma variável importante: este concurso não tinha em conta um item importante a AVALIAÇÃO CURRICULAR, pois só assim é que uma estagiária podia passar à frente de todos os elementos.
Agora além de dúvidas do foro ético, subsistem-me outras....
Até que ponto é permitido fazer testes de personalidade para a a entrada na função pública?
O que é realmente avaliado?
A que é que se dá primazia? A uma personalidade reservada, mas organizada ou, por exemplo, a alguém falador e desinibido, mas pouco organizado?
Quem define o que se valoriza? Se o obsessivo se o compulsivo?
Isto é constitucional?
Embrenhada nestas dúvidas liguei para a Câmara Municipal de Almodôvar e pedi para falar com o departamento de recursos humanos. Queria saber se tinha que marcar hora para consultar os processos ou se, pelo contrário, podia aparecer no normal horário de expediente. E disse assim "por favor, quero consultar o processo tal e tal" ao que a minha interlocutora doutora respondeu "ah! isso tem que ser com o presidente do júri", ao que eu respondi "então, por favor, passe-me a chamada", ao que ela respondeu "sou eu própria!".
É impressão minha ou parece que ficou nervosa e foi apanhada?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

trabalhos autorais

Esta semana há muito a fazer!

Deixemo-nos de lirismos.
Ele respondeu-me e disse, em post scriptum: "para mim, flirt significa uma relação sexual ocasional e eu não dei por nada!". Pois, pois não deu. Eu também não. "Vou mudar o título" - disse eu. Mas, entretanto e pensando bem não mudo coisa nenhuma. Lembro-me perfeitamente do uso da palavra nas obras de Eça de Queiroz. Era inocente. Tinha aquele sentido soft da troca de olhares, portanto o meu título FLIRT'S é queiroziano e assenta-lhe bem.

Adiante!
Esta semana há muito que fazer!

O boletim tem que ficar pronto.
Até que fui rápida na primeira paginação. Tudo arrumadinho, títulos, texto em colunas, fotografias, ficha técnica, mas... atenta às sugestões tive que mudar o tipo de letra e o espaçamento, ou seja, tenho que fazer tudo de novo.
Espera-me, por isso, uma empreitada, umas noitadas esta semana, mas desta feita com um designer ao lado. Quem sabe sabe e devemos dar ouvidos a quem sabe.
É o que eu vou fazer: aprender!

Ninguém gosta mais do que eu de um boletim, de uma folha informativa, de uma newsletter, de um jornal, de um veículozinho de comunicação escrita. Escrevê-los é um prazer, paginá-los é outro e lê-los...bom lê-los cada um me dirá.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

flirt's

fartei-me de pesquisar na internet quem ele era e não encontrei quem procurava. sei que foi um anti-fascista e comunista, caso contrário em Beja não teria direito a nome de rua. a Pedro Soares só lhe faltava o número 5, número da porta lá de casa. talvez por isso tenha pensado nele como vivendo logo muito dentro de mim, das minhas quatro paredes, do meu quarto e da minha cabeça. há também o Pedro Soares da PT, o das aldrabiçes, menino beto que ascendeu meteoricamente aos destinos do país, mas este...Pedro Soares, n.º5, de 5 estrelas também ou Peter de grow man ou Pedrito de Portugal é um quase amigo imaginário que não chegou a sê-lo porque eu desastrada como sou quando gosto das pessoas dou cabo de tudo.

conheci-o no curso de fotografia que fizemos no início de Julho com o fotojornalista do Expresso Luiz Carvalho com Z. as pilhas da minha máquina pifaram no segundo dia e ele foi a casa buscar umas dele e o carregador para mim. simpático, não?

simpático, simpático. admitam lá.

passado uns tempos tentou marcar um jantar com todos os colegas para trocarmos fotos, mas como eu não podia respondeu "oh! que pena!" e um almoçito, propôs, um "almoçito", assim mesmo, um "almoçito" vegetariano. acedi, claro. acedi. bebeu chá de gengibre e contou-me coisas da vida. um filho com dez anos, uma filha com seis e uma mulher a quem chama "a minha mulher" que desapareceu porque a vida é filha da puta e não vou contar-vos pormenores.
ia nesse dia entregar assinaturas à sede de campanha de Fernando Nobre. a ingressão na política activa era "coisa" nova para si. como para mim também encontramos um ponto em comum e falamos de alegrices e outras opções.

recebia dele e-mails daqueles que quase que se mandam a toda a gente, mas com um certo grau de selecção: petições, artigos interessantes, fotografias premiadas, etecetera. comentários no facebook também.

mais tarde convidei-o para um descafeinado depois do jantar na praia. encontrámo-nos no clube náutico, ficámos estendidos em puffs coloridos, descalços e com os pés sobre a relva à beira da ria formosa. nessa noite estava lua cheia, mas eu não comentei sequer. tinha as unhas pintadas e o meu vestido às flores.

num certo fim-de-semana levou-me até lisboa e deixou-me à porta do consultório. à volta da boleia fui ter com ele, subi à casa dos pais e estive a li a observar tudo. reparei que guardavam as cápsulas gastas da nespresso e passei a guardar também as minhas sem nem saber porquê. no caminho podia ter brincado com as crianças, inventado jogos, sugerido entretengas, mas estive demasiado centrada a observar a família.

depois disto ainda jantámos fora no meio de 27 pessoas, saímos para uns bares e uma discoteca, dançamos, bebemos gins tónicos e estou-lhe a dever um.

à medida que o tempo passava eu ia criando dele uma imagem. é sempre assim. ele provavelmente de mim também. olhava para ele como se olha para um homem mais alto. debaixo para cima. não sei porquê. um homem mais alto a que não conseguimos aceder. envergonhava-me. continha-me. censurava-me. estava desconfortável.

isto tudo porque cada vez gostava mais dele. já tinha dito que quando gosto das pessoas sou desastrada?

Pedro Soares nº 5 é meigo, atencioso, prático e pragmático, racional, mas emotivo q.b. sério, talvez até demasiado sério. inteligente. gosta de conhecer sítios, pessoas, lugares, de conversar e de ouvir (coisa rara entre nós nos dias que correm) e eu tive por ele uma quedazinha, ai tive tive.

mas já passou.

no outro dia quando o vi na feira pensei que podíamos ser bons amigos, mas envie-lhe um mail em formato de bomba suicida a ver se pegava ou largava e BUM! nem uma coisa nem outra.

foi somente a pessoa mais bonita com quem me cruzei neste reino dos Algarves. e isso merece um post, claro!

íntima idade/ intimidade

há um grau de intimidade que me transtorna.
este texto é para ser lido à noite. AVISO!
acordar todos os dias cansa e viver também, já dizia o outro filho da mãe que não me lembro se é o Pedro Paixão se o Miguel Esteves Cardoso. para o caso tanto faz. como preciso de me internar de quando em vez ou hibernar por via das séries que vi do National Geographic sei bem do que falo. não gosto de generalizações, mas convenhamos... com a idade aprendemos a generalizar em vez de ver que cada caso é um caso. portanto, já penso em termos de os homens são ou as relações são transformando-as num padrão determinado e com características comuns.
por isso digo: há um grau de intimidade que me transtorna. aquele de pensarmos as compras juntos, fazermos as listas, irmos até ao supermercado, pagarmos, colocarmos tudo nos sacos, depois no carro, depois na despensa. pensarmos o almoço de amanhã e o jantar. de ele se virar para nós e perguntar "e se hoje comessemos um franguinho assado?". transtorna-me aquele grau de intimidade em que as merdas simples do dia vão ganhando o estatuto de inhas e de inhos. aquele grau de intimidade em que ele vai para aa casa de banho connosco. o banho - por favor - é um momento tão privado, a não ser que queiramos transformá-lo numa limpeza da alma e aí já posso condescender. para não falar, claro, das outras limpezas orgânicas. transtorna-me aquela intimidade em que ele nos vê de avental ou de robe, qual doente em cama de hospital. já disse que me interno mas é sozinha. interno-me no meu interior e dispenso espectadores. há um grau de intimidade que me transtorna que é o das limpezas a dois. ele arruma a arrecadação, ela lava a loiça, ele aspira, ela passa a esfregona. não aguento. e nisto está-me cá a parecer que há aqui confusão de género. ou então para pobre sou muito esquisita - eis a frase mais reaccionária que podia dizer sobre mim. não precisa ver-me de óculos. é escusado. viajar, traçar percursos, trocar livros, discutir ideias, fazer projectos, combinar passeios, almoços, janteres, copos. fazer sexo. chega! é claro que o amor não está de fora disto. amor em doses terapêuticas, ou seja, nunca em excesso para não fazer mal. há núcleos impartilháveis de nós e devemos só deixar que nos povoem aqui e acolá a solidão. ele na casa dele, eu na minha, caso contraário rebento. rebento de tanta intimidade e eu não posso rebentar que tenho muitas coisas que fazer, entendem?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

dia de fins dados

Acordei na hora antiga e fintei os meus finados. Fui até ao shopping. Comprei packs de meias em promoção 100% algodão e comida para a Bia em saquetas moles, gelatinosas e em saldos. Encontrei um AA bébe: roliço, branquinho, cabelinhos alaranjados e sardinhas aqui e acolá. Durante todo o dia pus as mãos na anca à procura dos bolsos que não tinha e deixa-as deslizar cintura abaixo. Também me fiz leitora de Eduardo Sá em Sindicato da Bondade. Ainda quis mandar a alguém a frase citada por António Lobo Antunes "Quando sou tu sou mais eu", mas por impossibilidade várias não encontrei o destinatário na lista do Nokia que diz "connecting people". Aprendi sobre os movimentos artísticos dos inícios do século XX na arte: pintura, escultura, cinema, fotografia, dança, teatro e música. Futurismo, surrealismo, dadaísmo...Vasculhámos mais a fundo as alterações ocorridas após a década de 70: a nova dança, o novo teatro. Visionámos excertos de espectáculos espectaculares. Escrevemos sobre eles. Entrevistámos criadores via skipe e foi interessante. Muito interessante este workshop com Cláudia Galhós, jornalista do Expresso, especializada em jornalismo cultural a quem levei um beijo do Paulo Barriga. Como diz uma amiga é bom ter esta possibilidade de falar, trocar ideias, esmiuçar, tirar dúvidas sobre questões que nos tocam e que nos interessam. Às vezes à nossa volta as conversas são desinteressantes e eu sempre gostei de aprender. Também vi o Paris com a Juliet Binoche. É um bocado americanado para não dizer amaricado, mas tive dó daquele moço bailarino que não queria morrer sem voltar a fazer amor. O Jorge disse que verteu uma lágrima no The End e eu acho que foi por isso. Ainda bem que acordei na hora antiga. Pff!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

ESTOU DE POUSIO