Fui às compras. Enchi o cesto. Verti-o na caixa. E tráz! Não havia multibanco. Subi as escadas rolantes, inseri o cartão na máquina e tráz! não era autorizada a operação. Desci as escadas e explicaram-me "é anomalia a nível nacional".
Porque preconizo a equiparação dos direitos civis e politicos das mulheres aos dos homens, EUFÊMEA pode ser um blog feminista. Porque sou admiradora confessa de Catarina Eufémia, EUFÊMEA pode ser considerado um blog reivindicativo, contestatário, lutador. Porque - ainda por cima - sou alentejana e baleizoeira, EUFÊMEA é também um blog isento de eufemismos.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Obrigado
Li muitos livros dele. Era ainda novinha, mas lia-os. E gostava. Daquela forma nova e diferente de escrever. Daquelas personagens que criava. Ainda tenho presentes imagens nítidas de uma mulher que era perseguida por estorninhos, outra que desfiava um novelo de lã enorme, de outra ainda que via através das pessoas e adivinhava, por exemplo, as grávidas. Lembro-me de ver o Largo de Camões de uma janela através do heterónimo de Pessoa, Ricardo Reis e de desejar chamar-me Blimunda.
Jangada de Pedra, Memorial do Convento, História do Cerco de Lisboa e tantos outros estão misturados na minha cabeça, mas é Levantado do Chão que mais me verga ao autor.
Obrigado, Saramago.
Jangada de Pedra, Memorial do Convento, História do Cerco de Lisboa e tantos outros estão misturados na minha cabeça, mas é Levantado do Chão que mais me verga ao autor.
Obrigado, Saramago.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
telegrama
Dizem que os gatos dormem muito. A Bia ainda não parou sossegada desde que cheguei a casa, no entanto, agora está enroscada frente à televisão.
Estreou o Cabotino e eu não pude ir ver.
Homenageia-se o Figueira Mestre e eu não posso estar.
Soube que não vou receber subsídio de férias. Diz que "não há dinheiro".
Comprei o DN e ouvi e gostei do Baile Popular.
O PSD deu o voto favorável ao relatório da Comissão de Inquérito sobre o caso PT/TVI. Tantos meses à chapada e não conseguem provar que Sócrates é um mentiroso.
Ando a construir um novo blogue, mas não sei quando estará on-line.
Almocei com o meu pai no Vegetariano. Até ele gosta!
A roupa já está seca e eu não vou recolhe-la porque não me apetece.
O Diário do Alentejo, o Correio Alentejo e o Alentejo Popular vão editar umas páginas que me interessam. Agradeço que me comprem um exemplar.
Amanhã é dia de escola e toca a rir. Vou-me deitar.
Estreou o Cabotino e eu não pude ir ver.
Homenageia-se o Figueira Mestre e eu não posso estar.
Soube que não vou receber subsídio de férias. Diz que "não há dinheiro".
Comprei o DN e ouvi e gostei do Baile Popular.
O PSD deu o voto favorável ao relatório da Comissão de Inquérito sobre o caso PT/TVI. Tantos meses à chapada e não conseguem provar que Sócrates é um mentiroso.
Ando a construir um novo blogue, mas não sei quando estará on-line.
Almocei com o meu pai no Vegetariano. Até ele gosta!
A roupa já está seca e eu não vou recolhe-la porque não me apetece.
O Diário do Alentejo, o Correio Alentejo e o Alentejo Popular vão editar umas páginas que me interessam. Agradeço que me comprem um exemplar.
Amanhã é dia de escola e toca a rir. Vou-me deitar.
questões estéticas
este estabelecimento encontra-se aberto, mas em remodelações e atento ao modelo que lhe assenta melhor.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
CIRCO
Gosto de circo. Sim mesmo com animais. Gosto daquilo tudo. Das caravanas, dos estendais, dos fogareiros à porta. Das carrinhas que servem de camarins. Das casas de banho improvisadas. Daquela coisa de eles fazerem uma roda com os veículos, protegendo-se, marcando território e depois da tenda no cenro do mundo, do seu mundo. Gosto da casinha da bilheteira com luzes a piscar em cima. E gosto dos malabaristas, dos contorcionistas, dos acrobatas, dos domadores, das parteners, dos palhaços rico e pobre. Gosto de circo. E agora ele está cá e eu tenho que arranjar tempo para ir lá fotografá-lo. E coragem para fazer uma outra coisa. Não passa desta. Aí não passa não! Vou roubar um daqueles cartazes que distribuem pelas ruas. Adoro aquele design, aquelas cores, aquela coisa retro-modernista-passadista. Vai de certeza ficar muito bem na minha sala. Oh se vai!
terça-feira, 15 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
a minha gatinha
Trouxe finalmente a gata. Aliás, fui finalmente buscar a gata.
Confesso: nunca gostei de gatos! É simples: tinha medo deles. Mas agora...agora entendi que por várias ordens de razões (intímas) queria ter uma gatinha.
Ainda duvido de mim própria. Ela chegou hoje já tarde depois de uma viagem atribulada.
Não sei se estou à altura do desafio.
Fiz-lhe uma caminha, preparei-lhe a caixa com areão, arranjei-lhe um pratinho com leite e levei-a para a marquise, mas depois com dó dela puxei tudo cá para a sala.
Entrou-lhe o frenesim. Saltitando de puff em puff, por baixo das mesas, por detrás dos jornais e dos bancos. E miando.
Deixei de a ver por instantes. Chamava-a e nada.
Escrevi ao Jorge um sms "ela esconde-se e foge".
Ainda agora enquanto escrevo este texto. Chamo-a e nada. Não faço ideia onde está. Vou espreitar. Esperem aí.
E o Jorge respondeu "É normal. Tem medo e está num sítio estranho. Depois passa-lhe. Vai começar a descobrir o que a rodeia para se sentr segura. É mesmo assim. Repete-lhe o nome e tenta o truque da latinha".
Ainda assim fui procurá-la e ...hum a espertinha! Toda enroscada debaixo da mesa de centro da sala, mas em cima de uma caixa que está lá debaixo. Quase entalada, digamos. Presumo que vá dormir ali.
E quando não é ela que mia sou eu que chamo e sussuro Bia, Bia, Bia.
domingo, 13 de junho de 2010
época balneária
1, 2, 3 e 4 de Janeiro - Passagem de Ano
16 e 17 de Janeiro - Reunião de Trabalho Lêndias d' Encantar
13 e 14 de Março - Alentejo com a Madeira
1,2,3 e 4 de Abril - Reunião e trabalhos Cocas Produções
24, 25, 27, 28, 29 e 30 de Abril - Reuniões Associação de Defesa do Património e Jornal Ovibeja
15 e 16 Maio - Reunião de família Monte da Chaminé/Serpa
28, 29 e 30 Maio - Jantar Escola Profissional Bento de Jesus Caraça e 37
12 e 13 Junho - Pablo Milanês
O resumo de um semestre. Oito partidas. Oito chegadas. As motivações. Principais. Porque há outras. Estar com os amigos é uma delas senão mesmo a mais importante.
Agora prontos que estão os calores para nos abraçar a mim e a vocês,espero pelas vossas visitas ainda que o pretexto, a motivação principal seja a praia. Eu não me importo. Podem assumi-lo.
Como diria a minha ex-esteticista "chegou a época balneária".
sábado, 12 de junho de 2010
Crise?
Bancadas grandes, corridas. Em frente os milhares de militares na parada, a seguir uma estrada de alcatrão construída propositadamente para o efeito e depois oito tribunas para os vip's. O povo acorreu em massa. Para ver as tropas a marchar, os para-quedistas a aterrar, os caça bombardeiros a esvoar, os tanques e os jipes a desfilar. No final ouviram o Presidente da República e pelo meio vaiaram Sócrates. Depois desse espectáculo outro no Teatro das Figuras e um almoço e um jantar de luxo.Nas comemorações do 10 de Junho.
Dias antes a festa de despedida dos jogadores da Selecção. Um megaconcerto. Quinhentos euros a noite por jogador num hotel de cinco estrelas na África do Sul.
Ontem ou anteontem ou lá quando foi a comemoração dos 25 anos da adesão à então CEE. Ministros, Secretários de Estado, embaixadores o raio que os parta a todos.
Milhares de euros em logística, em protocolo, em luxos.
Olhamos através do televisor, escutamos os discursos e nada bate certo!
AH! E esqueci-me! Das Marchas de Lisboa e dos casamentos de Santo António.
Será que ninguém tem coragem para acabar com estas palhaçadas todas de uma vez?
AH! E esqueci-me! Das Marchas de Lisboa e dos casamentos de Santo António.
Será que ninguém tem coragem para acabar com estas palhaçadas todas de uma vez?
segunda-feira, 7 de junho de 2010
O meu sofá
O meu sofá tem visgo;
Aquele trambolho do Banco de Portugal já é vice presidente do Banco Central Europeu;
Pensava que se premiava o mérito;
Hoje fui ao Pingo Doce e comprei dois Tiramisu e já os comi;
O problema é que o meu sofá tem visgo;
Tenho saudades da gata que não tenho;
Já sei que nome lhe vou dar, mas não digo;
Tenho máquina fotográfica outra vez;
Apetece-me ir ver o Pablo Milanês;
E o Cabotino;
Mas...o meu sofá tem visgo;
A economia da zona euro vai subir abaixo das expectativas;
E comprei dois vestidos de Verão;
Ah... e se vocês soubessem como é bom o meu sofá ter visgo.
Visgo - substância viscosa obtida a partir da casca do azevinho e que se emprega para apanhar pequenas aves. Engodo. Atractivo. Isco. Aquele que atrai, seduz ou prende.
Aquele trambolho do Banco de Portugal já é vice presidente do Banco Central Europeu;
Pensava que se premiava o mérito;
Hoje fui ao Pingo Doce e comprei dois Tiramisu e já os comi;
O problema é que o meu sofá tem visgo;
Tenho saudades da gata que não tenho;
Já sei que nome lhe vou dar, mas não digo;
Tenho máquina fotográfica outra vez;
Apetece-me ir ver o Pablo Milanês;
E o Cabotino;
Mas...o meu sofá tem visgo;
A economia da zona euro vai subir abaixo das expectativas;
E comprei dois vestidos de Verão;
Ah... e se vocês soubessem como é bom o meu sofá ter visgo.
Visgo - substância viscosa obtida a partir da casca do azevinho e que se emprega para apanhar pequenas aves. Engodo. Atractivo. Isco. Aquele que atrai, seduz ou prende.
domingo, 6 de junho de 2010
Baleizão, mulheres, homens, aniversário da morte de Catarina, Graça, Álvaro e tantos outros sem nome e vistos da janela
Naqueles dias o trânsito era cortado na aldeia nova até cá abaixo à aldeia velha. Álvaro Cunhal saia do automóvel, Graça saia da Igreja. Ambos os venerados desciam a rua ladeados por populares. Ruas caiadas de branco imaculado e propositado. Ruas limpas e regadas na véspera. Desciam em marcha lenta. Ela assente no altar e erguida por braços tímidos, ele assente na coragem e como que transportado por braços fortes em levitação. Nenhum deles se movia conforme as leis da física pé ante pé, um atrás do outro arrastados pelo movimento lento da marcha. Os santos são etéreos e há sempre alguém que os conduz aos lugares onde estão e onde querem que vão. Em ambos os casos quem os levava era o povo. Caras lavadas, roupas estreadas, vozes contentes e eufóricas, cânticos e cantigas e modas entoados a puxar a esperança de uma vida melhor. Álvaro e Graça prometiam sempre futuro, coisa que não está às mãos de qualquer um e pelo qual é sempre preciso esperar. Futuro de uma vida em comunhão, camaradagem, paz, trabalho. Por conta disso todos queriam tocar-lhes. Nela com mais esmero, delicadeza e prece. Nele com força, abraços, apertos de mão rijas.
Eram dias de festa na aldeia. Instalava-se uma confusão organizada. Vinha gente de fora, dos sítios longínquos para onde foram empurrados à custa da custosa emigração. Das Suíças, das Alemanhas, das Franças. De todo o país. Acreditavam num destino melhor, maior, supremo. Menos sofrido.
Instalavam-se barracas na rua. De vendedores de gelados de dois sabores, de tremoços, de algodão doce, de pães com linguiça. Fechava-se o comércio e as tabernas. Engalanavam-se as janelas.
E, num caso como noutro, gritavam-se palavras de ordem fossem elas alto e bom som e de punho erguido, fossem elas murmuradas de olhos baixos assentes nas mãos enleadas nos crucifixos.
A peregrinação terminava no largo da aldeia e se Álvaro subia à tribuna para discursar, Graça a Nossa (ou deles) Senhora, padroeira da terra subia novamente ao altar. Quem está acima de nós deve sempre estar elevado para que possamos vê-lo e venerá-lo melhor.
Eu via-os primeiro em Maio, depois em Agosto. Via-os da perspectiva de uma criança de 5, 6, 7 ou mais anos. E sempre da janela. A passar. Via-os assim. Como dois motivos de festa.
Hoje interrogo-me porque tais memórias me assaltam e sinto que não conseguir explicar porque razões os meus conterrâneos se entregavam, como nenhum outro povo, à celebração daquilo que é relativo a um domínio interdito e inviolável e que suscita a veneração, o sagrado, no caso a Nossa Senhora da Graça que enchiam de notas para pagar preces e promessas, ao mesmo tempo que o faziam com o profano, Cunhal que eles próprios investiam de uma determinada dignidade religiosa, tornando-o bendito, abençoado e quase santificado.
Eram dias de festa na aldeia. Instalava-se uma confusão organizada. Vinha gente de fora, dos sítios longínquos para onde foram empurrados à custa da custosa emigração. Das Suíças, das Alemanhas, das Franças. De todo o país. Acreditavam num destino melhor, maior, supremo. Menos sofrido.
Instalavam-se barracas na rua. De vendedores de gelados de dois sabores, de tremoços, de algodão doce, de pães com linguiça. Fechava-se o comércio e as tabernas. Engalanavam-se as janelas.
E, num caso como noutro, gritavam-se palavras de ordem fossem elas alto e bom som e de punho erguido, fossem elas murmuradas de olhos baixos assentes nas mãos enleadas nos crucifixos.
A peregrinação terminava no largo da aldeia e se Álvaro subia à tribuna para discursar, Graça a Nossa (ou deles) Senhora, padroeira da terra subia novamente ao altar. Quem está acima de nós deve sempre estar elevado para que possamos vê-lo e venerá-lo melhor.
Eu via-os primeiro em Maio, depois em Agosto. Via-os da perspectiva de uma criança de 5, 6, 7 ou mais anos. E sempre da janela. A passar. Via-os assim. Como dois motivos de festa.
Hoje interrogo-me porque tais memórias me assaltam e sinto que não conseguir explicar porque razões os meus conterrâneos se entregavam, como nenhum outro povo, à celebração daquilo que é relativo a um domínio interdito e inviolável e que suscita a veneração, o sagrado, no caso a Nossa Senhora da Graça que enchiam de notas para pagar preces e promessas, ao mesmo tempo que o faziam com o profano, Cunhal que eles próprios investiam de uma determinada dignidade religiosa, tornando-o bendito, abençoado e quase santificado.
E pergunto-me porque transformaram os baleizoeiros sempre o pão e o vinho dos seus camaradas no Corpo de Cristo?
sábado, 5 de junho de 2010
Miiiiauuu
sexta-feira, 4 de junho de 2010
baila comigo
quinta-feira, 3 de junho de 2010
mulher de governo


Lá em casa quem fazia as compras era o meu pai.
Agora (que é como quem diz!) cresci e tenho que fazer as minhas próprias compras, claro está!
Ir ao supermercado, encher o carrinho, despejar na caixa, meter nos sacos, meter no carro, tirar do carro, subir as escadas, meter no frigorifico, meter na despensa. PUFFFF!
Geralmente convoco a minha irmã e vamos as duas. É mais fácil. Fazemos o avio para o mês inteiro. Não há paciência para andar todos os fins-de-semana no super ou hiper mercado, embora haja quem goste que eu sei. E muito.
Hoje, no feriado e ao contrário do que sucede nos outros meses, tive que ir aviar-me, mas às prestações. Não tive boleias e portanto ando comprando as pápas às mijinhas.
Desta vez era o skip e o amaciador, dois pesos pesados mais o molho de soja, a goibada, as cebolas e os iogurtes, mais isto e mais aquilo.
Como se não bastasse, desde o ano passado que não calçava sandálias, ainda por cima altas. Para lá muito bem. Para cá...um calvário. Um saco numa mão, outro saco na outra, a caixa pontiaguda do skip a bater-me nas pernas, os pés todos doridos das sandálias. Parava a meio do caminho, pousava um saco, pousava o outro, a mala caía-me do ombro. Tudo derramado no chão. TXIIIII!
Foi então que decidi que para fazer juz ao estatuto de mulherzinha autónoma e independente iria comprar - adivinhem - um trolley! Como aqueles das velhinhas, caso contrário roubo o carrinho do supermercado e levo-o até à porta de casa.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
o meu pesseguinho
O meu pesseguinho e a mãe vieram visitar-me. Tinha previsto para o jantar fazer chili, então preparei um refogado com as carnes picadas e tirei para o lado uma porção para dar ao pesseguinho. Depois ao preparado todo juntei o chili, os cominhos, o feijão encarnado e à parte fiz um arroz e disse ao menino "esta noite o jantar é arroz à Guidolhonesa". Ele riu-se e comeu bem.
Quando o pesseguinho vem à minha casa fica a ver desenhos animados no computador e ri-se muito muito com os disparates dos bonecos. Também os vê na televisão e também comemos excepcionalmente no sofá ou no chão.
O meu pesseguinho deixa um rasto, uma espécie de caos repleto de significados: papelinhos, fiozinhos, bonequinhos, desenhos tudo bem espalhadinho.
Ele dormiu cá em casa. Às vezes, ele e a mãe vêm dormir cá a casa. Montamos o acampamento: eles sobem para a minha cama eu fico num colchão no chão. Pediu-me um peluche. Fiquei aflita. Eu já não tenho peluches apesar de ter uma gaveta cheia de brinquedos. Fui lá pesquisar e encontrei o Princepezinho tamanho de um palmo. Dei-lho. Ainda refilou que queria um fofinho daqueles com pêlo, mas lá se conformou e dormiu tranquilo.
No dia seguinte fiquei de levá-lo à escola. A mãe sai mais cedo e ele assim pode dormir mais. Fiz-lhe um leitinho de biberon. Pediu-me com beicinho para ficar mais um bocadinho a dormitar. Ficou. A seguir, com muitos beijinhos, lá acordou. Chegou a altura de se vestir e o meu pesseguinho começou a chorar. Eu não estava a perceber. Não queria vestir a t-shirt. Não queria. Não queria. Perguntei-lhe porquê e ele só chorava. Queria a blusa do dia anterior. A verde. Expliquei-lhe que a mãe a tinha levado para lavar, que estava suja (mentindo só para ver se ele se convencia). Não funcionou. Mostrei-lhe as minhas t-shirt's todas. Não dava, não serviam. E eis que ele me diz em soluços "Tia não quero essa blusa porque os meninos gozam comigo na escola". Levei um murro no estômago! Não esperava aquilo. Fui imediatamente buscar a blusa do dia anterior e vesti-lha. Acabou-se o choro e as lágrimas. A outra blusa era, de facto, pouco convencional, mas...
O meu sobrinho tem quatro anos. E eu chamo a isto bullying.
Fomos contentes com a camisola cravada em nódoas e ainda por cima sem bata. Não gosto de fardas, batas, etecetera, mas percebo que é bom que elas existam. O que têm de mau têm de bom: uniformizam, anulam as diferenças.
Contei tudo à educadora. Ela tem um trabalho a fazer dentro da sua sala de aula. Urge.
Quando o pesseguinho vem à minha casa fica a ver desenhos animados no computador e ri-se muito muito com os disparates dos bonecos. Também os vê na televisão e também comemos excepcionalmente no sofá ou no chão.
O meu pesseguinho deixa um rasto, uma espécie de caos repleto de significados: papelinhos, fiozinhos, bonequinhos, desenhos tudo bem espalhadinho.
Ele dormiu cá em casa. Às vezes, ele e a mãe vêm dormir cá a casa. Montamos o acampamento: eles sobem para a minha cama eu fico num colchão no chão. Pediu-me um peluche. Fiquei aflita. Eu já não tenho peluches apesar de ter uma gaveta cheia de brinquedos. Fui lá pesquisar e encontrei o Princepezinho tamanho de um palmo. Dei-lho. Ainda refilou que queria um fofinho daqueles com pêlo, mas lá se conformou e dormiu tranquilo.
No dia seguinte fiquei de levá-lo à escola. A mãe sai mais cedo e ele assim pode dormir mais. Fiz-lhe um leitinho de biberon. Pediu-me com beicinho para ficar mais um bocadinho a dormitar. Ficou. A seguir, com muitos beijinhos, lá acordou. Chegou a altura de se vestir e o meu pesseguinho começou a chorar. Eu não estava a perceber. Não queria vestir a t-shirt. Não queria. Não queria. Perguntei-lhe porquê e ele só chorava. Queria a blusa do dia anterior. A verde. Expliquei-lhe que a mãe a tinha levado para lavar, que estava suja (mentindo só para ver se ele se convencia). Não funcionou. Mostrei-lhe as minhas t-shirt's todas. Não dava, não serviam. E eis que ele me diz em soluços "Tia não quero essa blusa porque os meninos gozam comigo na escola". Levei um murro no estômago! Não esperava aquilo. Fui imediatamente buscar a blusa do dia anterior e vesti-lha. Acabou-se o choro e as lágrimas. A outra blusa era, de facto, pouco convencional, mas...
O meu sobrinho tem quatro anos. E eu chamo a isto bullying.
Fomos contentes com a camisola cravada em nódoas e ainda por cima sem bata. Não gosto de fardas, batas, etecetera, mas percebo que é bom que elas existam. O que têm de mau têm de bom: uniformizam, anulam as diferenças.
Contei tudo à educadora. Ela tem um trabalho a fazer dentro da sua sala de aula. Urge.
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