quarta-feira, 11 de novembro de 2009

É hoje!

...o canalizador vai lá a casa!! Às três.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Bijoja este post é para ti!


Jony, Jony...tinhas sete anos. Estive agora a fazer as contas. Vias a Rua Sésamo em frente à televisão a comer bolachas como o monstro das bolachas. E via-la tão entretidamente e tão inocentemente que um dia me perguntaste se podias ir lá. Lá à Rua Sésamo. Deve ter sido uma carga de trabalhos para te explicar que aquilo não existia e era só cenário e deve ter sido também uma maldade tê-lo feito perante uma criança tão fantasiosa e crente como tu.

A Rua Sésamo faz hoje quarenta anos e vinte em Portugal. Eu li isto nos jornais e não pude deixar de lembar-me de ti.

Ele que confirme para sempre no céu ou lá onde está, os laços com que me uniu a ti na escola, na infância, na juventude e na vida

Hoje ligou-me. Há anos que não falávamos e hoje ligou-me. [Temos que prestar bem atenção à palavra: ligou. Ligou-me a si própria. Ligou-me a ela. Reparem que já não se diz telefonou-me, mas sim ligou-me. Ou telefona-me, mas sim liga-me. Liga-me a ti. ]
Bem...continuando. Ouvi o telefone, olhei, vi um 92 qualquer coisa e atendi. Conheci-lhe logo a voz apesar da pronúncia espanhola. Estivemos um bom tempo à conversa. Fiquei a saber que agora está por cá. Por Beja. Novamente na casa da mãe. Deixou tudo para trás e regressou para dar assitência a uma tia que está internada num lar. A tia Té. Desde 2006 que não me ligava a ela. Um dia houve em que tentei vistá-la numas férias, mas desencontrámo-nos. "Senhor tem piedade de nós, somos o teu povo pecador, toma a nossa vida de pecado e dor, enche o nosso esprito de amor". Andámos juntas no ciclo, depois na secundária. Só no décimo ano é que escolhemos áreas diferentes e fomos para escolas diferentes. "Estou convencido que nem a morte nem a vida nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus". E depois na faculdade fomos para Lisboa, mas Lisboa começou a ser grande demais para nós e desencontrámo-nos outra vez. Porém, lá nos íamos vendo nas férias. Ela tem o meu diário. Eu tenho a Bíblia dela. Éramos as melhores amigas do Mundo. Embora ela fizesse coisas que eu não, como aliás, ainda hoje. Ela ia à missa, e às procissões vestida de anjinho, e fazia retiros no seminário, e fez a catequese e a primeira comunhão e essas coisas todas. Depois de feito o curso (ela tirou economia com excelentes notas) optou. Optou. Optou e todos tiveram que render-se. A Leonor ou Leanora ou Nônô escolheu ser freira. Carmelita Missionária. "Irmã que pedes a Deus e à sua Igreja?"/ "Servir a Deus e aos próximos como Carmelita Missionária todos os dias da minha vida"/ "Irmã Leonor pelo baptismo morreste para o pecado e foste consgrada ao Senhor. Queres agora unir-te mais intimamente a Deus Pai, Filho e Espirito Santo, pela profissão perpétua na congregação?"/ "Sim, quero"/"Queres com a Graça de Deus abraçar para sempre a mesma vida de castidade pelo Reino, obediência e pobreza que Cristo e a sua Mãe para si escolheram?"/ "Sim, quero". Eu fui ao casamento dela. Ou aos votos perpétuos. Em 2006. E sim foi assim. Numa igreja muito decorada e com cânticos e tudo. E depois uma festa. Um "copo de água" a valer. Sei que nesse dia ela se sentiu uma noiva. E sei que desde então não mais tínhamos falado. Até hoje. E na expectativa de marcarmos um encontro, perguntei-lhe: "E agora estás cá até quando?"Ao que ela respondeu "Até que a minha tia viva". Qualquer um de nós provavelmente diria: até que a minha tia morra. "O Senhor Deus que inspira e leva a bom termo os santos propósitos te acompanhe sempre com a sua Graça para viveres fielmente a tua consagração". E para teres tempo de estar comigo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A queda do muro

A Rodica vai ter connosco sempre que precisamos. Limpa-nos a cozinha, aspira o escritório, tira o pó das secretárias e dos computadores, lava-nos os estúdios, muda-nos as camas, aspira a bancada, passa a mopa no linóleo. Estende-nos a roupa. Alerta-nos para os detergentes que é preciso comprar. A Rodica usa roupas de senhora. É uma senhora. Tem o cabelo sempre alinhado, as unhas arranjadas, os sobrolhos também. Tem madeixas. E malas a condizer com os sapatos. E sempre um fio de ouro e uns brincos. A Rodica tem uma filha: a Ana Maria. A Ana Maria anda já no segundo ciclo. E pede à mãe as coisas que os outros meninos e meninas pedem às mães. Uma Nintendo, um Magalhães, malas e afias e tesouras e canetas e blocos da Hello Kitty. A Ana Maria tem um nome português, mas não nasceu cá. Nasceu na Moldávia. A Rodica e a Ana Maria são moldavas. E o pai, um senhor que nunca vi mas que telefona insistentemente e que fala muito alto, é moldavo também. Estão os três em Portugal há cerca de dez anos. Ignoro os obstáculos que tiveram que ultrapassar para se estabelecerem por cá, mas calculo que tenham sido muitos. De vez em quando a Rodica muda de casa, de vez em quando pede-nos para enviar faxes que nos correios são muito caros, de vez em quando pede-nos para consultar a internet que não tem. E pede-nos também dinheiro emprestado. Que vai pagando com horas que há-de fazer. De vez em quando fica sem telemóvel porque lho cortam. E agora a Rodica está grávida de novo. Ela deve mesmo amar o homem que fala alto. Porque a grande aventura não é ter um filho mas antes ter o segundo. Ai sim. Aí é que o amor fala mais alto. A vida da Rodica não deve ser fácil. Ela faz-nos todos os favores de que precisamos por cinco euros à hora. Num dia inteiro farta-se de trabalhar e recebe quarenta euros. A seguir vai ao supermercado e eles gastam-se. Não parece, mas a Rodica tem a minha idade. E estudou. E é professora primária. E ao pé dela eu não sei nada de nada.
Nota: E ainda assim aposto que ela deve ter ficado feliz com a queda do muro.

dá-me a volta. no próximo sábado


As estações que há em ti!

Está tudo baço. O vento desalinha. Os semáforos são cinzentos, as estradas claro são cinzentas, mas as paredes não é claro que o sejam e no entanto são-no também. Os jardins são amarelo-ocre-dourado e os bancos dos jardins são húmidos e quando nos sentamos neles ficamos com as calças molhadas. As folhas espalham-se e estalam debaixo dos pés porque os pés procuram pisar prepositadamente as folhas para que os donos dos pés as oiçam estalar. E de vez em quando chuvisca e o cabelo fica molhado como as calças do jardim. E sentimos um frio desconfortável. E continua tudo baço. E o vento desalinha. Também por dentro. Tira a cor às estações do coração. E derrama-lhe cinzento para cima. E é esta ambiguidade que detesto: nem branco, nem preto. Cinzento. E tira à cor aos apeadeiros da razão. Também. Não sabemos onde devemos parar. Para onde tirar bilhete. E isto tudo por causa de uma questão cromática que nos turva a visão. E isto tudo porque hoje acordei com o Outuno dentro de mim.

Dá-lhe com a alma

O prémio ALMA foi criado pelo Governo sueco em 2002, em memória da autora de Pipi das Meias Altas, e é atribuído todos os anos a autores, ilustradores e organizações que promovam a leitura à luz dos princípios de Astrid Lindgren.
Este ano, entre 168 candidatos de 61 países, Portugal está representado pelo projecto Palavras Andarilhas, sendo candidato ao mais importante prémio internacional de literatura infanto-juvenil, o Astrid Lindgren Memorial Award (ALMA), atribuído pelo Conselho Nacional de Cultura sueco e com o valor aproximado de 500 mil euros.
Estas são as notícias que eu gosto de dar!

domingo, 8 de novembro de 2009

procura-se...

...há que tempos em Beja um Ás do jornalismo desportivo.
Porque razão ninguém aparece?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Bom fim-de semana

São só dois dias. Sábado e domingo. Coisa pouca. Uma malinha simples. Cremes e coisinhas dessas não precisa que tenho lá. Calças e t-shirt's, cuequinha e soutien, o belo do ténizinho que agora já não é tempo de sandálias, mas ainda não é tempo de botas. E pronto. Já está. Leve como uma pena. Toc, toc, toc por aí acima. Para passear. Estar com os amigos. Jantarmos juntos. Conversármos. Distrair-me disto tudo. Estou a precisar. E faz-me bem. E faz-me falta. E eu preciso. Volto sempre cansada mas rejuvenescida. E isso é bom.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tira-me daqui!

Hoje não me apetece estar aqui. Não me apetece. Quero ir para casa. Ou para a rua apanhar com o vento frio que corre lá fora. Vestia o casaco e pronto já estava. Os cabelos podiam andar pelos ares que as orelhas e o pescoço estavam protegidos e quentinhos. Ia vendo as montras, entrando nas lojas. Parava naquele café. Pedia a minha meia de leite. Fumava um ou dois cigarros e ficava ali parada a olhar. A seguir ia para casa. Fazia o meu jantar. Com calma e paciência. Com sorte talvez saisse bem. Comia sossegada. Sossegadinha. Vestia o meu pijama, calçava as minhas meias grossas e deitava-me no sofá. Era mesmo o que me apetecia.
Estar aqui é que não. Hoje não. Está cinzento lá fora e eu estou cinzenta cá dentro. Por dentro. Já fiz o que tinha a fazer: recebi as propostas, agradeci, já fiz os contactos - neste caso - com os músicos, já pedi o cachet, já o negociei. Já pedi imagens e ficha técnica e sinopse. Já contactei os técnicos de som e de luz. Já reenviei os raiders técnicos. Está tudo combinado. O alojamento está marcado. O catering decidido. O restaurante também. O camarim está arrumado. A senhora da limpeza há-de vir na véspera. Já fiz a nota de imprensa. Já enviei para a comunicação social. E para a agenda cultural. Já passei a informação ao designer que irá fazer o e-flyer. E o mupi. E o cartaz. Depois - talvez amanhã - vamos distribui-los. E vou enviar o sms. E no próprio dia hei-de fazer a bilheteira. E receber o público. E é assim todos os dias! Fazer produção é isto. Isto e muito mais. E dá trabalho. E dá gozo também. Ainda que eu me pergunte "M. mas afinal o que é que tu produzes?" e chegue à triste conclusão e diga para mim própria "Nada".
Há dias em que sou pouco benovolente comigo própria. E pouco impiedosa. E hoje é um deles. Está visto!
É que eu até gosto disto!Gosto do dia derradeiro em que me sento e suspendo a descrença e escuto e sinto um novo som, ou vejo uma nova peça ou sou embalada por um novo dançar.
Mas...não. Hoje não! Hoje não quero saber disto para nada!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

escritor alentejano...

Possidónio Cachapa ou uma nova maneira de promover um livro!


a chover e a fazer sol e as bruxas a comerem pão mol(e)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

no fundo, no fundo...

apesar do cansaço que dá às vezes ser mulher continuo senhora elegante e em fundo azul. azul turquesa, qual marquesa. meretriz por um triz. ai, ai o que é que diz? tenha tento! vista o fato cinzento, pegue na malinha, ajeite a melena e arme-se em madalena. arrependida não que vem logo o papão, em marlene e tocam logo a sirene. em maria. mas maria vai com as outras. avé. avé. reze e venha pé ante pé. até aqui ao azul. azul turquesa que faço de si uma princesa. e apesar do cansaço que lhe dá às vezes ser mulher dispa-se de querer ser e ficamos os dois no azul que no fundo é o mar que o seu nome soube albergar. mar, mar, mar...

Última medida ou primeira medida?

Estas renovações, ontem publicadas, foram decididas por quem?
E com base em que critérios?

Uma vergonha nacional


Foi publicado o mais recente relatório sobre os recursos humanos nos municípios portugueses, da responsabilidade da Direcção Geral das Autarquias Locais (DGAL).


Os dados apurados, referentes ao ano de 2008, revelam que perto de 20% dos trabalhadores e trabalhadoras das autarquias têm vínculo precário. Concretamente, segundo estes números cerca de 18% correspondem a contratos a prazo e 2% a recibos verdes. No total, estamos a falar de cerca de 25 mil pessoas.


Os números apurados baseiam-se no balanço social enviado pelos 308 municípios. O relatório de Caracterização de Recursos Humanos, recentemente divulgado, afirma que a 31 de Dezembro de 2008 os contratados a termo - certo ou incerto - representavam já 15,5% dos actuais 126 683 trabalhadores autárquicos. Em 2007, a percentagem era de 13%, num universo de 124 547 trabalhadores.


E em Beja? Quantos são?

Que medidas vão ser tomadas para fazer face a este descalabro?

E os tais concursos que iriam servir para colocar nos quadros os trabalhadores precários da Câmara Municpal de Beja... o que é feito? Sim! Porque era para isso que os concursos serviam e não para dar trabalho a desempregados como aludia o anterior executivo. Quanto não ganhariam se tivessem sido honestos! Já tinham pensado nisso?

...in Africa


domingo, 1 de novembro de 2009

Porque raio me aparecem uns blacks que nunca vi mais gordos na minha secção "sons que falam por mim" quando o que eu lá pus foi um vídeo do JPSimões, alguém me explica?

Oh, fazzzz fa voooo

Tenho um colega novo. Designer. Estagiário. Puto charila macaco sem ____. Simpático. Inseguro também. De cada vez que quer dizer o que quer que seja faz uma introdução. Assim tipo:"Vou só dizer uma coisa que é o seguinte..." e só depois diz mesmo. Ou então, por exemplo, quando quer perguntar algo, introduz assim "Oh M. só uma perguntinha", e depois questiona.
Então hoje (e uma vez feita a introdução eh,eh,eh) eu chamo a atenção para o seguinte. "Oh paizanos só uma questãozinha... porque é que a vacina da gripe A não está acessível a todos nas farmácias e não pode ser adquirida por prescrição médica, ou seja, mediante uma receita e por qualquer mortal?" Hum?

dia de todos os santos

não fui levar-lhe flores mas comprei-as para mim. não gosto de ir a casa de ninguém sem ser convidada, portanto...há muitos anos que não vou vê-las. nunca fui vê-las. desde que partiram que nunca fui vê-las. também não adiantava ir porque já não estão lá. na verdade não sei onde é que estão. as minhas mulheres foram-se embora todas quase no mesmo dia. adeus disseram ou nem isso e tive que me conformar. foi há uns anos atrás. não os conto. não quero saber. abalaram e agora desenrrasca-te. não sei o que herdei de uma ou o que herdei de outra. coisas boas talvez. dela a que morava na aldeia recordo-lhe as sopas e os ensopados, os caldos e os assados no forno de lenha. matava as galinhas, os borregos, os porcos, depenava as perdizes que os homens traziam da caça, as lebres e os coelhos e transformava tudo em lugar de mesa posta. não era crente mas sei que tinha os seus santos. quando ia votar vestia a sua melhor roupa. ou quando ia a Beja. na lareira fazia-nos torradas inclinadas num garfo e depois ofereci-as com planta. dela a que viva na cidade sei que tinha estudado na universidade. deu aulas. tinha um casaco de pele, perfume anais anais e batôn. fazia-nos arroz doce com desenhos e deixáva-nos brincar com os tachos lá de casa. inventava histórias que escrevia.
em comum tinham o facto de ser ambas minhas avós. de me darem abraços e festas e beijos e de terem a pela branca e os olhos azuis. de serem muito bonitas. hoje como quase sempre lembrei-me delas. abalaram e nem disseram adeus. ou porque não tiveram tempo ou porque estavam cansadas ou porque não queriam ainda partir. mas hoje não me convidaram para ir lá a casa. ou lá onde estão que é não sei onde. não sei se no céu se noutro lugar. talvez no meu coração estejam. sim. no meu coração estão. por isso não fui levar-lhes flores e comprei-as cá para casa.

Mortes há muitas

As minhas preferidas são as das cebolas esquecidas no cesto da despensa. Quando as encontramos, findas, já cheiram mal. Mas há também as dos iogurtes líquidos magros passados da validade. Ou as dos peixes suicidas que se atiram borda fora do aquário quase sempre redondo. Ou as de um texto que finalmente chega ao fim (perdoem-me a redundância). Como também as de umas botas a que o tempo se encarregou de estragar a sola.
Mortes há muitas! como diria o outro. Mas, as piores e mais díficeis são aquelas em que o morto permanece vivo. Vivo da silva. Passo a explicar: damo-lo como falecido. Atiramos, aliás, muitas vezes o tiro derradeiro. Decretamos o luto, mas... o pior vem depois. Como continua livre e à solta nem sempre conseguimos fazer-lhe o enterro. Afogamo-lo várias vezes e várias o puxamos ao de cima, num desespero tipo "ressuscita lá, ressuscita lá". Ou há-de ser com telefonemas ou há-de ser com mensagens ou há-de ser com e-mails. Uma canseira! Tantas amonas temos que dar até nos convencermos que realmente morreu! Txi!!
Mas...ultrapassado esse período respiramos de alívio. As perninhas já não tremem, o coração já não acelera, as lágrimas já não caem. Fazemos-lhe o velório e desejamos que descanse em paz.
Ele e nós. Que continuamos vivos por aqui.