domingo, 13 de setembro de 2009

Alergias psicosomáticas?

Ando nisto das mudanças há mais de uma semana. Espero ansiosa pela seguinte e pelo pelo dia derradeiro em que tudo se translade de cá para lá. Tiro de um lado, encaixoto do outro, carego para aqui, carrego para ali e, claro, muitas poeiras se levantam e outras tantas se destapam.
Entretanto, no meio de tudo disto fui subitamente assolada por umas comichões imensas. Hoje. Umas comichões que me percorriam o corpo todo da ponta dos pés à cabeça. Sem explicação plausível que explicasse tal facto bezuntei-me com untegos e fui dormir.
E eis senão quando de repente em princípios de sonhar a explicação aparece.
Das duas uma: ou alergias a um passado empacotado ou alergias a um futuro desempoeirado.
Nem mais!!

sábado, 12 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

quando é que voltamos à normalidade?

A chamada silly season que começou no passado mês de Agosto (ou será que foi logo em Julho?) ainda vai a meio caminho, não obstante todas as reentrés por aí anunciadas.
Em Beja foram notícia um projecto andarilho que já estava no papel há 500 anos e do qual só agora os cidadãos podem desfrutar (ou será que são os (e)leitores?) o mesmo acontecendo com o prometido posto de turismo. A Câmara Municipal (muito activa) levou a cabo mais uma Anibeja (evento sempre caracterizado pela adesão em massa dos bejenses) e permitiu acolher mais um campeonato Baja/Beja. Entretanto, uma nova ferramenta que permite pagar o estacionamento através de telefone ou de internet foi accionada (o que deixa todos os bejenses muito felizes!) e estivemos sempre em alerta amarelo e incluídos nas listas dos concelhos com maior risco de incêndio. Tirando isso ficámos todos a saber que por muito que nos esforçemos não passamos de uns reles funcionários! E é tudo. Três meses em três linhas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Mexemos no que estava guardado, descobrimos e surpreendemo-nos com textos que fizemos e tivemos o descaramento de imprimir, cartas que escrevemos e nunca enviámos, revistas que folheámos há muito. Mexemos no que estava guardado e descobrimos e surpreendemo-nos com aquela blusa que nunca vestimos, a outra a quem demos uso por demais, as saias e as calças que já não nos servem e que nos assentavam tão bem.
Mexemos e andamos para trás no tempo. Recuamos e a seguir somos obrigados a escolher: entre seguir em frente ou ficármos parados lá atrás.
E então rasgamos papéis e vemo-nos livres do que serviu para nossa máscara em tempos já idos.
E sentimos assim as mudanças a fazerem-se por dentro. Também por dentro. Muito por dentro: ao destruirmos o que já não importa e ao livrarmo-nos do que já não nos serve. E sabe bem. Mudar sabe bem!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

baralhinho de cartas

Pensei em escrever-te uma carta. Há muito tempo que ando com vontade de o fazer. Gosto de escrever cartas. Gosto de receber cartas. Muito. Gosto de pensar que alguém se demorou a pensar em mim, escrevendo-se para mim. Cartas houve que fizeram História. As que foram sendo trocadas entre amantes eternos, entre grandes cientistas partilhando descobertas, entre políticos definindo estratégias, entre grandes escritores e amigos de sempre. Livros há só de cartas. Compilações de cartas que nos desvendam o quotidiano de gente a quem o tempo tratou, entre o tanto que passou, de transformar em celebridade.Eu tenho uma caixa só com cartas e sei que algures em alguns poucos lugares há também cartas minhas dentro das caixas de algumas pessoas. Escrevi imensas porque há pessoas que me despertam essa vontade. Enviei muito menos que imensas porque as mesmas pessoas me despertam também o medo de ser lida. É que quando escrevemos cartas, mais do que escrevermos a alguém estamos a descrever-nos a nós. Sei isso e temo por isso. O traçar da linha, a rapidez ou brandura das palavras, a hesitação na escolha de uma palavra, o rasurado na opção por outra nada disso esta agora nas novas cartas. As que mais amo são as manuscritas. Revelam-nos e revelam dos outros muito mais. As cartas são fios que queremos manter em ligação, que não queremos nunca deixar cair. O descrever do dia que passou, da noite que está a cair, da paisagem que nos envolve, dos barulhos que ouvimos ou do silêncio que nos abraça, dos cheiros que nos cercam. Esses são os ingredientes de uma verdadeira carta. Por isso esta não o é, na realidade. Não será também um monólogo, um mero exercício de narcisismo auto-esclarecedor. Resulta de uma vontade presa na garganta. De medos à solta na razão. De pensamentos enleados no coração. Alinho-me, assim, nestas linhas porque me sinto presa a linhas tuas. Novelinho a enredar-me. Sinto-me presa ora por uma ponta, ora por outra, ora, ainda por outra. Há palavras tuas que cercam, gestos teus que escuto amiúde. Gosto de ti com muitas das minhas forças. Muitas das minhas forças estão não em ti, nem resultam de ti, mas estão canalizadas para ti. Espreito-te a todo o instante. Sei já esclarecedoramente que ocupas parte da minha vida. Sei que tens em mim e na minha vida um certo lugar, embora não, ainda, um lugar certo. A prova está em que estou a escrever-te e a escrever-me. A prova está em que não temos nome para dar ao que existe entre nós. Por ora talvez não constitua problema a designação, o nome, a palavra capaz de nos ligar. Não é deveras isso o mais importante, por ora, por ora. Mas chegará o dia em que havemos de querer chamar-nos para nos vermos e nos virmos um ao outro e nos faltarão as palavras. Chegará o dia em que é importante dar um sentido a tudo o que temos vindo a ser. Chegará a hora pois que já chegou dentro de mim essa vontade esclarecedora de te perguntar quem sou? E...

domingo, 30 de agosto de 2009

o mundo é composto de "mudanças"

Não é "uma casinha simplezinha com gerânios em flor na janela, uma rede de malha branquinha e nós dois a baloiçar dentro dela"*.
Mas é uma casa bonita. Com luz natural. Muitas janelas. Um chão de madeira. Uma sala simpática. Uns cantos acolhedores.
Mais pequena que a actual de quem alguns diziam, com razão, ser "um luxo asiático". Sem aquele salão de baile que era a cozinha e sem o escritório barra quarto de visitas barra quarto de inquilinos.
Agora é uma casa à minha medida. Que dá para "plantar os meus amigos, os meus discos e os meus livros"* e algo mais.
É a minha casa nova!
* excertos de músicas de Maria Bethânia.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Meu querido amigo...

...a sua flor... vai bem. Não sabe para onde, mas vai.
Parece-lhe que a regam todos os fins-de-tarde. Mas é apenas impressão. Diz ela que lhe nascem frutos e flores do seu tronco e dos seus braços porque sim. É-lhe agora primavera. Ou quando calha.
Apetece-lhe, a tonta, escrever histórias. Histórias inverosímeis. Daquelas com pessoas reais e acontecimentos hilariantes, do demo, do inacreditável e do fantástico. Mas sem lugares-comuns, sem frases feitas, sem banalidades que a todos ocorrem e que muitos não se envergonham de verter para o papel. Ela tem vergonha. Ela é envergonhada.
Já teve mais poesia na sua escrita a flor (que achava que a dita palavra se escrevia com acento circunflexo, mas que o word diz que não). Já teve mais fluidez, mais graça. Agora é seca e objectiva e concreta e desprovida de emoção a sua escrita. Até nos es-m-ess. Há-de ser porque a obrigam a enviar muitos mails, muitos faxes. Coitada!
Diz também, a tonta, que lhe apetece ouvir velhos e velhas para que lhe contem estórias. Sim assim sem h. Diz que sabe que certas estórias de verdade feitas são parecidas às dos livros ficcionados quando – se formos a pensar bem - devia ser ao contrário já que elas ainda estão por contar.
Ela guardava-as e depois inscrevia-as no papel. Era o que ela mais queria. Diz que não tem jeito para falar e que gosta mais de ouvir, então…
Escritas as letras, as palavras, as frases, as estórias ficam impressas não se apagam prái assim e duram muitos anos, pudemos voltar a relê-las e podemos guardá-las e fazer perpetuar a memória e as recordações e tudo o que uma estória contém. E era mesmo o que ela mais queria. Guardar no papel coisas velhas prestes a definhar. Coisas de pessoas com alma e com vivências.
Ela sabe que vai fazê-lo. Já idealizou dois ou três projectos. Bem…na verdade três projectos. Vai apresentá-los a quem de direito. Vais esperar pacientemente pelas respostas das ditas malfadadas entidades competentes e depois vai abraçá-los e dar-lhe vida e a seguir corpo.
Esta sua muito querida amiga contar-lhe-á tudo um dia em que você queira ouvir. Um dia em que você conheça a sua terra, a sua casa, os seus esconderijos, a sua escola, a sua aldeia, as suas sopas de beldroegas e perceba e sinta o que é o seu alentejo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

HOJE


Eufêmea comemora o seu primeiro ano de vida.

Duzentas e trinta e oito post’s o que equivalia a dezanove por mês, em média. Isto se eu tivesse escrito, realmente, todos os meses. O que não foi, de todo, verdade. Escrevia uns dias, não escrevia nos outros. Escrevia uns meses, não escrevia nos outros. Durante muito tempo este blogue não fez completamente parte de mim. E actualmente, às vezes, ainda duvido que faça.

Na realidade, comecei intermitentemente e sem saber bem o que queria fazer dele.

Primeiro publicava umas noticiazinhas sobre Beja, aquilo a que no jornalismo se chamariam umas breves. Secas. Objectivas.

Depois fui alargando o espectro e comecei por introduzir outros temas de âmbito nacional. Assuntos que me preocupavam directamente: os recibos verdes, a precariedade, o desemprego, etecetera.

A seguir, sem deixar de publicar as notícias da minha cidade, passei também a comentá-las, desta feita em tom mais crítico.

E, a seguir ainda, optei por introduzir alguns assuntos de índole mais pessoal, sem que fossem, claro, íntimos.

Agora Eufêmea é o resultado dessa miscelânea. Vive disso: de Beja objectiva, de Beja sob o meu ponto de vista, do país em escala muito apertada e de alguns passos que dou especialmente aqueles que podem ser documentados com fotografia que é um exercício que me interessa praticar.

A todos quantos me visitaram e a todos os que foram deixando os seus comentários o meu muito obrigado!

domingo, 16 de agosto de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Férias - dia décimo terceiro II

Mas, não obstante as Lelices rumei novamente a Sul que aquelas de grave não têm nada. E foi ver-me a almoçar à beira da piscina e jantar no rodízio que isso sim é que são férias! Em boa companhia, claro está. (desta feita propositadamente sem fotos que atestem a veracidade das informações).

Férias - dia décimo terceiro



Às vezes sou mesmo Lela!

Todos nós somos Lelos pelo menos um dia no ano. E isso consola-me...

Ontem à noite fui Lela porque enviei um sms a um Lelo dizendo-lhe "passei por aqui e lembrei-me de ti". Eh! Eh! que Lela que eu fui.

Hoje fui Lela porque me comeram por tótó, parvinha, néscia, toina. Prometeram-me uma coisa e eu acreditei e fiz boa-fé e pensei que era verdade e afinal...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Férias - dia décimo segundo

"Eu tenho uma amiga chamada Maria lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá". É uma das músicas de Camané e pode bem ser o início deste texto.
A minha amiga tornou-se migrante. Foi-se embora, deu de frosques, abalou de Beja já vai fazer dois anos. No primeiro voltava à terra amíude. A razão mais do justificada era a presença do então namorado. Mas, uma vez terminada a relação, a minha amiga começou a conter-se, a minimizar-se, a descontar-se nas idas a Beja. De há um ano para cá ditou como regra que só visitaria a cidade, a amiga que sou eu, e os outros amigos, nos eventos. Assim, foi vê-la nas Andarilhas (uma vez), na Passagem de Ano (duas vezes), no concerto do Sérgio Godinho (três vezes), no concerto dos Caracol Blues e na performance Tudo Menos o Silêncio (quatro vezes), nas comemorações do 25 de Abril (cinco vezes), na Ovibeja (seis vezes) e numa festa de Família (sete vezes). Não é que lhe leve a mal... não é isso. Não é que eu pense que ela prefira as festas a estar comigo só por estar. Não. Não é isso! Mas... é que eu gostava mesmo é que ela me visitasse sem motivo aparente, sem pretexto, sem desculpas e mesmo com 40 graus à sombra.
E é o que ela vai fazer hoje. Lá, lá, lá, lá.
Nota: Por hoje estou em Beja porque ontem vim trabalhar, mas amanhã rumarei novamente a Sul. As férias ainda não acabaram.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Férias - dia décimo primeiro


Pois é! A culpa é tua porque hoje tive que ir trabalhar. Portanto, não olhes assim para mim. A minha vida é uma merda, mas a culpa é tua. Ouviste bem?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Férias - dia décimo


INTERREGNO ou porque sou fodida com as datas

os olhares jamais se perdiam seguiam-se continuamente e esboçávamos sorrisos sem o mínimo pretexto as conversas nunca terminavam as músicas de que gostávamos eram as mesmas os livros que líamos ou queríamos ler também o desejo invadia-nos a cada instante e a cada instante o consumávamos passámos a gostar da pele um do outro dos traços um do outro dos contornos um do outro demos corpo à fusão e pensámos alienados ser um só telefonava-te só para te ouvir a voz ias buscar-me ao serviço dançávamos músicas pimba na piscina outras nas noites da nora outras no colchão do chão da sala e eu gostava em ti de tudo do teu cheiro macio das tuas sardas milenares do teu tom dourado dos teus músculos delineados da tua força e timidez das tuas ganas e cansaço do teu sono e dos abraços democráticos que só nós dois sabíamos dar estive apaixonada transfigurei-me e tu também ultrapassámos horários eternizámos o presente e vivemos uma contínua descoberta tínhamos fé entusiasmo esperança eras absolutamente tu particular único meu subvertemos lugares comuns e havia amigos que diziam que à nossa volta se criava uma bolha e eu lembrava-me daquela canção do tempo dos nossos pais que dizia assim les amoreus sont seuls au monde e era feliz

a seguir fomos consumidos pela impossibilidade começaram as hesitações os medos os receios de não ser capaz de dar o próximo passo a falta de iniciativa instalou-se apenas me esperavas quando ia ter contigo e fui muitas vezes ter contigo como se caminhasse quilómetros até chegar a ti não sei o que te deu o que nos deu pedias calma e tinhas projectos muitos projectos que não me incluíam deixei de nos ver no futuro estranhei a ambivalência encalhei nos obstáculos refilei tornei-me exigente queria mais queria-te como dantes presente disponível atento atencioso não quiseste assim não foste capaz não soubeste não sei os laços desfaziam-se a distância impunha-se o fosso aumentava e vi-me sozinha e renunciei a ti e várias vezes quebrei e várias vezes reincidi etudo isso durou um ano até ao dia que não houve mais retorno o dia irreversível o dia de hoje há um ano atrás

mas uma história não acaba no jardim do capitel embora possa lá começar e por isso eu perguntava-te como estavas e a tua família e a escola e os outros projectos e convidava-te para jantares comigo tomares cafés comigo evitava o vazio queria preservar algo de bom tinha saudades tuas e fui persistente na procura de um laço a unir-nos para sempre ainda que noutro registo e fui tão persistente que pedi desculpas por sê-lo e descansei em paz e desisti finalmente depois de o ter feito porque tu fugias-me respondias-me mal torto ao lado com aspereza com bruteza com arrogância não soubeste estimar o carinho que ainda nutria por ti e hoje não sobrou nada sequer de nós hoje és como um fruto que colhi verde vi amadurecer e agora está esquecido e vai apodrecendo

domingo, 9 de agosto de 2009

Férias - dia nono




Férias - dia oitavo


Amoreira

Carrapateira






Arrifana



Vale de Homens

Férias - dia sétimo